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Terça-feira, 16 de Julho de 2013

A Educação no país que temos

 

 

 

Já há muito tempo que não tocava no tema da Educação, mas perante os resultados que têm sido publicados nos órgãos de comunicação social, não posso consigo ficar indiferente ao problema, mesmo tendo deixado de estar no activo,

Por aquilo que vi, foram batidos os recordes negativos em várias disciplinas, com especial incidência no Português e na Matemática.

Pobre país este, que já não bastando a crise ainda batemos recordes destes.

Mas o que é que é necessário fazer para acordar toda a gente para este problema gravíssimo da nossa sociedade? Será que estamos a embrutecer com o passar dos anos? Que é feito da rapaziada que não quer estudar nem à lei do cacete? Que é feito dos pais que se estão nas tintas para se os filhos estudam ou não? Que é feito das autoridades competentes que não dão força nem às escolas nem aos professores?

A sociedade está a ficar um caos neste sector e não há ninguém a dizer BASTA!

A minha opinião é que os principais culpados da situação, goste-se ou não, são os pais das criancinhas. E porquê? Vamos então identificar alguns dos problemas que se colocam:

1 – As famílias nos tempos que correm estão cada vez mais com problemas, muitas delas profundamente desestruturadas;

2 – A grande maioria das famílias estão a passar grandes dificuldades económicas, mas as criancinhas têm que ter os seus telemóveis (de preferência de última geração) para brincar. Estes, e abrindo aqui um parênteses, tornaram-se num vício nacional, não só para as criancinhas como para os adultos. Ontem à noite estando eu na esplanada do Grémio a tomar café, dei comigo a olhar para as pessoas à minha volta. Houve ali um momento em que toda a gente presente estava agarrada a um telemóvel. Absolutamente incrível. Perante este fenómeno, tenho que concluir que o telemóvel é um bem de primeira necessidade. O resto é secundário.

3 – Os papás, ou dizendo melhor, a maioria dos papás estão-se nas tintas para os que os filhos fazem nas escola. O que é necessário é que quando cheguem a casa ninguém os incomode com problemas comezinhos. Quantas vezes é que os pais perguntam ao filhos que pontos é que têm e depois querem saber os resultados? Quantas vezes é que os pais se informam das faltas que os filhos dão para andarem a passear? Quantas vezes é que os pais controlam o tempo que os filhos estudam na realidade? Quantas vezes é que os pais se preocupam com as saídas dos seus rebentos à noite, tal com onde foram, com quem andaram e o que estiveram a fazer? Quantos se preocupam se os meninos já precocemente começaram a beber e a fumar, já para não falar noutras coisas?

Quantos pais que possam estar a ler isto podem em consciência dizer “Eu controlo o meu filho”?

4 – O menino foi mal educado e em resposta o professor deu-lhe um tabefe. Aí daqui el- rei que o menino foi agredido selvaticamente e vão logo a correr à escola a armar escândalo e se poderem responder na mesma moeda ao bandido do agressor.

5 – O menino foi apanhado com o telelé umas quantas vezes. O professor já aborrecido, confisca-o. Lá vai o pai ou a mãe a correr à escola a perguntar com que direito apreenderam o aparelho à criança. E se o precisam de contactar com urgência?

 

Eu senti na pele todos estes problemas e mais alguns. E sabem o que por vezes me apetecia fazer? Se os pais não querem saber das crias para nada, para que é que eu estou aqui armado em camelo a pregar aos peixes? Vão mas é para casa a serem educados e quando isso acontecer voltem para serem formados.

Bem, podia continuar, mas não vale a pena, pois tenho a certeza que tudo isto são palavras vãs. Mas pelo menos desabafei.

 

Jacinto César     


Tasca das amoreiras às 20:03
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Domingo, 5 de Maio de 2013

40 horas? É de loucos!

 

 

Ou são os nossos governantes que estão loucos, ou então sou eu que já não digo coisa com coisa!!

Não me vou pronunciar aqui sobre as 40 horas semanais noutras profissões, porque desconheço a especificidade de cada uma delas. O que vou escrever é somente sobre a educação.

Senhor Ministro (bem, eu já nem sei bem a qual me dirigir, se ao da Educação se ao das Finanças).

Presumo que qualquer dos senhores seja pai e presumo também que qualquer de vós quando chega a casa depois das árduas tarefas governativas vá sem paciência para aturar as traquinices dos vossos rebentos. Somos todos iguais nesse aspecto, já que a vida não está fácil para ninguém. Mas vejamos o seguinte: já reparam bem o que é ter um ser humano (o professor) metido numa sala 8 horas por dia a aturar entre vinte a trinta “criancinhas iguais às vossas” a cada hora?

