Elvas sempre em primeiro

Todos os comentários que cheguem sem IP não serão publicados.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Novamente os Incêndios Florestais

Foi sem surpresa que vi hoje uma notícia da agência Lusa segundo a qual, o Ministro da Administração Interna teria declarado que aumento da área ardida verificado nos primeiros cinco meses deste anos, que de acordo com os dados Autoridade Florestal Nacional (AFN) “quase quadruplicou”, se deveu às condições climatéricas terem sido piores que em anos anteriores.

Já por duas vezes tinha abordado este tema, em Agosto de 2007 no texto “Incompetência ou demagogia despudorada?...” e mais recentemente, em Abril do corrente ano no texto “Incêndios Florestais”. Em ambos os textos defendi a influência da climatologia na eclosão e no combate aos incêndios florestais. Pena é que, por parte dos membros governo, se insista em utilizar demagogicamente as incidências dessa climatologia para, como em Agosto de 2007, atribuir ao Plano de Intervenção na Prevenção e Combate a Incêndios, e portanto aos méritos do Governo, uma diminuição incidental de ária ardida apenas porque era politicamente favorável, e agora vir atribuir à climatologia, um aumento significativo, embora também incidental da área ardida nos primeiros meses de 2009, dois pontos de vista diferentes conforme a conveniência.

É certo que as condições meteorológicas foram este ano desfavoráveis, como é certo que foram favoráveis em 2007, e feitas as contas, e o balanço final, continuamos numa situação em que, quando as condições são favoráveis tudo corre bem em termos de incêndios, quando são desfavoráveis tudo continua a correr mal.

Torna-se pois necessário, como aliás já aqui defendi, repensar toda a política com incidência nesta área.

No texto “Incêndios Florestais” deixei um pequeno contributo, com algumas variáveis que, em minha opinião, influenciam esta problemática e necessitam estudo e alteração das políticas.

Alguns aspectos ficaram por referir para não tornar o texto demasiado extenso,

a política de reflorestação, a política de construção e política de sancionamento dos incendiários.

Quanto á política de reflorestação, é importante definir as espécies a introduzir, privilegiando as variedades autóctones, prevendo corta fogos, e intercalando entre as grandes extensões de variedades de combustão rápida outras de combustão mais lenta, para, em caso de incêndio criar zonas de retardamento da progressão das chamas. Este processo deve ser apoiado por descriminação positiva para as espécies autóctones, evitando deste modo a sua substituição por árvores de crescimento rápido, como o eucalipto, muito rentáveis para a indústria do papel mas também com uma elevada velocidade de combustão. Claro que esta política, só será efectiva, se conjuntamente se implementarem políticas de valorização da biomassa que tornem rentáveis outros tipos de florestação, e contribuam para a manutenção de uma floresta limpa e de uma inversão das políticas de desertificação que vêm sendo seguidas e que contribuem para o abandono da floresta.

Quanto à política de construção apenas uma alteração seria necessária, proibir a construção, durante um período mínimo de 20 anos, de toda e qualquer construção em áreas ardidas, com apenas duas excepções, as construções já aprovadas, ou em fase de aprovação e que tivessem condições de ser aprovadas  quando da deflagração do incêndio, e as reconstruções por motivos óbvios. A incidência desta alteração na “eclosão” de alguns incêndios, é óbvia e dispensa comentários.

Finalmente torna-se necessária uma penalização dura e efectiva dos incendiários, que seja claramente desmotivadora da prática deste tipo de crimes que está por trás de uma parte significativa das eclosões.

 

 

 

 

 

 

António Venâncio

 


Tasca das amoreiras às 18:14
Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | favorito
Domingo, 26 de Agosto de 2007

Incompetência ou demagogia despudorada?...

Segundo notícia da agência Lusa de 25 de Agosto de 2007 o Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Nobre Gonçalves declarou na Fatacil "O balanço é muito positivo e o facto de, durante este século, este ser o ano com menos área ardida no país é um bom sinal de que as coisas estão no bom caminho".

Em primeiro lugar, e dado que apenas vamos no sétimo ano do século, é no mínimo uma forma “um pouco!..” empolada de dizer que é o ano com menor área ardida dos últimos sete. Mas vamos ao mais importante da afirmação “é um bom sinal de que as coisas vão no bom caminho”, será?..

Desconhece o senhor Secretário de Estado a influência das condições climatéricas na eclosão dos incêndios e na maior ou menor facilidade do seu combate?

Ou será que não se apercebeu que este Verão tem tido, até ao momento, uma meteorologia muito favorável no tocante à prevenção de incêndios e ao seu combate (o tão famoso mau tempo para ir para a praia)?

Todos nós nos congratulamos com a diminuição da área ardida (excepto por ventura uma meia dúzia de pirómanos e aqueles que por interesses inconfessáveis desejavam ver arder “uma certa área”), no entanto temos que agradecer essa diminuição ao facto de os meses de Julho e Agosto terem bastante frescos e até chuvosos, e não podemos concluir que estamos no bom ou no mau caminho, a não ser que essa condições se tivessem devido a uma qualquer capacidade de intervenção nas condições meteorológicas que, por enquanto, não vi anunciada em lado nenhum.

Não sei se o novo plano de intervenção na prevenção e combate a incêndios é ou não eficaz, sei isso sim que não foi felizmente possível testá-lo em situação semelhante à de anos anteriores. Parece-me pois que a conclusão tirada pelo senhor Secretário de Estado, ou revela o mais profundo desconhecimento da realidade de um sector que tutela, o que seria grave atendendo ao ênfase posto no mérito e na competência em todo o discurso deste governo, ou se trata de uma tentativa de iludir os eleitores dos meios urbanos (aqueles que afinal decidem as eleições), que nunca estiveram próximos de um incêndio rural e desconhecem as condições particulares para a sua eclosão, progressão no terreno e facilidade o dificuldade de extinção, através de uma manobra da demagogia mais despudorada, em que pretende creditar a favor do Governo e do seu Ministério algo que se fica a dever maioritariamente a causas naturais.

No entanto, espero sinceramente que o novo plano de intervenção na prevenção e combate a incêndios seja mesmo eficaz, e que, quando vier um Verão com condições meteorológicas normais, se venha a revelar capaz, pela prevenção, de evitar ao máximo a eclosão de novos incêndios, e quando tal não for possível, o combate se revele célere e coordenado, reduzindo ao mínimo a ária ardida e os danos materiais e ambientais.

Se tal se vier a verificar, aqui estarei para, neste mesmo espaço, cumprimentar o Senhor Secretário de Estado e a sua equipa pelos resultados obtidos.

 

António Venâncio

Tasca das amoreiras às 17:14
Link do post | Comentar | favorito

Últimos copos

Novamente os Incêndios Fl...

Incompetência ou demagogi...

Adega

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Agosto 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


A procurar na adega

 

Blogs de Elvas

Tags

todas as tags

últ. comentários

Nest baluarte existio uma oficina de artesanato on...
JacintoSó agora tive oportunidade de lhe vir dizer...
VERGONHA? MAS ESSAS DUAS ALMAS PERDIDAS RONDÃO E E...
Uma cartita. Uma cartinha. Uma carta.Assim anda en...
Os piores lambe-botas são os partidos de Esquerda ...
O mundo está para os corruptos e caloteiros. Uma a...
O mundo é dos caloteiros . Uma autentica vergonha.
"Não se pode aceitar que um professor dê 20 erros ...
penso k será pior dizer k ñ tem pais!ou k ñ sabe k...

mais comentados

subscrever feeds

SAPO Blogs