Nota introdutória – Aquilo que vou escrever, escrevo-o com conhecimento de causa pois por felicidade minha conheço um bom par de países africanos, todos os países africanos da baia do Mediterrâneo e alguns do Médio Oriente.
Quando pequeno o meu Pai contava-me uma história que não sei se é verdade, e que se calhar alguém também já a ouviu, mas vou contá-la na mesma.
Havia numa localidade um merceeiro que era gago e com quem muita gente se metia devido à sua deficiência. Havia também alguém que diariamente e durante anos fazia gala em azucrinar a cabeça do infeliz homem. Um belo dia o protagonista resolveu acabar com aquela afronta diária e esperou o provocador com um pau. Para azar dos dois, a pausada foi demasiadamente forte: o provocador morreu e o merceeiro foi para a cadeia. No dia do julgamento e já na sala do tribunal, o juiz perguntou-lhe o que tinha acontecido. O pobre homem, a única coisa que conseguia dizer e a gaguejar era: Meeerrriiiiiitttísssssimmmmoooo juuuuuiiiiizzzzz … Meeerrriiiiiitttísssssimmmmoooo juuuuuiiiiizzzzz. O nervoso não o deixava dizer mais. E repetiu uma dúzia de vezes a mesma lengalenga. O juiz já farto da conversa disse ao réu que falasse de uma vez, porque não tinha o dia inteiro. O nosso homem como não conseguia articular uma só palavra, resolveu escrever. Dizia assim o escrito que passou ao juiz: “ Senhor Juiz, se o senhor já está farto de me ouvir ao fim de poucos minutos, como estaria eu ao ouvir as mesmas ofensas durante anos?”
Perguntar-se-ão o que tem esta história a ver com África? Tudo!
Há um bom par de anos atrás, tive a oportunidade de ir à Rodésia (actual Zimbabué). País fantástico já nessa altura! Anos mais tarde, o regime de Iam Smith caiu e subiu ao poder o actual presidente Robert Mugabe. Presumo pelo que leio e ouço que o país deu um grande trambolhão desde então. A causa próxima terá sido a nacionalização das terras aos súbditos de Sua Majestade. Os naturais não conseguiram dar continuidade ao trabalho feito e temos um país a morrer de fome. Como seria de prever não vou aqui defender o tirano Mugabe nem os seus métodos de governo. Mas alguém é capaz de imaginar a que se devia a prosperidade da Rodésia nos tempos do Sr. Smith? À semi-escravatura em que a população vivia. Isso mesmo, escravatura. EU VI!
Tal como na primeira história, o protagonista fartou-se! Só se enganaram na pessoa que os conduziu à liberdade. Talvez tenha sido pior a emenda que o soneto, mas libertaram-se!
Às vezes dou comigo a pensar: até que ponto o cidadão comum (como eu), não é manipulado pela (des)informação? Acredito cegamente que o homem não será flor que se cheire! E os antigos fazendeiros dos quais não se fala? Será que eram assim tão boas pessoas?
Que faríamos nós se outros nos roubassem sistematicamente a casa? Algum dia reagiríamos. Quanto aos métodos …
Continuarei a escrever sobre a minha África.
Jacinto César
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