Agora falando mais a sério, será senhor Ministro da Educação, que como professor que foi, que sabe o que representa tal medida? A loucura! Sim, a loucura. Como é que é possível o senhor que já foi professor compactuar com tal tortura? Por acaso quer encher os manicómios com professores? Quem o ouviu e quem o ouve. Ou o senhor tem dupla personalidade ou então não passa de mais “um” agarrado a um tacho e não o quer largar, nem que para tal tenha que cometer actos inqualificáveis. Chama a isto educação de qualidade? Prezo-me de durante quase 40 anos ter cumprido bem as minhas funções como professor (não me isento de qualquer erro que tenha cometido), mas digo-lhe, se ainda estivesse no activo passaria metade das aulas a “fingir que ensinava”.

Agora para si, senhor Ministro das Finanças: explique-me lá como se eu fosse muito burro (se calhar até sou). O senhor aumenta o número de horas de trabalho. Muito bem. Em que é que tal resulta? As pessoas trabalham mais, ganham o mesmo e consequentemente descontam o mesmo. Certo? Mas ao aumentar para 40 horas semanais os horários dos professores, fará com que em Setembro, 30 ou 40 mil destes profissionais fiquem no desemprego. Certo? E no que é que isto vai resultar? Poupa o vencimento dos 30 ou 40 mil professores que vão parar ao desemprego, que irão receber o respectivo subsídio e que deixarão de fazer descontos. Certo? Resultado final, teremos mais desemprego, menos descontos, mais despesa, menos consumo e tudo o que a este está associado. Certo? E o que é que ganhamos? Uma educação que deveria ser melhor cada vez mais a degradar-se.

Caros senhores ministros, eu posso não estar lá muito bom da cabeça, no que acredito piamente, mas os senhores estão loucos de todo. Para os senhores o manicómio já não chegava. Tinham que ficar em selas isoladas para não contagiar mais ninguém.

 

Jacinto César

 

Tasca das amoreiras às 20:21
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Requerimento ao Senhor Ministro das Finanças

 

 

Ex.mo Senhor Ministro das Finanças

 

Venho por este meio solicitar a V. Ex ª, não a atribuição de um prémio, pois considero que ninguém tem direito a um prémio pelo mero cumprimento do seu contrato de trabalho, contrariamente ao que parece ser prática para alguns (poucos) privilegiados de acordo com as declarações de v.Exª "Recordo que esses gestores têm um contrato de prestação de serviços de gestão que define objectivos que deveriam ter sido atingidos no ano de 2007. Se o prémio lhes foi atribuído é porque eles cumpriram as funções para que foram contratados, cumprindo os objectivos que estavam definidos no contrato", (Santos, Teixeira; http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=30&id_news=121064, 27-7-2009 ; 19h 30m ), mas tão só o reposicionamento, meu e de todos os meus colegas professores nos escalões remuneratórios nos quais nos encontraríamos, não fora a suspensão e posterior revogação unilateral de algumas normas do nosso contrato de trabalho por parte do actual governo.

Fundamento este requerimento, mais uma vez, nas declarações proferidas por V. Ex ª segundo as quais "Estado é uma pessoa de bem" e que "respeita os contratos que celebra" (Santos, Teixeira; http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=30&id_news=121064, 27-7-2009 ; 19h 30m ).

Não querendo acreditar que este afã em cumprir contratos não diga respeito a todos os portugueses, mas apenas àqueles que pertencem à classe dos administradores

Peço deferimento

 

António Venâncio

 

 


Tasca das amoreiras às 19:16
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Domingo, 16 de Novembro de 2008

Quando o definitivo se torna temporário

 No passado dia oito de Novembro, manifestaram-se em Lisboa aproximadamente 120 000 professores (80% de uma classe profissional), contra uma reforma do Sistema de Ensino que está a conduzir à degradação da qualidade do mesmo, e ao comprometimento do futuro de toda uma geração de jovens, prejudicada pelas medidas autistas do Ministério da Educação. Sim porque o que está em causa não é, como se quer fazer crer, querer ou não ser avaliado, porque nisso estamos todos de acordo, sempre o fomos, contrariamente ao que se apregoa, e tal facto é comprovável pela simples consulta dos nossos registos biográficos, nos quais consta uma classificação de serviço anual. O que verdadeiramente está em causa é a burocratização do sistema, que tem sido implementada por esta equipa ministerial, e que culminou num modelo de avaliação, também ele altamente burocrático, convertendo o professor num mero produtor de papéis e participante de reuniões em detrimento da sua missão principal, ENSINAR. 

 

 Nestas circunstâncias, aproximadamente 120 000 pessoas, (80% de uma classe profissional) dirigiram-se a Lisboa, no seu dia de descanso, provenientes de todo o país, percorrendo nalguns casos centenas de quilómetros, para manifestar o seu descontentamento. De notar ainda que sendo uma profissão em que um elevado número de docentes se encontra deslocado da sua residência, muitos abdicaram das poucas horas semanais de que dispõem para estar com a família.

