Energia Hídrica e Energia eólica
A energia hídrica é entre de entre as energias renováveis a que tem mais peso na balança energética Nacional, representa no entanto apenas 9,673% do total de energia consumida, pelo que fica bem demonstrada a inexequibilidade de a curto prazo, resolver o problema energético pela via do aumento do número de barragens, Quantas barragens seriam necessárias?... Daqui a quantos anos estariam prontas?... Quanta energia necessitaríamos nessa altura?...
A energia eólica representa 2,134% do total da energia consumida em Portugal, é certamente uma das energias mais limpas, pese embora a alegação de “poluição visual” de alguns ecologistas radicais, tem ainda no nosso pais um elevado potencial de crescimento, mas poderá vir a ser o suficiente para substituir a energia produzida a partir de combustíveis fósseis?...
Biomassa, Biogás e Resíduos Sólidos Urbanos
Representam no seu conjunto menos de 1 % do consumo energético nacional, não podem ser consideradas energias limpas, pois todas elas recorrem à queima com a consequente emissão CO 2 , no entanto, tal como o biodiesel produzido a partir dos óleos usados, são em si mesmas uma forma de reciclar e contribuem, ainda que modestamente para aliviar a pressão sobre os combustíveis fósseis, não deveremos, do ponto de vista estritamente energético, incrementar ao máximo o seu aproveitamento?... Não terão uma margem de crescimento significativa?...
Solares
Pertencendo ao sector das energias completamente limpas, têm uma expressão ainda insipiente, e grande potencial de crescimento, apenas limitado pela capacidade de produção dos equipamentos, e nalguns casos, pelo balanço financeiro ainda desfavorável, situação que poderá vir a alterar-se com o aumento da procura.
Neste sector, à duas situações nitidamente distintas: as solares térmicas e as fotovotaicas
Solares térmicas
Com custos de mercado já bastante aceitáveis, podem ser utilizadas com grandes vantagens, tanto no sector doméstico, para a produção de águas quentes sanitárias e aquecimento central, com consequente redução de consumos, directos ou indirectos de combustíveis fósseis, como no sector industrial onde poderão ser utilizadas com grande eficiência para produção de energia eléctrica pelo sistema de co-geração em centrais de ciclo combinado. Não será altura de dar o estado dar o “empurrãozinho” que falta, com aliás está a acontecer com outros países, e incentivar decisivamente o crescimento da sua utilização?...
Solares fotovoltaicas
Os custos elevados de instalação e alguma dificuldade de ordem burocrático-legal, têm impedido o crescimento deste tipo de energia no nosso pais, onde existem vastas regiões com condições óptimas para o seu funcionamento, devido ao elevado número de horas de sol, podem ser utilizadas desde o sector doméstico, como produtor consumidor, como em grandes unidades exclusivamente dedicadas à produção e venda à distribuidora. Não são certamente a solução milagrosa, no entanto, podem constituir-se em contributo importante. Não podemos actuar pelo lado dos custos de instalação, que no entanto irão certamente reduzi-se a médio prazo com a vulgarização, como acontece aliás com qualquer tecnologia, mas não seria vantajoso suprimir os bloqueis legais, agilizar da burocracia, sistematizar o processo de licenciamento por forma a que uma candidatura elaborada dentro dos quesitos definidos na lei, tivesse aprovação em tempo oportuno?...
A energia nuclear
Sei que é por alguns encarada como a panaceia, capaz de resolver todas as crises, a fonte de energia inesgotável, capaz de rapidamente assegurar a independência energética e até dizem que “limpa”. Bom os meus conhecimentos ao nível do nuclear não me permitem defender ou atacar a referida tecnologia, no entanto permito-me colocar algumas perguntas:
Estamos dispostos a correr o risco de fuga radiactiva coma a verificada recentemente numa central no Japão, na sequência de um abalo telúrico?... Não estaremos a esquecer que o nosso país tem um historial sísmico?... E os resíduos do combustível nuclear, que fazemos com eles?...
Outras soluções
São frequentemente abordadas outras soluções como é o caso da pilha de hidrogénio, da energia das marés e outra, que se enquadram no que referi na 1ª parte como estando num estado de desenvolvimento que, por enquanto, não permite a sua utilização em larga escala, pelo que neste momento não podem ser consideradas quer com uma alternativa quer como um contribuo às fontes tradicionais
Em jeito de conclusão
Penso que todos reconhecemos que temos um problema para resolver, e que o contributo de todos não será demais, quer do lado da redução dos consumos que está seguramente ao nosso alcance, quer do lado da procura e porque não implementação de soluções de produção?...
Não considero possível qualquer das alternativas aqui afloradas possa por si só ser a solução, mas penso que a implementação conjunta de muitas delas, conseguirá atenuá-lo no médio prazo, e talvez resolvê-lo a longo prazo.
É portanto do meu ponto de vista necessário encarar todas as alternativas, sem preconceitos nem demagogia e potenciar cada opção que possa contribuir, quer para aliviar a pressão sobre os combustíveis fósseis, ainda que não mantendo as emissões de CO 2 (algo que penso ser imprescindível no curto prazo, para reduzir a pressão sobre os combustíveis fósseis) mas sempre que possível com base na reciclagem e tendo em atenção o balanço energético final em energia primária, não “alinhando” em soluções miraculosas, cujo custo seja maior que o benefício quer a curto quer a médio quer a longo prazo, e sirvam para “tapar o sol com a peneira”, quer para diminuir o consumo energético, quer ainda e principalmente para a produção de energia por processos inteiramente limpos, que devem ser explorados ao máximo das suas capacidades por forma a minimizar a energia proveniente da queima, e as consequentes emissões de CO 2 .
Torna-se também necessário promover e apoiar a investigação nesta área, por forma a que algumas das soluções, hoje ainda insipientes, se possam vir a tornar soluções viáveis e outra possam surgir contribuindo para a solução
Nota: Os dados aqui apresentado relativos ao peso das diferentes energias no nosso pais, fora retirados da Caracterização Energética Nacional para o biénio 2005/2006 do Ministério da Indústria e Inovação
António Venâncio
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