Não, não me estou a referir a Nuno Crato. Estou a referir-me à Vila do Crato e às suas festa de Agosto. Por acaso já pensaram bem na afluência de pessoas ao Festival do Crato? 55 mil pessoas naqueles dias. É absolutamente fantástico como em meia dúzia de anos o Crato passou a pertencer ao “mapa” de Portugal. Mérito sem dúvida dos organizadores que conseguiram produzir um evento que atrai pessoas de todo o país e de Espanha. Já pensaram bem que a área onde se faz este evento pouco maior será que a carpa gigante que é colocada ao cimo do Parque da Piedade? E se eles fazem, porque é que Elvas com as tradições centenárias que tem o S. Mateus não consegue fazer?
Sei que alguns já estão a pensar: “ Chega-se próximo do S. Mateus e aí está ele a bater no “ceguinho””.
Mas porque cargas de água a minha terra há-de andar de marcha-atrás quando vejo as outras a andar em frente?
Até há poucos anos atrás tínhamos as Festas do Povoem Campo Maiore que eram inéditas no país, ao ponto de atraírem centenas de milhares de pessoas ( penso que não estou enganado que nas primeiras festas a seguir ao 25A estiveramem Campo Maiorcerca de 1 milhão de pessoas). Como a receita resultou, logo houve outras localidades a seguirem-lhe o exemplo, sendo o maior aqui próximo de nós são as Festas do Redondo. Até Juromenha já faz as suas festas com flores de papel.
E o S. Mateus? O que é que é preciso acontecer para se dar uma volta ao assunto? Bater no fundo como o país? Esperar que morra lentamente como a Feira de Maio?
E o que pensa disto a Digníssima Confraria? NADA! E a Câmara Municipal? NADA! E de tanto NADA acontecer é que qualquer dia temos o S. Mateus, não morto, mas já enterrado.
Ainda há uns dias atrás, ao fim da tarde fui dar uma volta ao Parque da Piedade. Que tristeza. As pessoas que por lá andavam contavam-se pelos dedos de uma mão. Que lástima ver aquele “parque de campismo” deserto.
Caros membros da Mesa da Confraria do S. Jesus da Piedade: se não sabem ou não querem fazerem melhor, DEMITAM-SE.
Voltaremos ao assunto.
Bom fim-de-semana para todos
Jacinto César
É indiscutível que as Festas do Crato se tornaram em meia dúzia de anos umas festas de referência no Alentejo e não só. Eu próprio tenho sido testemunha da evolução que têm tido, porque sou cliente habitual. Religiosamente todos os anos por esta altura lá ando eu e alguns amigos tentar saber qual o programa do ano para organizarmos a nossa vida para estarmos presentes. É nítida a evolução e ponto final.
Na Blogosfera elvense já se fizeram comentários sobre a grandiosidade das mesmas e ao mesmo tempo criticando a nossa cidade de não fazer o mesmo. Pois é, o que aconteceria se fizéssemos qualquer coisa do género. Eu explico: as referidas festas nestes últimos três anos custaram aproximadamente 1 milhão de euros por ano. Sim, qualquer coisa como 200 mil contos dos antigos. Até aqui tudo bem! Adiante. O ano passado a melhor noite em termos de público e que foi preenchida com o concerto de Roger Whatson acompanhado pela Orquestra Sinfoniêta de Lisboa terá tido uma assistência de 3 mil pessoas ( cálculo optimista). Pois bem, o “rapazinho” mais a orquestra, mais a estadia em Castelo de Vide, mais toda a logística necessária ficou pelos módicos 350 mil euros. Tudo bem ainda! Adiante. Se bem sabem todos os que ali se deslocam pagam uma entrada única de meia dúzia de euros. Façamos as contas e verifiquemos o saldo. Bem, aqui começa a porca a torcer o rabo. Mas adiante. E quem paga o prejuízo de muitos (mas mesmo muitos) milhares de contos? A Câmara Municipal do Crato! Bolas, aqui a conversa já começa a cheirar mal pois C.M.C é estado, estado é impostos e impostos sou eu! Alto aí, então sou eu que pago os prejuízos? Quem “houvera de pagar”?
Cara alegre e sigamos a ir lá pois este ano até vamos ter os “Vaya com Dios”. O que é preciso é festa!!
Perguntar-me-ão o porquê desta conversa toda se eu pago, não refilo e continuo a ir lá?
Respondo com outra pergunta: o que aconteceria se tamanho “despifarro”, como dizem os espanhóis, acontecesse aqui na nossa terra? Quanto barulho se fez antes, durante e após o pseudo-espectáculo da Floribela ( que eu não suporto em abono da verdade ) porque o pavilhão estava meio cheio ou meio vazio? E o dinheiro que se gasta neste ou naquele espectáculo para os “velhinhos”, para os “pimbas” ou para a rapaziada nova?
Sei que dirão que ao Crato só vão estrelas e que aqui a Elvas só vem a pimbalhada. Mas será que a população está disposta a suportar tamanho gastadeiro de dinheiro?
Enquanto se resolvem ou não resolvem como por cá se diz, vamos aproveitando as Festas do Crato que são pagas com o meu(nosso) dinheiro.
Jacinto César
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