Perante essa manifestação, curiosamente ou talvez não, a PSP, pela primeira vez, não indicou o número de manifestantes, chegando mesmo a dizer ao longo da semana “A PSP nunca mais divulgará números de manifestantes. O director-nacional da PSP, Oliveira Pereira, assume, em declarações ao SOL, a autoria da decisão. «Foi minha e tem carácter definitivo. Cheguei à conclusão de que não há nenhuma mais-valia nessa divulgação para a PSP, os manifestantes, os sindicatos ou os jornalistas porque há sempre discrepâncias»” (in jornal O Sol, 15 Novembro 08).

No passado dia quinze, nova manifestação de professores foi convocada para Lisboa. Com seria de esperar, dada a proximidade das duas manifestações, os números da adesão foram significativamente menores, 10 000 de acordo com a organização e pasme-se 7 000 de acordo com a PSP.

Ou eu já não sei o que significa definitivamente, ou houve aqui uma manobra mal explicada de não divulgação de números quando não interessa e de divulgação quando interessa.

Depois da constatação de factos acima, apenas algumas questões em jeito de conclusão:

            Nunca em Portugal se haviam realizado duas manifestações de uma classe profissional com esta envergadura no espaço de menos de um ano.

            Nunca em Portugal uma classe profissional tinha conseguido mobilizar 80% dos seus membros na defesa do que considera correcto.

            Ninguém se convença que o facto de esta manifestação de professores realizada no dia quinze ter apenas 7 000 a 10 000 manifestantes, conforme a perspectiva, significa uma menor mobilização dos professores porque estará a enganar-se a si próprio.

            As manobras efectuadas ao nível da informação, escamoteando os números que não interessa revelar, apenas servem para demonstrar quão necessária se torna a luta dos professores pela manutenção de um ensino de qualidade, que forme cidadãos com espírito crítico, capazes de interpretar este tipo de atitudes e tirar as suas próprias conclusões, em detrimento do modelo que se quer impor de certificação da incompetência.

Dito isto resta-me acrescentar que deve o Sr. Primeiro Ministro pensar onde terá de errado a sua política neste sector, que consegue pela primeira vez uma tal unidade, e lamentar que, politicamente, se leve uma força de segurança com o prestígio e a isenção da PSP a tomar posições de parcialidade, onde o definitivo passa a temporário em apenas uma semana para calar ou divulgar o que convém ao partido do poder.

 

NOTA: Aos comentadores do costume, na sua grande maioria anónimos, mesmo dando de barato que os 20% que não foram a Lisboa no passado dia 8 de Novembro são a favor das políticas do ministério deixo as seguintes perguntas:

Acreditam genuinamente que 80% dos professore portugueses estão errados?

Acreditam genuinamente que 80% dos professores portugueses são manipuláveis?

Acreditam genuinamente que 80% dos professore portugueses eram antes do início deste processo (agora talvez sejam!..) adversários políticos do PS?

Acreditam genuinamente que 80% dos professore portugueses não defendem a melhor Escola para os seus alunos?

 

 

 

António Venâncio    


Tasca das amoreiras às 15:44
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

A Tal Colheita

Quando um aluno chega ao 12º ano, tem atrás de si 12 anos de formação.

Saber isto é suficiente para perceber, que uma melhoria real nos resultados obtido no final do 12º ano, só pode surgir fruto de uma verdadeira reforma nas políticas educativas, que actue sobre todo o percurso escolar do aluno. Este trabalho, é trabalho de uma geração, que se quer consistente e mantido no tempo, e cujos resultados irão sempre surgir progressivamente através de pequenas evoluções.

Quando Sexta-feira s se anunciaram os resultados dos exames de 12º ano, hoje publicados, com grandes melhorias nas classificações relativamente ao ano anterior, (da ordem por exemplo dos 30% em Matemática A e dos 52% em Matemática B), ficamos com a certeza, que apenas uma descida significativa no grau de dificuldade das provas torna possíveis tais resultados.

Para a estatística, fica o melhor resultado dos últimos anos nos exames de final do 12º ano.

Para o nível de competências dos alunos, ficou tudo na mesma ou pior, pois dada a alteração do grau de dificuldade das provas, não existe comparabilidade entre estes resultados e os de anos anteriores para que posamos saber qual a realidade da evolução das competências dos nossos alunos.

