Apesar de não haver em Elvas uma mesquita, não é coisa que preocupe muito um bom muçulmano, já que basta uma bússola e virar-me para Meca para rezar.
Se tal facto não constitui um problema, outra situação preocupa-me bastante. Eu quero casar-me e a legislação actual e a que vem aí por causa do casamento gay não mo permite. Afinal a tão apregoada liberdade individual do cidadão não existe para todos.
E porque é que não me posso casar? Porque apresentei-me no registo civil com duas mulheres com quem quero dar o nó. Tive muita sorte porque o conservador queria mandar chamar a polícia por ser adepto da poligamia, coisa muito esquisita e proibida por lei
O índice demográfico em Portugal tem nestes últimos anos sido sempre negativo. Ora casando com duas ou mais mulheres, permite-me ter mais filhos, ou seja, mantenho uma sempre em casa a tomar conta da catraiada, a outra ou outras podem trabalhar também para sustentar a família. Resumindo, além de me cercearem a liberdade, estão também a impedir-me de dar uma contribuição para o aumento demográfico do país que tanto necessita de gente nova. Ou não será assim? Mais, estou a contribuir para a economia do país. Como? Façam lá as contas. Quanto custa a inseminação artificial para as lésbicas poderem dar à luz um rebento? Quanto custa ao país fazer engravidar um gay como se faz nos Estados Unidos? Tenho ou não tenho razão?
Caros representantes do Parido Comunista, Bloco de Esquerda e Partido Socialista: V. Exas. que tão bem têm representado os homossexuais na sua pretensão de casarem, agradecia que pensassem também nos muçulmanos, que apesar de serem uma minoria também são gente.
PS – Não me oponho, antes pelo contrário, à União Civil dos homossexuais, mas se eles querem casar, eu também quero.
Jacinto César
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