Quando eventualmente deveria estar a escrever sobre todas as “desgraças portuguesas”, vou fazê-lo sobre um país “muito rico” que se chama Birmânia e que um ditador passou a chamar de Myanmar.
É uma verdade que quem é pobre neste mundo está sempre mal, mesmo que se seja o mais pobre entre os pobres. Isto vem a propósito do martirizado povo da Birmânia. Mas que mal terá feito aquela gente para merecer tal sorte? Como é que é possível que todo o mundo dito “civilizado” permita uma coisa daquelas?
Não tem petróleo! Ah!
Não tem outras riquezas! Ah!
Só lhes resta a cultura milenar e uma religião de uma humanidade fantástica! E quem quer saber disso?
-É pobre e não pode enriquecer ninguém! Então que se governem sozinhos.
Mas onde pára a consciência do mundo ocidental defensor acérrimo da LIBERDADE, da DEMOCRACIA e dos DIREITOS HUMANOS?
-São pobres, e não nos vamos aborrecer com os chineses por causa daqueles indigentes.
Hipocrisia tamanha!
Que mal fez que tivessem morrido milhões no Ruanda? Nenhum, pois foram menos esses que se tiveram que alimentar.
Mas que mal faz que estejam a morrer às centenas de milhares no Sudão? Nenhum. Para quê salvar quem já está morto à nascença?
E já que se falou aqui de chineses, que mal fez acabar com muitos milhares de Tibetanos e aculturar os sobrantes? Nenhum! Para que fazia falta um PAÍS que vivia só do pensamento?
Mundo cão este em que vivemos.
Alguém que conheço costuma dizer por graça que “odeia pobres”, sendo ela pobre.
Dá-me a sensação que é este o modo de pensar dos ocidentais, mas a sério. Os pobres só dão trabalhos!
Jacinto César
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