Para o acesso ao ensino superior, a única diferença será que aqueles cursos onde só se entrava com 18 este ano vá ser necessário ter e provavelmente nem todos os 20 irão entrar, e na base da pirâmide, haverá alguns que não obtinham a classificação mínima de 9,5 para se poderem candidatar, e que irão preencher algumas das vagas que nos últimos anos sobravam em algumas Universidades e Politécnicos

Necessitado como está o País, e diariamente ouvimos afirmações nesse sentido, de aumentar a qualificação, é este um muito mau sinal dado aos nossos jovem, porque induz o sentimento de maior facilidade na obtenção de uma certificação com qualificações/competências mais reduzidas.

Quando no telejornal da RTP a Senhor Ministra da Educação veio defender estes resultados como resultado das suas políticas educativas e do trabalho dos professores, insinuando que apenas agora os professores começaram a preparar os seus alunos, está a mentir descaradamente aos portugueses por duas razões óbvias:

1º Os professores são os mesmos que em anos anteriores, e nunca viveram um ano de tantas angústia e instabilidade, com a consequente falta de serenidade no trabalho diário.

2º Nunca como este ano os professores foram sobrecarregados com o trabalho burocrático, e viram tão reduzida a sua disponibilidade para a preparação das suas aulas, e para a sempre necessária actualização.

A ser verdade, com afirma a Senhora Ministra,  que não foram dadas quaisquer instruções por parte do Ministério da Educação, para que o grau de dificuldade das provas fosse reduzido, deveria ser instaurado um inquérito para averiguar de quem é a responsabilidade deste acto, que se traduziu numa anulação, intencional ou não, da comparabilidade de resultados, e na indução de um facilitismo que são decerto prejudiciais ao sistema de ensino, e à melhoria das qualificações que tanto se apregoa.

 

António Venâncio

 

 


Tasca das amoreiras às 14:11
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Maioria absoluta não é poder absoluto

 

"não há providências cautelares que possam interromper o processo de avaliação"

 

As declarações da Ministra da Educação que acima se transcrevem, são esclarecedoras da confusão de conceitos que reina na cabeça de quem tutela a Educação em Portugal  (o será que é um problema de quem tutela o país todo?...).

É que, Senhora Ministra, não são “aquela meia dúzia” dos professores dos sindicatos, que dão provimento às providências cautelares, nem tão pouco são aqueles professores ligados a um certo partido, como também é agora costume (novamente) argumentar, são os tribunais.

E saiba, Senhora Ministra, que no sistema político Português, os tribunais são Órgãos de Soberania, tal como a Assembleia da República, a Persistência da República e o Governo.

As decisões de um Órgão de Soberania, quando tomadas no respeito pela lei e dentro do limite das suas funções, são para respeitar e acatar. Estes são princípios elementares de cidadania que todos os dias procuramos transmitir na Escola aos nossos alunos.

Eu sei que me dirá que não há uma sentença, apenas uma providência cautelar, mas Senhora Ministra, também ninguém falou em sentença, apenas em decisão, e uma providência cautelar é uma decisão provisória que vigora até que seja tomada a decisão definitiva.

Nunca tinha ouvido, nos meus cinquenta anos de vida, algém reponsável afirmar publicamente que não repeitava a decisão de un tribunal. 

Senhora Ministra, não se iluda, apesar das aparências maioria absoluta não é poder absoluto.

António Venâncio


Tasca das amoreiras às 21:33
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Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

A propósito de … Educação 4

No artigo anterior referi alguns dos elementos perturbadores do bom funcionamento do Sistema Educativo em Portugal. Analisei um a um os intervenientes no processo e as suas responsabilidades no insucesso escolar que se verifica há uns anos a esta parte.

Deixei para último lugar aqueles que considero os maiores responsáveis pelo colapso da educação no nosso país: os PAIS e a FAMÍLIA.

Contra mim falo, pois também sou pai e sei que não devo ter sido um pai e educador exemplar. Mas à frente.

Com o evento do 25 de Abril, repentinamente os valores sociais tradicionais perderam-se e até se atingir o desmembramento familiar foi um passo. A unidade básica da sociedade foi-se perdendo e desestruturou-se. Não quero com isto dizer que o regime anterior era melhor, só que talvez por culpa desse mesmo regime, que não soube ou não quis promover uma transição suave para a democracia, deu origem a uma rotura social brusca. A liberdade chegou como um raio e as pessoas não estavam preparadas para tal. Com isto não quero dizer que o 25 de Abril não era necessário, antes pelo contrário. Só que as mudanças foram muito rápidas.

Mas falemos de Educação e das mudanças para o melhor e o pior que a revolução nos trouxe.  

