Muito se tem falado recentemente de linhas de alta tensão, devido à proximidade de instalação relativamente a zonas habitacionais, e aos perigos para a saúde que daí podem advir.
Quero desde já esclarecer alguns pontos prévios:
- Não me considero suficientemente informado sobre este assunto, no entanto há alguns aspectos em todo o processo que me parecem no mínimo estranhos e me levaram à presente análise;
- Considero indispensável ao desenvolvimento do país a instalação e manutenção de uma rede eléctrica capaz de garantir um fornecimento de energia a particulares e empresas em condições de fiabilidade, e com as condições nominais estabelecidas no contrato, coisa que ainda hoje não se verifica em muitos pontos do país;
- Considero que esta rede deve ser executada de acordo com as normas de segurança e com as melhores técnicas viáveis na actualidade, para obviar dentro do possível a efeitos perniciosos, quer a nível de saúde pública quer a nível ambiental, mesmo que tal implique um encarecimento da sua instalação.
Dito isto vamos aos factos:
- O Supremo Tribunal Administrativo veio dar razão aos habitantes de Sintra numa acção contra a REN, e obrigou a empresa a desligar a linha. Enganou-se o Supremo Tribunal na sua decisão?... A REN acha que sim e vai recorrer.
- Na sequência desta decisão do Supremo Tribunal, voltam à luta os populares cujas casa se situam sob o traçado da linha, ainda em construção, Portimão-Tunes, insistindo na existência de um outro traçado possível que não afecta zonas habitacionais, e que já tinham sugerido à REN sem sucesso;
- O Ministério da Saúde afirma não estar provado que a exposição ao campo magnético gerado pelas linhas de alta tensão seja prejudicial à saúde. E está provado que não o seja?...
- A REN vem dizer que o outro traçado foi chumbado pelo Ministério do Ambiente, ao que consta por atravessar a zona de reintrodução do lince ibérico.
Em que ficamos?...
A exposição da população ao campo magnético não é suficientemente preocupante para que se repense a situação, e é de tal forma irrelevante que justifica um recurso para instâncias internacionais para repor em funcionamento linha mandada desligar pelo Supremo Tribunal Administrativo?...
Tratando-se da exposição ao mesmo tipo de campo do lince ibérico já se torna de tal forma preocupante que é impeditivo de um traçado alternativo?...
Esta situação requer uma explicação clara e convincente por forma a aclara perante a opinião pública qual a ordem de prioridades do governo.
Quanto a mim, e que me desculpem os ambientalistas radicais, entre o Homem e o Lince, escolho o Homem
António Venâncio