O Fado
O fado é sem sombra de dúvida a canção nacional. A sua origem vem do latim fatum, ou seja, "destino". Não é só uma música como um estado de espírito, mas disso falaremos mais à frente. Ele há-o dos mais diversos tipos e para as mais diversas ocasiões: ele é o fado castiço, o fado trágico, o fado falado, o fado gingão e até há o fado canção. Diga-se aqui que eu nunca o apreciei.
Mas não é deste tipo de fado que queria escrever: este fado é outro fado!
É vulgar ouvir-se a expressão “ .. ah fado daquele cabrão …” quando a vida não nos corre bem, como vulgar é “… carregar este fado …” quando o fardo da vida é grande ou ainda “ … olha o fado daquela desgraçada… “ quando temos pena de alguém. Pois é, a vida é um grande fado e este está a condizer com a vida do português desde que o ouro do Brasil se esgotou e mais recentemente se esgotou também “a pesada herança do fascismo”.
Eu não sei bem, mas parece-me que o fado é qualquer coisa de origem genética! Se procurarem bem, ainda um dia se encontra no ADN dos portugueses um gene fadista.
Passamos a vida a chorar, a lamentarmo-nos por tudo e por nada, a dizer mal de tudo e de todos, etc, etc..
Ouçamos um pouco os que os portugueses dizem: “são todos uma cambada de vadios e eu que me farto de trabalhar(?) não passo da cepa torta”, “ porca de vida, levo o dia inteiro a trabalhar(?) e aqueles gajos que não fazem a ponta de um corno a passearem-se de Mercedes” ou então “ eu não sei onde é que aqueles tipos arranjam dinheiro para se engrossarem todos os dias quando para mim nem dá para um copito”. Se for a nível mais elevado as coisas também são assim: “ então não é que o sacana do Belmiro já comprou mais uma companhia de supermercados e eu que me farto de trabalhar ainda não consegui adquirir mais que 5% do banco….”
Pois é, tudo isto é o FADO!
E para arranjar um tacho ou um favor de alguém, lá estamos nós a cantar o fado da desgraçadinha.
Eu cá por mim, temos que passar a outro tipo de música. Se o fado às vezes resulta, por vezes uma cantiguinha melodiosa cantada ao ouvido poderá ter melhores resultados (apesar do uso deste tipo de música nos poder custar o “corpinho”. Pode resultar um rap do tipo Eminem ou então qualquer coisa mais musculada do tipo gótico assim à moda dos Rammsteincom uns encontrões e tudo. Em último recurso sempre podemos recorrer a uma música portuguesíssima do tipo Jaimão. Neste último caso, as coisas podem-se complicar e acabar tudo à pancada (não vale a pena chamarem-me porque já estou velho para estas danças).
Para terminar, temos um grande fado: Portugal.
PS. Eu cá por mim o fado que ainda suporto melhor é aquele que diz “ oh tempo volta p’ra trás e traz-me tudo aquilo que perdi …. Lembram-se?
Jacinto César