Até aí a família auto-controlava-se e auto-regulava-se. Havia valores que eram “sagrados” e ninguém se desviava do caminho. As crianças e os adolescentes recebiam educação em casa, eram acompanhados no seu dia-a-dia pelos mais velhos e iam para a escola receber a formação que os tornaria homens. Os pais tentavam dentro das suas possibilidades acompanhar a vida escolar dos seus filhos e saber do seu percurso. Se o insucesso se aproximava, havia sempre, ou quase sempre, medidas compensatórias para que tal não acontecesse. Havia por parte da família um interesse permanente em todas as actividades escolares ou extra-escolares. Sei, por experiencia própria, que nem sempre os meios utilizados eram os melhores, mas o que é certo é que quase sempre resultavam. A escola era um espaço de respeito. Tinha defeitos? Muitos! Tinha virtudes? Muitíssimas!    

Este sistema se tivesse evoluído progressivamente com o tempo era muito natural que não se tivesse chegado a este estado de coisas. Mas assim não aconteceu.

E agora como se processam as coisas? No actual contexto e de um modo muito geral os alunos de uma escola provêm de dois tipos de famílias: as estruturadas ou mais ou menos estruturadas, e as famílias desfeitas (cada vez mais vulgar, infelizmente).

Olhemos para as primeiras e para o seu modo de vida actual. São constituídas geralmente pelos pais e em alguns casos (poucos), algum dos avós. Ambos trabalham e como tal levam o dia fora de casa (as dificuldades da vida assim o exigem). Os filhos são “despejados” nas escolas e estas que tomem conta deles, de preferência, o dia inteiro. A escola que os eduque e os forme. A escola que os substitua a eles, pais! O contacto com os filhos acontece a maior parte das vezes somente à hora de jantar. Por pouco tempo que fosse, e até à hora de deitar sempre haveria umas horas para conversar e conviver com os filhos e saber dos seus problemas e necessidades. Só que infelizmente há sempre uma novela, umas notícias e uns futebóis a interporem-se. Não há tempo! Ponhamo-nos nós adultos no papel dos jovens. Que faríamos? Pois bem, os pais que deveriam ser o modelo, deixaram de o ser. E que modelo escolhem os jovens? Qualquer e nem sempre o melhor e depois a consequências estão à vista. Perante o insucesso escolar consumado com mais algumas “tropelias” pelo caminho, que fazem os pais? Disparam em todas as direcções. Tentam encontrar sempre um culpado para a ocorrência, mas que não os próprios. É muito difícil admitir a culpa própria e muito mais fácil apontar o dedo a terceiros.

Agora se juntarmos a tudo isto os problemas das famílias semi-estruturadas, onde os próprios pais são o pior dos problemas, como serão os filhos? Há hoje como é sabido de todos, famílias a sofrerem de problemas gravíssimos, como o alcoolismo, a droga, a violência doméstica entre outros. Que capacidade terão uns pais assim de educar os filhos? Com exemplos destes em casa, como será a personalidade de uma criança criada numa família assim? Alguém tem dúvidas do que irá acontecer, salvo raras excepções, no futuro a estes jovens? Eu não as tenho porque infelizmente lido com elas diariamente. O insucesso e o fracasso são o presente e o futuro destes jovens e daí até à delinquência vai um pequeno passo. E se perguntarmos aos pais quem são os culpados da situação? Invariavelmente será de todos e menos deles. E para mostrarem que assim é são capazes de tudo como se esse “tudo” demonstrasse algo. É preciso ir à escola e insultar-se toda a gente? Não há problemas! É preciso recorrer-se à violência? Mas aonde é que está a dúvida?

E assim se transforma a escola numa espécie de prisão, onde os que estão dentro não podem sair para fora e os de fora não podem passar para dentro. E para isso há a polícia à porta! E para isso há seguranças dentro.

Falemos agora nas famílias desestruturadas ou monoparentais. Estes casos são cada vez mais frequentes, pois hoje todos os pretextos servem para que uma família se destrua. Lembro-me com tristeza e ironicamente dito por um cómico brasileiro aquela frase que andou muito tempo nas bocas dos portugueses: “ Casa, separa, casa separa …”. E os rebentos destes casamentos? Como serão? Há muitos que conseguem superar os traumas, mas muitos outros nunca o conseguirão. A educação é feita na base do empurra agora para o pai, ora logo para a mãe num pingue-pongue interminável e por vezes o pingue-pongue é feito com familiares mais afastados quando não por terceiros. Mas estão como é? Se eu fosse filho num caso deste perguntaria: e EU? Que vai ser de mim e do meu futuro quando os meus próprios pais não querem saber de mim?

Este é o panorama actual. Este é o material humano que é trabalhado na escola diariamente. E que fazer?

Por mim e em primeiro lugar seria o governo do país a encher-se de coragem e sem pensar nos votos que perderia, apontar o dedo a quem devia.

Em segundo lugar criar obrigatoriamente uma ESCOLA DE PAIS.

