Elvas sempre em primeiro
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Quarta-feira, 10 de Julho de 2013

Um facto que causa alguma estranheza a muitas pessoas, é o de haver cidadãos que não querendo meter-se nos assuntos de política partidária, possam exercer o seu direito de cidadania e que é o meu caso. Já afirmei aqui um sem número de vezes que nunca quis, não quero e penso que nunca quererei (o nunca é uma palavra muito forte) enveredar pelo caminho da política activa (leia-se partidária). Não tenho jeito para dar o dito por não dito, mentir quando for necessário e outras particularidades dos políticos.
Agora uma coisa é certa, sinto-me no direito enquanto cidadão e fundamentalmente enquanto elvense que gosta muito, mas muito da sua cidade de apontar o dedo aquilo que me parece mal feito e aplaudir aquilo que julgo estar bem.
Dito isto, vamos a factos.
Em relação ao que se passou em 30 de Junho de 2012 em S. Petersburgo sempre mantive aqui uma versão que sabia ser a correcta, já que tinha fontes junto do processo que me informavam do andamento das coisas. Fui seguindo aqui todo o andamento do processo, dando-me ao trabalho de até traduzir toda a documentação produzida pelo ICOMOS sobre Elvas e a sua candidatura e depois ter seguido a “tempo inteiro” tudo o que se ia passando na Assembleia Anual da UNESCO. Por aquilo que ia lendo dos documentos que me iam chegado, tive sempre uma fé muito grande que as coisas iriam correr bem para Elvas. Era uma fé inabalável e que para mim só um desastre político iria deitar abaixo.
A versão que sempre contei dos factos foi contrariada por muito boa gente e havia até quem por motivos pessoais gostasse que a candidatura “chumbasse”.
Nestes últimos dias o assunto voltou à baila com a “presumível” não homenagem ao Embaixador Francisco Seixas da Costa. Logicamente tive que vir desmentir aquilo que era do domínio público, mas que alguns teimavam em afirmar.
Hoje de manhã quando abri o blog e fui ver se havia comentários para por “on-line”, confesso que me assustei ao ver que havia um que vinha assinado pelo Embaixador Seixas da Costa. Eu nem queria acreditar no que estava a ler, mas era verdade, sim, que o Embaixador em pessoa vinha confirmar aquilo que eu sempre tinha dito.
Senhor Embaixador Seixas da Costa, foi uma grande honra para mim ter-se dado ao trabalho de vir aqui contar a versão dos factos. Não esperava que tal acontecesse, já que não passo de um modesto cidadão que se interessa pelos assuntos da sua terra e que vai escrevendo uns escritos na convicção de poder ajudar a alterar para melhor o que se passa em Elvas.
Fico-lhe muito reconhecido por esse acto. O meu grande obrigado também pelo que fez por Elvas com a sua brilhante intervenção naquele dia 30 de Junho de 2012 que jamais esquecerei.
Os meus cumprimentos
PS – O texto do Senhor Embaixador Seixas dos Santos está nos comentário do post de ontem.
Jacinto César
Sábado, 18 de Agosto de 2007
Há dois dias atrás quando escrevi sobre a candidatura do conjunto amuralhado e fortes de Elvas e sobre o centro histórico da nossa cidade, falhou-me a arquitectura religiosa.
É inegável que Elvas está dotada de um conjunto de edifícios religiosos que todos nós apreciamos e que são de uma beleza apreciável como é o caso da Igreja de S. Domingos e respectivo convento, a Igreja de N. Sr.ª da Assunção (antiga Sé), passando pela beleza da talha dourada da Igreja dos Terceiros e dos mosaicos do Convento de Stª Clara, à rara arquitectura da Igreja das Dominicanas entre outras. Acredito mesmo que não haverá em Portugal e proporcionalmente, cidade com maior conjunto deste tipo de arquitectura e de qualidade.
Anteriormente tinha afirmado que o Centro Histórico de Elvas jamais poderia ser candidata a Património da Humanidade, e mesmo acrescentando o que atrás disse, continuo a afirmá-lo.
Senão vejamos: que não viu já, quanto mais não seja pela televisão ou fotografias a cidade de Milão em Itália com o seu centro histórico e a sua famosíssima Catedral? Quem é que não ouviu já falar da belíssima cidade de Antuérpia e respectivo porto e fortalezas na Bélgica? E do belíssimo centro histórico de Zagreb na Croácia com a sua magnífica Catedral? E os centros de Gerona e Saragoça em Espanha? E da extraordinária cidade de Luzerna na Suíça e a sua famosa ponte coberta de madeira? E que dizer das cidades coloniais de Mérida e Valladolid no México?
Pois é, estas são algumas das cidades que conheço e que me vieram agora á memória, e que não são Património Mundial. Não acreditam, então vão verificar isso em http://whc.unesco.org/. Até parece mentira, mas é verdade. E aonde quero eu chegar com o que disse: jamais o Centro Histórico de Elvas poderia fazer parte dessa lista tão restrita e exigente (?).
