Na passada Sexta-feira, e no contexto de mais uma greve da Função Pública, veio o governo, novamente demonstrar a sua “capacidade de cálculo”, e a “fidedignidade” e “correcção”, dos números que apresenta, relativamente a quaisquer outros números que posam ser aplicados.
Enquanto ás oito da noite, a quatro horas antes do final da greve, os sindicatos (imagine-se a incompetência), anunciavam números de adesão entre os setenta e os oitenta por cento, uma margem de dez por cento, algo como setenta mil pessoas, o governo, recorrendo aos resultados do “choque tecnológico”, à grande “capacidade de organização” que lhe é reconhecida e ao rigor na apresentação de números que já aqui referi em post anterior, fez “carregar” os números referentes à adesão nos vários sectores no “sistema”, e apresentou à mesma hora uma taxa de adesão de “vinte um virgula oito por cento, mais propriamente vinte um virgula oitenta e um por cento”( João Figueiredo, Secretário de Estado da Administração Pública, Telejornal da RTP1, 30/11/2007)!...
Repare-se na precisão, um erro inferior a setenta pessoas, isto quatro horas antes do final da greve!...
Apenas três pormenores me levantam algumas dúvidas:
- Nos serviços que encerraram, quem fez o “carregamento” dos dados?...Algum dos trabalhadores em greve no cumprimento de “serviços mínimos” de última hora?...
- Que dados foram realmente “carregados”, o número de trabalhadores em greve, ou os números (de BI) dos trabalhadores em greve?...
- Finalmente como podaram pouco mais de cento cinquenta mil e seiscentos trabalhadores de uma administração composta por setecentos mil, aproximadamente um em cada cinco, conseguiram fechar tantos serviços, paralisar tantos outros e provocar dificuldades de funcionamento em muitos mais, tudo isto numa administração que, segundo o governo, tem tantos funcionários a mais?...
Certamente que o Governo terá explicação “clara” e “concisa” para estas questões
António Venâncio