Eu cá por mim ainda acrescentaria, se não podem ser bons pais, não tenham filhos, porque assim só estamos a contribuir para a infelicidade das próximas gerações.

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 02:14
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

A propósito de … Educação 3

O presente

A partir do final dos anos 80, princípios dos 90, tudo começou aparentemente a melhorar. Novas escolas começaram a proliferar por todo o país, os equipamentos e materiais didácticos foram aparecendo, os serviços modernizaram-se, os apoios aos alunos foram melhorados (serviços de transportes escolares, alimentação, apoio social, etc.) e finalmente começaram a chegar às escolas uma nova geração de professores.

Ora parecia que todos os ingredientes estavam reunidos para que os resultados finais melhorassem. E melhoraram, mas não proporcionalmente ao investimento feito. E aqui é que surge o problema. Porque é que as coisas estão como estão na educação? Pergunta difícil e com muitas respostas. Estudos atrás de estudos, reformas atrás de reformas e tudo parece andar para trás. Estranho, não é?

Mas analisemos todas as componentes do sistema educativo e seus actores.

Comecemos pela base da pirâmide que são os alunos e que teoricamente seriam os principais interessados em que tudo corresse bem, pois na escola começa o seu futuro. Vejamos então o que se passa:

1-      A grande maioria dos alunos quando sai do 1º ciclo aparece “coxa” ao 2º ciclo e por aí adiante, sendo que o agravamento é progressivo e em bola de neve. E porque é que tal acontece? Porque os responsáveis têm vergonha dos métodos “antigos” e como tal os meninos têm que aprender, brincando! Brincar, brincam, agora aprender é que não aprendem. Não se pode admitir que qualquer aluno que acabem o 1º ciclo não saiba ler e escrever, que não saiba já alguma gramática, saiba a tabuada de cor e salteado e não saiba fazer contas de olhos fechados. Mas não, é anti-pedagógico ensinar os meninos a sério e mais do que isso, é quase proibido reter (vulgo chumbar ou reprovar) um menino, mesmo que o menino nada queira fazer.

Logicamente que os problemas se vão agravado e acumulando de ciclo para ciclo e até que chegam ao ensino secundário num estado quase que irreversível. Usando um termo mais drástico, chegam em estado de “coma”.

2-      É por demais sabido que de modo algum se pode comparar os “atractivos” da sociedade presente com a do passado. Com a panóplia de brinquedos, tecnologias e diversões que estão ao seu dispor, quem quer ir para a escola? Se calhar nós os mais  velhos também não quereríamos. Os chamamentos são mais que muitos e sempre mais “simpáticos” que a escola. Mas alguma coisa tem de mudar. Falaremos nisso adiante.

Resumindo, os actores principais têm culpa, mas muito reduzida!

Passemos à segunda componente: os professores. Se no pós 25 de Abril as suas atitudes e comportamentos eram desculpáveis, dado o estado em que o país vivia, passado este período difícil as coisas teriam que mudar e não mudaram! Porquê? Muitas respostas se podem dar!

1-      O professor perdeu completamente a autoridade dentro de uma escola. Custa a admiti-lo, mas é a verdade nua e crua. O professor passou a ser não somente um FORMADOR, mas também um EDUCADOR.

2-      Socialmente o professor perdeu influência e ficou desprestigiado. Os próprios políticos e alguns “fazedores de opinião” se encarregaram dessa tarefa. Outras classes profissionais se seguiram e mais se seguirão, com a honrosa excepção dos militares e dos juízes. Está a ver-se o porque, não está?  

3-      O professor perdeu a iniciativa, ficando amarrado a normas que por vezes são inaplicáveis à massa humana que lhe é confiada.

4-      Profissionalmente o professor passou a ser como o caranguejo: passou a andar para trás.

Mas pode-se argumentar com a falta de profissionalismo da classe. Mas será que há neste ou em qualquer outro país uma classe profissional perfeita? Como em tudo na vida, há os muito bons, os bons, os assim-assim e os maus. Portanto, os actores professores também têm culpas no cartório, mas tal como os alunos, são mais vítimas que culpados.     

Analisemos a terceira componente do sistema: a escola

1-      A escola que desde sempre foi a vanguarda da sociedade, passou a andar a reboque desta. Foi completamente ultrapassada pela velocidade da evolução. Foi trucidada. Não soube ou não pôde adaptar-se à aceleração dos tempos que correm. Perdeu por completo o comboio do progresso e penso que jamais o apanhará.

2-      A escola por vezes não está desenhada em função do meio em que está inserida e como tal não cumpre a sua função.

3-      A escola tem limitações em termos de autonomia o que complica de sobremaneira o seu funcionamento.

