Um comentário a um dos textos anteriores, levantava uma questão que merece uma análise cuidada.
Dizia o comentador “O certo é que os profs têm contribuído para a popularidade do 1º Ministro com o modo como se têm manifestado…” e um pouco mais adiante”… o povo português não é parvo, colocou-se do lado do governo, que com a ajuda dos profs , nos vai governar + 4 anos com maioria absoluta…” e ainda “…não contam com a opinião publica favorável”.
Em primeiro lugar quero deixar bem claro que discordo da afirmação globalmente, e que, precisamente porque o povo português não é parvo, não creio que venha a verificar-se a anunciada maioria absoluta.
Certo é que este Governo tem sido exímio em usar a “inveja” e a “má língua”, para atacar uma a uma as várias classes profissionais à excepção, é claro, dos banqueiros e grandes empresários, senão vejamos:
Primeiro atacou os Juízes na praça pública com a questão das férias judiciais, para alterar o estatuto da Magistratura a seu belo prazer, e todo o povo bateu palmas porque os Juízes estavam a perder os seus privilégios. Depois atacou a função pública em geral congelando as progressões e alterando as condições de reforma que estavam contratualizadas e o povo bateu palmas porque a função pública perdeu os seus privilégios. Depois atacou os agricultores retirando subsídios às agro-ambientais, que já estavam acordados e que já tinham dado origem a investimentos, e o povo português bateu palmas porque os agricultores perderam os seus privilégios. De seguida fechou escolas com menos de dez alunos situadas a menos de 20 quilómetros de outras escolas, obrigando crianças com 6 anos a sair de casa de madrugada e regressar já de noite, e o povo português bateu palmas porque afinal, não de justifica pagar um salário de professor e manter uma escola aberta por tão poucas crianças. Seguiu-se a mobilidade especial, que atingiu principalmente os funcionários do Ministério da Agricultura, e que, segundo foi informado hoje 7 de Dezembro de 2008 poupou ao estado 10 000 000€(dez milhões de euros) em dois ano, digamos que uma quantia tão relevante como 0,50€(cinquenta cêntimos) por ano por cada português, e o povo português bateu palmas porque se reduziam os “parasitas” da função pública. Eu por mim, dispensava os meus 0,50€ (que aliás não vi) de boa vontade, para que esse funcionários não tivessem que, ao meio da sua vida, ver-se perante a angustiante situação de ter o seu futuro arruinado, mas cada um que fale por si. Claro que não ficamos por aqui, fechou sucessivamente centros de saúde e maternidades por todo o país com o argumento da melhoria da qualidade dos serviços de saúde, e dada a ineficiência dos serviços de emergência, aumentaram os nascimentos ambulâncias, e infelizmente também as morte por demora na assistência, mas o povo das regiões não afectadas, bate palmas porque manter aqueles serviços a funcionar era um desperdício desnecessário. Ataca os professores com argumentos falaciosos e populistas, para de seguida implementar um estatuto e um sistema de avaliação impar em toda a Europa, e inspirado, para não dizer cópia directa, do existente nesse país ultra desenvolvido e com índices de instrução que fazem inveja a todo o mundo que é o Chile, e mais uma vez o povo bate palmas porque desta vez é que vão meter na ordem esses privilegiados dos professores. Aprova um novo código de trabalho que é em tudo mais penalizador para os trabalhadores que o anterior, que tanto tinham contestado quando foi apresentado por Bagão Féliz e desta vez são os empresários que batem palmas porque o referido código os vai permitir explorar um pouco mais os trabalhadores. Os pequenos empresários, devido à quedada do poder de compra originado pelas medidas atrás citada, vivem com grandes dificuldades, e o povo bate palmas por um lado, porque afinal eles estavam a “encher-se” os grandes empresários batem palmas por outro, pois por cada pequeno empresário que fecha portas, são lançados no mercado meia dúzia de desempregados que serão mão de obra barata e disponível para contratos precários de curta duração. Recentemente, um estatuto do aluno iníquo, que coloca em pé de igualdade (e não venham com o subterfúgio da má interpretação da lei, porque faltas de qualquer tipo significa de “qualquer” tipo diga-se o que se disser) o aluno que não vai às aulas porque não quer, porque vai vadiar para o café da esquina, com o que falta por doença, e o povo volta a bater palmas porque afinal esses estudantes não querem é fazer nada.
Com mais tempo, e uma investigação um pouco mais exaustiva, haveria certamente mais exemplos que se pudessem aqui citar, de classes profissionais, ou grupos de compatriotas nossos que perderam os seu “privilégios”.
Procuremos agora os nossos compatriotas que beneficiaram com estas políticas, é que, que eu saiba, a missão atribuída a um qualquer governo é MELHORAR AS CONDIÇÕES DE VIDA DOS SEUS CIDADÃOS e, eu pelo menos, aceitaria de bom grado alguns sacrifícios se visse que eles serviam para o bem comum, mas , por muito que procure, apenas encontro uma reposta:
- Pôr a mão por baixo de meia dúzia de banqueiros ricos e de algumas multinacionais do sector automóvel. Para a economia real, para o cidadão comum apenas a falácia da descida da taxa de juros que, por um lado não é uma medida de ninguém, apenas uma consequência da crise, por outro só vai beneficiar aqueles que pelo menos tinham condições para se endividar. Para os outros, os realmente desfavorecidos nada.
Pela negativa todos temos muitas razões para votar PS se a nossa perspectiva for o que o Governo retirou aos outros, agora pela positiva pensem um pouco e digam-me em que melhorou este governo a vida de alguém, e se o balanço for positivo, então força
VOTEM PS,
Vamos a outra maioria absoluta.
António Venâncio