Tal como disse anteriormente, já com as muralhas e fortes é diferente, pois continuo a reafirmar que são um conjunto inédito em todo o mundo. O problema é lá chegar.
Conheço algumas das pessoas ligadas ao dossier e não vou aqui discutir a sua competência. Mas como em tudo na vida é necessário ter amigos e padrinhos, e aí já tenho as minhas dúvidas. Se não houver empenhamento e vontade política do poder central, bem podem ficar sentados á espera da decisão, pois ela nunca irá chegar! É por isso que digo e continuarei a dizer que só com a união de todas as forças locais se poderá lá chegar, coisa em que tão pouco acredito, pois a clubite política o impede!
Como tal, continue a guerrilha! Assim vamos longe.
Jacinto César
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
Tem sido um tema bastante discutido nestes últimos tempos em Elvas e como tal na blogosfera elvense.
As questões que se têm levantado são fundamentalmente duas: a viabilidade e o plano de acção.
Falemos da viabilidade de Elvas (conjunto amuralhado e fortes) fazer parte dessa lista restrita que é a “World cultural and natural heritage”, mais conhecida por Sítios Património da Humanidade da UNESCO. Para se ter esse privilégio é necessário entre outros atributos que o sítio tenha um valor universal indiscutível, que seja um sítio autêntico e genuíno e de um grande valor histórico (estou somente a referir-me aos sítios ditos culturais). Vamos então analisar a situação de Elvas.
Por felicidade minha conheço umas largas dezenas de sítios Património Mundial (PM daqui para a frente) em muitos lugares do mundo o que é um privilégio. Esses sítios são na sua totalidade 660 (culturais) e distribuídos por 141 países. Se há muitos que não merecem a mínima discussão dado o seu valor, outros há que são muito discutíveis, a não ser que alguma das condições (que desconheço) para se fazer parte da referida lista seja o interesse político e estratégico. Mas continuemos.
Elvas e o seu centro histórico e sendo muito franco, nunca poderiam figurar em dita lista e isso porque do tipo de centro histórico de que se trata há dezenas, para não falar em centenas espalhados por essa Europa fora. Ora estava fora de questão, mesmo para aqueles que pensam que a culpa foi das alterações produzidas ao longo dos anos no tecido urbano. Quero eu dizer com isto que a primeira tentativa que se fez aqui há uns anos atrás estava morta à nascença. Quem tiver dúvidas acerca do assunto consulte as pessoas entendidas na matéria que há aqui em Elvas. Um caso típico de que essas alterações desde que feitas com razoabilidade é Berna na Suíça, onde no centro histórico convivem de uma forma harmoniosa o antigo e o moderno, e esta cidade é PM.
Se falarmos agora no conjunto amuralhado e respectivos fortes, aí a história é outra. Pelo que conheço pessoalmente e pelo que tenho lido, este conjunto é com certeza único no mundo e como tal um valor universal. É um conjunto autêntico e de grande valor histórico e num estado de conservação bom. Perante estas premissas, não nos podem restar dúvidas que não só merecem fazer parte da lista privilegiada como já deviam constar dela há muito tempo. Posso referir sítios de menor valor (falando de fortificações) como as fortificações de Havana em Cuba, as fortificações de Carcassonne em França, as fortificações de Buda em Budapeste na Hungria entre outras. E quanto a isto estamos conversados!
Falando agora dos processos de candidatura. Relativamente á primeira tentativa já fala-mos. Deu para o torto porque houve a ambição de candidatar o que não fazia sentido. Foi um erro de avaliação. Mas quanto a isso já nada se pode fazer.
Em relação à actual candidatura só tenho uma reserva: será útil ou não concorrermos sós ou acompanhados? Eu não sei, mas vamos ter esperança que tudo corra pelo melhor para todos nos podermos orgulhar da cidade em que vivemos.
Nota final – Esta nota destina-se a todos aqueles que estão a fazer força para que a coisa corra mal e depois tirarem dividendos políticos. Porra (como dizem os alentejanos), mas será possível que nem pelo bem comum se possam esquecer da merda da política? Mas que raio de elvenses somos nós? Mas que raio de pessoas somos para desejar mal à nossa terra. Por favor tenham juízo e guardem essas guerrilhas para coisas de somenos importância. Por favor portem-se como HOMENS já que as atitudes são de crianças. (desculpem o desabafo)
Para os outros que têm colocado comentários sobre o assunto noutros blogs elvenses, mais valiam estar calados porque assim só estão a mostrar a ignorância que carregam!
PS: O sítios património cultural e natural da humanidade foram criados em Genebra numa conferência patrocinada pala UMESCO em Novembro de 1973 depois de uma ideia surgida após a 1ª Guerra Mundial com a finalidade de se proteger aquilo que era importante para a humanidade e para a sua história. Fazem parte actualmente da lista da UNESCO 851 sítios, sendo que 660 são culturais, 166 naturais e 23 mistos distribuídos por 141 países.
Jacinto César