Aqui há um bom par de anos, era eu mais dois colegas e amigos noticiaristas (redigíamos as notícias do dia para o locutor de serviço ler no espaço informativo) do antigo Emissor Regional de Elvas da Emissora Nacional. Calhou naquele dia estar eu de serviço quando entra alguém desconhecido nas instalações (ficavam situadas no edifício da Câmara com entrada pela Rua do Sineiro). Abordado por alguém que não recordo, o referido individuo disse que vinha em nome da população de Portalegre levar todo o material do emissor, porque sendo a referida cidade a capital do distrito é que tinha o direito de ter o Emissor Regional da E.N..
Isto até parece anedota, mas há pessoas aqui em Elvas que o podem testemunhar. Claro está que não levou nada, ou antes, ia levando sim mas outra coisa!
Vem isto a propósito da “nossa querida” capital de distrito e o quanto nos tem ajudado.
Já repararam que aqui na nossa cidade passamos o tempo a dizer mal uns dos outros e nada dizemos sobre os atropelos que temos sofrido por parte de Portalegre? É a oposição que diz mal do poder por dá cá aquela palha, é o poder a tentar silenciar a oposição, e o povo a aplaudir segundo as cores, ora uns, ora outros. E assim nos divertimos muito, com Portalegre sempre a rir em último.
Atentemos o seguinte:
1- Quantos governadores civis do distrito foram ou são Elvenses? Nenhum! E nós calados.
2- Quantos cabeças de lista por qualquer dos partidos foram ou são de Elvas? Nenhuns! E nós calados.
3- Quantos directores regionais ou distritais de qualquer serviço do Estado foram ou são de Elvas? Nenhum que me lembre! E nós calados.
4- E sindicalistas? E associações desportivas (com excepção da Associação de Futebol no tempo em que o Elvas militava na 1ª divisão)? E … ? E …?
É um nunca mais acabar e nós continuamos a divertirmo-nos a brincar à política e aos políticos. Muito nos divertimos nós.
Mas continuemos:
1- Criou-se o Instituto Politécnico de Portalegre. Criaram escolas e mais escolas em Portalegre e quando já estavam fartos mandaram-nos para cá a ESA. Valha-nos que esta tem tido algum êxito, mas o melhor é não falar alto ou levam-na também e mandam para cá uma escola superior de circo ou de folclore.
2- Vinha com destino ao distrito a Escola Superior de Turismo. Todos nós aqui em Elvas pensámos que viria para cá, já que era a localidade do distrito que tinha maior número de visitantes, o maior número de camas em hotelaria, o maior número de restaurantes, o maior número de monumentos nacionais, etc. Pois não, assentou arraiais em Portalegre e nós continuamos alegres e bem-dispostos.
3- O Regimento de Infantaria de Elvas, teve em tempos uma unidade militar em Portalegre dependente do primeiro. Claro está que parecia muito mal aparecer na parede frontal do edifício Regimento de Infantaria de Elvas – Destacamento. Era inadmissível tal coisa. Pois bem, foi transformado o referido destacamento em Regimento (ou Batalhão, já não me recordo bem) de Infantaria de Portalegre. O nosso fechou. O deles também. Mas enquanto o nosso se vai transformar em Museu Militar, com uma guarnição de meia dúzia de militares, o deles foi transformado na Escola da Guarda Nacional Republicana, com um corpo de instrutores do quadro grande e um número de instruendos maior ainda. E nós? Continuamos a divertirmo-nos.
4- E que dizer da Maternidade e de outras valências hospitalares? Qualquer dia, qual Luís de Matos, transformam-nos o Hospital em Centro de Saúde.
Bem podia passar aqui o resto do dia a enumerar casos e mais casos de atropelos, mas nós nunca protestamos. Somos mansos, dóceis e sempre muito divertidos.
O poder e a oposição deviam ter vergonha do que fazem, pois parece-me que estão a fazer o jogo do inimigo, ou seja, dividir para reinar.
Caros políticos, não poderiam ao menos fazer umas tréguas até 2009 e lutarem todos juntos pela nossa cidade? Depois já poderiam continuar a divertirem-se.
Nota - Já ouvi por aí que a linha de alta velocidade de mercadorias vai passar por Portalegre e não por Elvas. Os lobby de Portalegre já estão em marcha!
Jacinto César
Caros amigos opositores ao actual regime camarário
Antes de mais gostaria aqui e agora de confessar a minha preferência política: desde os tempos imediatamente posteriores ao 25A e da minha segunda passagem por Coimbra, talvez por reacção ao chamado gonçalvismo ou por influências de amigos, os meus olhos sempre estiveram virados para a direita e mais concretamente para o antigo CDS onde fiz muitos amigos. Se foi uma opção boa ou má não sei, mas foi a que tomei face aos acontecimentos da altura e à qual me mantive fiel até hoje com a excepção de dois momentos, dos quais já falarei.
Estou-vos a escrever porque sinceramente de há um par de anos para cá se existem, eu não os vejo, e não só eu como muita gente!
É voz corrente que o “terrorismo” só se combate com o “terrorismo”! Nada mais errado. O “terrorismo” combate-se com inteligência. E que faz a oposição em Elvas? Usa os mesmos métodos dos que estão no poder: a violência verbal, a guerrilha constante, o boato, a maledicência, a calúnia, os ataques pessoais, etc.. Ao fim e ao cabo passa-se aqui o que se passa a nível nacional.