4-      A escola é vítima de uma legislação em constante mutação. O que é verdade hoje podê-lo-á não ser amanhã. Atente-se o caso muito recente das célebres aulas de substituição. Num ano eram a solução para muitos problemas, no ano seguinte passou a ser parte do problema.  

Resumindo, a escola também tem a sua cota parte de culpas, mas também muito reduzidas.

Por último, vamos ver o que se passa no vértice da pirâmide ou seja o Ministério da Educação.

Se se pensa que por serem os últimos são os mais culpados, tal não corresponde à verdade. Este ministério é um barco gigante que navega e sempre navegou com os ventos da política. É um mal que vem de longe. Há muitos anos atrás, tanto este como todos os outros ministérios eram “governados” por profissionais do assunto a tempo inteiro. Desde o funcionário mais modesto até às chefias, incluindo os directores gerais, directores regionais, iam subindo na carreira por mérito profissional. Somente os secretários de estado e os ministros eram de escolha política. Mal ou bem o sistema ia funcionando. Presentemente até um simples chefe de serviços faz parte de uma carreira, só que política. Vem abaixo o governo e este arrasta atrás de si um sem número de carreiristas políticos, que serão substituídos por outros só que de cor partidária diferente. Mesmo que as políticas educativas fossem as mesmas ao longo dos tempos (que não são), os solavancos são constantes.

Entra um ministro, muda-se a política, fazem-se novas reformas educativas, mudam-se os programas e os conteúdos programáticos, desfazem-se leis e fazem-se novas, mudam-se as caras e os discursos e o problema persiste.

Será então que está encontrado o cerne da questão? Sim e não! O grande pecado dos sucessivos ministérios é o da falta de coragem política de apontar o dedo a quem devia apontar. Só que estes são votos e não convém hostilizar. È mais fácil sacudir a água do capote para cima de outros.

Amanhã escreverei se a paciência não me faltar o último capítulo desta triste novela que é a EDUCAÇÃO em Portugal. É dedicada às FAMÍLIAS e PAIS dos nossos jovens e futuros homens de amanhã!

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 02:55
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

A propósito de … Educação 2

O período pós 25 de Abril

Para os que se lembram deste período, fosse na condição em que fosse, devem recordar-se ainda o que foi a Educação e o Sistema educativo na altura.

Poucas serão sempre as palavras para descrever o que se passou nesses “gloriosos anos” nas escolas e universidades portuguesas. Foi aquilo que na gíria se pode dizer o “regabofe total”. Valeu tudo.

Mas recordemos: no pós 25 de Abril a Escola abriu-se a toda a sociedade, ou por outras palavras, massificou-se. Só que as condições existentes na altura eram muito carentes em todos os aspectos: as Escolas não tinham instalações, não tinham professores, não tinham meios materiais e tinham alunos de sobra. Era o caos! As salas chegavam a comportar 40 e 50 alunos: sentados nas carteiras que havia, no chão ou então de pé. Há falta de melhor construíam-se barracões provisórios que por vezes era o mesmo que estar na rua. Material pedagógico nem vê-lo. Programas existiam os antigos que foram sendo alterados e adaptados aos tempos que corriam. Como não podia de deixar de ser (a política, sempre a política) uns professores cumpriam-nos, outros não. Novos programas, novos conteúdos a cada (des)governo. Como estes eram de curta duração é bom de ver o que acontecia. Se o professor era “canhoto” os temas leccionados pendiam sempre para a análise e discussão das sociedades ditas “de democracia popular e avançada” e a palavra fascista era dita e redita um sem número de vezes. O progressismo, a reforma agrária, as ocupações e nacionalizações eram temas recorrentes. Se o professor era “destro” a conversa era exactamente a contrária, sendo que o adjectivo “comuna” era o mais utilizado.

Resultado de toda esta caldeirada foi, e não podia deixar de ser, as passagens administrativas, ou seja, passava toda a gente.

Para colmatar a falta de professores o sistema não foi de intrigas, e fez professores de toda a gente. Alunos que acabavam o 7º ano num ano, no ano seguinte estavam feitos professores de matérias que como toda a gente pode calcular, estavam “preparadíssimos”. Era uma festa para todos e um caos total.  Era o tu cá tu lá entre os professores e os alunos, a amena cavaqueira das aulas entre duas cigarradas, era eu sei cá que mais. Uma coisa era certa: toda a minha gente andava satisfeita: os professores passaram de repente a ganhar mais, os alunos estudavam menos e os pais contentes de verem os filhos passar de ano.

