Esta situação de abaixamento do preço do petróleo deve-se apenas a uma descida temporária da procura, verificada devido à crise económica, e à colocação no mercado, pelos especuladores, de elevadas quantidades que mantinham em reservas, na expectativa de realizar mais valias significativas aproveitando a subida galopante que se vinha verificando, e que agora se vêem forçados a vender por questões de liquidez.
A crise energética está aí e será uma realidade que acompanhará, e por ventura dificultará, a retoma económica, logo que o crescimento volte a exercer pressão sobre a procura. Daí a necessidade de tomar medidas atempadas no sentido de minorar os seus efeitos.
Cabe a todos nós, dentro das nossas possibilidades, contribuir para a resolução deste problema.
Nesta perspectiva, seria importante que as entidades públicas assumissem a sua quota-parte desta responsabilidade, e se constituíssem como exemplo, tornando-se vanguarda neste campo.
Tendo por base estes pressupostos, vamos analisar alguns edifícios púbicos do nosso concelho, e tentar perceber onde seria possível melhorar o desempenho energético, nomeadamente pela substituição, total ou parcial, da energia consumida por energias renováveis, com evidentes benefícios ambientais, energéticos e económicos, e dando um exemplo que servisse de estimulo ao aproveitamento de uma das riquezas que temos disponíveis e sub aproveitadas.
É certo que, nos edifícios situados no centro histórico, pouco ou nada podemos fazer a não ser utilizar os equipamentos de iluminação e aquecimento/arrefecimento o mais eficientes possível, pois a colocação de equipamentos de produção de energia solar, termica ou fotovoltaica, ou eólica seria incompatível com as aspirações da cidade em termos de património e de turismo que devemos manter intactas, no entanto nos edifícios fora do centro histórico muito há que pode ser feito.
Por hoje abordaremos o pavilhão gimnodesportivo que, curiosamente, não sendo das instalações mais recentes do concelho, está dotado de um conjunto de colectores solares térmicos para produção de água quente. Desconheço se os mesmos estão ou não a ser utilizados, mas o seu estado de conservação indicia, ou estão em desuso, ou a sua eficiência é seguramente muito baixa. Dada a orientação extremamente favorável, (praticamente virada a sul) e o facto de a nossa região ser uma das mais favoráveis do país em número de horas de sol, a área de painéis aí instalada, poderia produzir anualmente entre 7363 e 7855 Kw/h/ano dependendo da tecnologia utilizada, o que reduziria a factura energética do espaço. Penso pois que seria de considerar a reactivação do sistema, após estudo do perfil de consumo, de modo a escolher a tecnologia mais adequada, a área de colecctores e o volume de armazenamento a instalar para assegurar a maior taxa de cobertura possível.
Voltaremos ao assunto brevemente, abordando a situação de outros espaços concretos, e a possibilidade de neles implementar soluções de energia renovável
António Venâncio
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