Suponha o caro leitor que trabalha numa empresa, cujo Empresário, em determinado momento, considera que para melhorar o serviço que presta, necessita de equipar os seus funcionários com uma nova ferramenta, ferramenta essa que, para funcionar em pleno, tem um consumo mensal de 22 €. Então o referido Empresário anuncia um plano que, segundo ele, irá equipar a empresa com essa ferramenta.
Vejamos o plano de pasmar:
- Cada Funcionário irá adquirir a ferramenta com a qual vai trabalhar a preço reduzido.
- O mesmo funcionário pagará o consumo da referida ferramenta, contribuindo o Empresário com 4,5 € nos primeiros trinta e seis meses.
- Cabe ao funcionário, guardar a ferramenta na sua residência e transportá-la para seu local de trabalho sempre que necessite de utilizar.
- Ao final dos trinta e seis meses atrás referidos o funcionário passará a pagar integralmente os 22 € ou perderá algumas das funcionalidades da ferramenta.
Que diria o leitor a uma proposta destas?...
Estaria disposto a pagar para que a empresa onde trabalha disponha do equipamento necessário?
Pois esta proposta coincide com a que está a ser feita aos professores pelo Ministério da Educação.
Perante a opinião pública, devido ao espectáculo mediático em curso, no qual vemos sucessivamente repetido o “número do computador”, os professores ainda irão ficar mais uma vez com a imagem dos “privilegiados” a quem o Ministério deu computadores.
Para quem conheça o funcionamento das escolas, esta situação não é nova, pois desde sempre o professor adquiriu, o lápis, a caneta, o papel, os livros com que se actualiza (os outros, os manuais escolares, têm vindo a ser fornecidos pelas editoras), e na maioria doas casos, utiliza de há muito o seu computador privado e a sua impressora para produzir trabalhos para a Escola, no entanto neste momento, parece terem-se excedido todos os limites. Pedir ao professor que pague, ainda que parcialmente, o computador com que vai trabalhar e a Internet para consulta, é abuso!...
Por mim respondo assim
(Rafael Bordalo Pinheiro)
António Venâncio
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