Depois inventou-se o serviço cívico para entreter a rapaziada mais um ano longe da universidade que passava um mau bocado devidos às mesmas circunstâncias. Finalmente lá se seguia invariavelmente a caminho de Lisboa ou de Coimbra. Por estas paragens o ambiente não era melhor. O faz que faz continuava, umas cadeiras feitas sabe-se lá como, outras compradas, outras conseguidas à custa do “cabedal” (presumo que meia palavra baste), outras até feitas pelo telefone. Era um vale tudo. De vez em quando lá se tinha que fazer mesmo a cadeira, porque o “prof” era um fascista e não dava abébias. Mas poucos professores tinham a coragem de ser exigentes, pois este era o caminho mais curto para o saneamento político. As festas eram o dia a dia. O estudar era quando Deus quisesse. E não é que não queria mesmo.

Jacinto César   


Tasca das amoreiras às 01:29
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Domingo, 23 de Setembro de 2007

A propósito de … Educação 1

Já há muito tempo que andava para escrever sobre este assunto, mas devido ao melindre tenho andado a evitá-lo, mas com o novo ano a começar sinto-me na obrigação de o fazer.

O ANTES E DEPOIS

O Antes

Qualquer pessoa da minha geração sabe que aquilo que vou contar é verdade e como tal serve o presente artigo para alertar as seguintes.

É verdade que antes do 25 de Abril somente uma pequena parte da população tinha acesso à educação, mas aqueles que podiam ir para a escola saiam com uma FORMAÇÃO diferente e para melhor. Eu falo do meu caso pessoal, que de certeza será parecido com a de muitos outros. Sou filho de pessoas modestas, mas que no entanto fizeram questão que estudasse para poder ter uma vida melhor do que aquela que eles tiveram. Em boa hora o fizeram e por tal lhes estou eternamente agradecido.

Quando fui para a escola primária em Stª Luzia, foi meu professor da 1ª à 4ª classe o saudoso Prof. Candeias. Sei hoje que poderá não ter sido um modelo em pedagogo, mas lá que aprendíamos, aprendíamos. Recordo como se fosse hoje que logo pela manhã todos nós esfregávamos as mãos para as aquecer e não doer tanto as reguadas que de certeza iríamos apanhar de seguida: um erro nas contas, uma reguada, um erro no ditado, uma reguada e por aí acima. Durante o resto do dia ainda tínhamos direito a um brinde: o nó da cana-da-índia nas nossas cabeças e a que chamavam ponteiro. O que é certo é que todos aprendíamos com maior ou menor dificuldade. Nós sabíamos escrever e ler, fazíamos as contas no papel e de cabeça, sabíamos os rios e afluentes, as estações de comboios e apeadeiros, os reis de Portugal, as mulheres, filhos e amantes. Eu sei lá que mais nós sabíamos, mas sabíamos. Recitávamos e cantávamos a tabuada como ninguém, fosse de seguida ou salteada Mas sabíamos. Saído da escola pelas 3 da tarde lá ia a caminho do segundo “suplício” do dia: a Mestra Fava. Se na escola o respeito era imposto à moda do Prof. Candeias, a Mestra Fava não se lhe ficava atrás. Todos os pretextos eram bons para que a minha cara fosse parar às mãos dela. As coisas nem sempre paravam por aqui, pois se chegássemos a casa e contássemos alguma destas peripécias, teria sem dúvida a terceira sessão: alguma tinha feito para merecer. E assim era o meu (nosso) dia-a-dia.

Chegou finalmente o dia da “libertação”: o exame da 4ª classe seguido do exame de admissão. Uns, os mais abastados, faziam-no ao Liceu, os outros à Escola Técnica. Eu pertenci a este último grupo. Finalmente longe da “tirania” da primária.

Santa inocência a minha.

Logo no primeiro dia a reunião geral de alunos no ginásio, presidida pelo seu director: Dr. Amílcar. Conselhos e mais conselhos para o bom funcionamento da escola novinha em folha. Um deles dizia respeito aos corrimões. “Jamais podereis descer a escada pelo corrimão” dizia ele de dedo apontado e eu a ver o corrimão a chamar-me também com um “dedo”. A este segundo, não resisti pouco depois! E quem estava cá em baixo à espera? O Dr. Amílcar, quem mais podia ser. Não é preciso contar o que me aconteceu. O que é certo é que sete anos se passaram e o sistema era igual ao da primária, só com uma agravante: muitos dos professores moravam perto da minha casa e escusado será dizer que a mínima que fizesse era logo do conhecimento dos meus pais. Podem imaginar o “martírio” que passei. Mas há uma coisa que sei: mais estalo, menos estalo, lá íamos aprendendo. E aprendi e aprenderam muitos. E aprendemos e aprendemos bem. A respeito da pedagogia empregue nesses tempos, podereis não estar de acordo com ela na totalidade, mas que as “coisas” funcionavam, lá isso funcionavam. Havia também um factor de extrema importância: a EDUCAÇÃO que recebíamos em casa.

Jacinto César  


Tasca das amoreiras às 01:37
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