Nunca fui político nem tão pouco tenho jeito para tal, no entanto como cidadão posso-me dar ao luxo de analisar os acontecimentos e poder coment á los! É um direito que me assiste.
Recuemos no tempo.
1- Eleições em que o candidato da oposição foi o meu AMIGO José Kusky . Este meu amigo é do tipo de pessoa boa por natureza. Penso ser daquele tipo de pessoas em que é difícil encontrar-lhe um defeito. Amigo do seu amigo e amigo de todos. Ás vezes amigo até de quem não devia ser. Mas enfim, ele é assim e nada há a fazer. Quando foi escolhido para tal tarefa bastantes vezes conversei com ele sobre o assunto e sempre lhe disse o mesmo: tu está s a ser empurrado para uma luta que ninguém quer travar e quem vai sair magoado vais ser tu. Na minha opinião foi autenticamente atirado às feras e o desastre foi total. Ele sabe que estou a dizer a verdade. Para que conste, continuamos amigos.
2- Eleições em que o candidato da oposição foi o meu AMIGO José Carlos Fonseca. Tudo o que referi atrás em relação ao José Kusky se aplica ao José Carlos. Operações políticas tiradas a papel químico. O desastre foi novamente total. Para que conste continuamos amigos.
E porque é que aconteceram estes desastre? Pelos mesmos motivos que se irão repetir nas próximas eleições! Seja o candidato A ou B a estratégia ir á ser a mesma ou seja a do bota abaixo. Assim não!
Mas será que os aparelhos políticos pensam que o “povo” é tonto? Mas será que os ditos senhores não andam de olhos abertos e vêm o que se passa? Não senhor, bota abaixo! E depois aí vem o fado da desgraçadinha novamente cantado por outras vozes e noutro tom, mas pertencentes à mesma “companhia”.
Falemos claro e sem medos.
Mas será que o actual presidente só tem feito asneiras? Pela conversa da oposição sim, mas aos olhos dos cidadãos não!
Mas será que o actual presidente quer tão mal à sua terra que não a queira ajudar da melhor maneira que sabe e que pode? Para a oposição sim, mas para os cidadãos não!
Tem feito obras polémicas? Sim senhor, mas como é que se podem comparar gostos e opções? Salvo as devidas proporções todos devem conhecer a polémica construção do Templo da Sagrada Família em Barcelona. Pois é, na altura foi um escândalo. Hoje toda a gente a admira. E o Centro Cultural de Belém? Lembram-se como foi? Poderia citar mil exemplos. Todos dizem mal de tudo mas não dizem como se poderia fazer melhor.
Com toda esta minha conversa haverá por aí muita cabecinha a pensar que eu sou mais um dos vendidos ao poder. Nada mais errado. Haja alguém que me aponte algo nesse sentido. Agora que tenho que dizer bem do que para mim foi bem feito é de toda a justiça que o faça. Que se tê feito coisas erradas, para mim, também é uma verdade, mas essas guardo-as para outro destinatário.
E por falar em vendidos, as oposições não deveriam falar tanto pois têm telhados de vidro e os efeitos de algumas “trovoadas” estão bem à vista de todos. E quanto a isto é melhor não falarmos mais.
Disse ao princípio que fui infiel duas vezes ao partido da minha simpatia. Pois bem, foram precisamente nestas duas eleições. Mas que escolha tinha eu? Eram as listas e os programas de acção alternativas credíveis? Não! E o que eu pensei, pensaram milhares de pessoas. Não nos restava mais nenhuma opção senão votar no actual presidente. Sinto-me mal por isso? Não! Estou arrependido? Não! Voltaria a fazer o mesmo? Sim! E nas próximas como vai ser? Bem, se as coisas se mantiverem como até aqui que poderemos nós fazer? Entregar a Câmara a um grupo que faria o mesmo ou pior em acções negativas? Haja o bom senso de escolher as pessoas certas para os lugares certos, honestas e com coragem de fazer "sangue" onde tiver que ser feito e doa a quem doer. Haja o com senso de se fazer um programa credível, objectivo e calendarizado para que todos saibamos para onde vamos. Haja o bom senso de evitar aqueles chavões políticos subjectivos que dão para fazer tudo ou tudo deixar na mesma. Haja o bom senso de escolher pessoas competentes independentemente da sua filiação ou cor partidária. Haja o bom senso de manter as pessoas que são competentes, porque estas serão sempre leais para o seu trabalho independentemente do "patrão" para quem trabalham. E finalmente a promessa solene e pública que jamais haverá lugares para os amigos, para os familiares, etc. Nestas condições têm o meu voto garantido e possivelmente o de muita gente.
Caros amigos a candidatos á alternativa: mudem de estratégia senão desta vez são cilindrados.
Antes de escrever estas linhas já tinha escrito pessoalmente ao Tiago Abreu que teve a amabilidade de me responder e dar razão nalguns dos reparos que lhe fiz e que repeti aqui hoje. Falei também sobre o assunto pessoalmente com o actual dirigente do PSD, de quem sou amigo também.
Como o povo diz, quem me avisa meu amigo é!
Jacinto César