Muito aqui se tem comentado sobre a dependência ou independência do jornal da nossa terra: o Linhas de Elvas. Já lá iremos mais à frente.
Todos nós os mais velhos nos lembramos dos tempos da outra senhora e do modo como as famílias viviam (política aparte).
As nossas mães fartavam-se de trabalhar, mas quando perguntavam aos nossos pais o que é que faziam, eles invariavelmente diziam “Nada!”, é dona de casa.
Todos se lembram ainda que as nossas mães eram meio “escravas” dos nossos pais e tinham que satisfazer todos os seus caprichos humildemente. Mesmo que houvesse desentendimentos graves, tinham que aguentar firme. E porquê? Mesmo que se quisessem separar dos respectivos maridos, não podiam. E porquê? Porque estavam dependentes economicamente deles. Esta é a verdade (o que não quer dizer que não houvesse muitos casais felizes).
Com o advento dos anos 60 do século passado, a mulher começou a tornar-se mais independente e a ter vida própria. Aos poucos deixou de estar dependente do marido, já que muitas delas começaram a “trabalhar” e a ganhar o suficiente para se manterem em caso de separação.
Com o 25 de Abril e a institucionalização do divórcio, foi o que se viu. (quem lê esta prosa sem saber quem sou, diria que era uma femininista a escrever).
Não sei se já perceberam onde quero chegar. Não? Continuemos.
Todos se lembram aqui em Elvas do antigo Intermarché e dos seus donos (passe a publicidade). Como hipermercado que era estava dependente dos clientes. Como os donos não eram pessoas que primassem pela simpatia, antes pelo contrário, foram perdendo clientes até chegar onde chegou, até os novos donos terem tomado conta do negócio.
Vamos agora ao que eu queria dizer.
A liberdade, seja lá ela onde for, não passa de uma teoria e de uma miragem. Todos dizemos que somos livres, mas quase todos estamos dependentes de alguém ou de algo. Quem disser o contrário, ou está a mentir ou então não tem consciência da realidade.
Numa cidade pequena como a nossa, o fenómeno dependência é ainda mais notado, bastando para tal recordarmo-nos que o maior empregador é a Câmara Municipal e todas as famílias directa ou indirectamente têm lá alguém a trabalhar. Por outro lado, a câmara é o maior cliente de muitas empresas e comércios. Atendendo a estes dois factores que citei, como é que se pode afirmar que se é independente?
É muito fácil como se diz por aqui nos comentários que A ou B foram “capados” pelo presidente. Acredito que sim. E se o presidente fosse outro será que as coisas eram diferentes?
Indo agora direito ao assunto, comenta-se muito por aqui que o Linhas de Elvas se vendeu ao “inimigo”. Sobre isto tenho que dizer o seguinte:
1 – O jornal é um meio de comunicação informativo e não de crítica. Para isso estão lá os colunistas e críticos para o fazerem;
2 – O jornal é um negócio como qualquer outro e precisa de clientes para sobreviver;
3 – Pelo que vejo semanalmente, as Câmara de Elvas e de Campo Maior serão os seus principais clientes;
4 – Quem é que no seu perfeito juízo iria hostilizar os seus principais clientes?
5 – E se o jornal hostilizasse estes clientes seria para satisfazer a vontade de alguns leitores que politicamente são da oposição à câmara, e estes pagariam as despesas do periódico?
6- Ninguém se arme em inocente pois não se podem esquecer que a oposição aqui em Elvas é governo em Lisboa e que este é o maior manipulador da comunicação social. Os anteriores fizeram o mesmo.
Todos sabemos que a democracia não é um sistema político perfeito, mas ainda é o melhor que se conhece. Agora dentro do sistema, há pessoas honestas e pessoas desonestas e infelizmente as segundas predominam.
C’et la vie.
Jacinto César
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