“ Entrem senhoras e senhores, meninas e meninos. Venham ver ao vivo um verdadeiro artista. Venham ver o malabarista Gaspar. Venham ver a transformação da água em água, do ar em ar e do nadaem nada. Entrem, entrem, é a maior atracção nacional do momento, consegue fazer rir os alegres e chorar os tristes. Entrem, entrem!”
Eu não sei se há por aí muitas pessoas que ainda se lembram deste tipo de pregão nas feiras, a propósito de malabaristas, ilusionistas e vendedores de banha da cobra. Mas hoje ao ouvir o Ministro Gaspar, veio-me à memória este tipo de pregões, em que se promete tudo antes e tudo fica na mesma depois.
Vieram para a rua às centenas de milhares protestar contra a austeridade que vai dando conta dos nossos rendimentos mensais. Protestou-se contra a falta de equidade no esforço que os portugueses estão a fazer. Berrou-se pelo descalabro que é o desemprego. E que acrescentou Gaspar? Mais austeridade em cima da austeridade. Mas há ainda a hipocrisia do ministro ao anunciar a devolução de um dos subsídios à Função Pública. Então o malabarista não consegue dar com uma mão e depois à socapa retira com a outra? Resumindo, os privados continuam com os dois subsídios dos quais lhe é retirado um sob a forma de IRS. Aos públicos dão-lhes um deles que depois lhes é retirado da mesma forma, ou seja, em sede de IRS. A isto chama-se “equidade”.
Grandes malabaristas, para não lhes chamar outra coisa.
Jacinto César
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