Se no caso do Partido Socialista que apresentou uma lista de apoiantes ao seu candidato com cerca de 4500 nomes (já vi alguns repetidos, mas quero presumir que foi lapso), perante os números dos amigos dos componentes das listas de Tiago Abreu do PP no Facebook, este último pode ser já declarado vencedor das eleições. Só que …
Eu já ontem aqui manifestei a vontade de ser mosca para ver determinadas coisas, mas hoje gostava de continuar a ser mosca por outros motivos. Eu explico.
No caso do PS, quem é que garante ao candidato que todos os nomes que constam da lista que na privacidade de uma cabine de voto, este lhes vai ser favorável? Quantos terão assinado a lista por conveniência e por outros motivos menos claros? É verdade também que haverá muita gente que não assinou a lista e que votará neste candidato.
Mas voltando ao PP de Tiago Abreu. Eu não sei se o candidato está convencido que pelo facto de ele e os componentes da lista terem milhares de amigo nas redes sociais, todos eles irão votar nele. Espero que assim não pense senão irá ter um balde de água fria. O mesmo também pode acontecer como à lista do PS, ou seja, haverá de certeza muitos votantes no PP que não usam as redes sociais.
Mas em relação ainda a Tiago Abreu e à sua “quadrilha”, de tanto atirarem pedras a Rondão e aos seus métodos, as pedras acabaram-lhe por cair em cima e renderam-se aos métodos. Se Rondão prefere o “porco no espeto”, Tiago que tem gostos diferentes está a servir febras e sardinhas assadas. Um e outro são animais políticos, com mais parecenças do que diferenças. Eles não o admitem, mas são iguaizinhos. Se um dia (isto é ficção) Tiago Abreu fosse presidente, o seu comportamento era igual ao de Rondão e “sus muchachos”. A prepotência, o “eu quero, posso e mando”, a vaidade, os donos da verdade, são atributos comuns aos políticos profissionais. Rondão tem uma vantagem: passou pela vida durante muitos anos antes de chegar à política, coisa que Tiago Abreu desconhece já que é um produto “jota”.
Eu entretanto vou continuando a apreciar o circo.
Jacinto César
Depois de um bom par de dias de férias (sei que para muito boa gente, poderia ficar de férias definitivamente), estou de volta E foi precisamente a “Lista” que me deu ânimo a voltar.
Como velho que sou, tenho por hábito guardar em casa todas as porcarias que vou encontrando para depois poder andar a vasculhá-las quando não tenho nada que fazer (que é o meu caso). Ontem foi um desses dias em que andei à procura de uma coisa, que não encontrei, mas dei de caras com uma lista de nomes que nas anteriores eleições autárquicas apoiavam o então candidato Rondão Almeida. Coincidência das coincidências, hoje quando me levantei tinha debaixo da porta mais uma “lista” de apoiantes à candidatura Rondão Almeida (desculpem-me, mas enganei-me, o candidato é Nuno Mocinha) e assim como não quer a coisa, pus-me a compará-las e cheguei a conclusões engraçadas e que passo a descrever:
1 – Quem olha para a actual lista, logo à partida e para a pessoa mais desatenta, o candidato é Rondão Almeida, ou seja, o dito, continuará a ser presidente da autarquia quer queiram ou não. Houve por aí um má-língua do interior da CME que me disse: o homem nem se vai dignar mudar de gabinete. Começo a acreditar que sim. Mas pior do que isso vão ser os funcionários da autarquia, umas vezes por hábito, outras de propósito, irão continuar a chamar o dito por Sr. Presidente. Vai ser bonito de ver o dia que o presidente verdadeiro e o falso estiverem juntos. Gostaria de ser mosca para ver.
…
…
Desculpem-me a pausa, mas ouvi cair qualquer coisa na porta da rua e para meu espanto, mais uma “lista”. É para o caso de ter perdido a que me meteram debaixo da porta logo de manhã. Mas continuemos.
2 – Fazendo uma comparação rápida desta lista com a anterior, reparei que faltam na deste ano alguns nomes graúdos. Porque será? Será que constavam na última na esperança de obter alguma benesse que não foi satisfeita e agora vingaram-se ao não assinar esta? Mistério.
3 – Da lista constam, contas redondas 4.000 nomes. Os nomes graúdos aparecem logo ao princípio. É normal. Mas o que achei piada foi ao facto dos funcionários autárquicos aparecerem disseminados ao longo das páginas do livrinho. É para disfarçar.
4 – Claro que não me vou dar a esse trabalho, mas gostaria de saber se há algum funcionário que lá falte. Só por uma questão de curiosidade.
Como isto já vai longo, um dia destes e com mais calma voltarei ao tema.
Nota – Claro que todos os cidadãos são livres de fazerem aquilo que querem e de assinar aquilo que bem entenderem. Este texto não tem como objectivo criticar as pessoas que de livre vontade assinaram a dita “lista”.
Jacinto César
Se se recordam, aqui há uns 20 anos atrás aquando do boom dos politécnicos por todo o país, nasceu uma nova classe profissional chamada “turbo professores”. Eram uns senhores professores que davam aulas de norte a sul do país numa mesma semana.
Agora na política, nasceu outra classe e que é a de Turbo Ministro. Estou a referir-me em concreto ao novo Ministros dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete. O nosso homem além de ser ministro, é ou era dirigente de 23 empresas. De Director executivo, a Presidente do Conselho Fiscal e acabando em Presidente do Conselho de Administração tudo fazia. De certeza que o dia do ministro tem mais de 24 horas para dar conta de tanta coisa.
Entretanto, parece que a nova Ministra das Finanças continua a mentir em relação às celebérrimas SWAPP’s e os buracos continuam a aparecer. Adivinhem quem é que os vai tapar? Como sempre NÓS.
Mas em questões políticas, as coisas não se ficam por aqui. Então não é que vai estar em discussão o acabar com o imposto de mais valias para os grandes investidores? Eu se tiver uma casa e a vender aparece logo o fisco a comer-me uma parte do presumível lucro que tive. Não contesto. Agora isentar os “tubarões” do mesmo imposto é que já me parece abusivo para já não dizer escandaloso.
Por cá continua a saga das inaugurações das “banheira gigantes” nas freguesias rurais. Um dia destes ainda me vou dar ao trabalho de ir passando por lá a várias horas do dia e ver quantas pessoas lá estão a usufruir dos ditos equipamentos.
Haja festa que as eleições vêm aí.
Uma boa semana para todos.
Jacinto César
Ontem, o Diário de Notícias, publicou um estudo muito completo sobre as reformas douradas.
Sei que muitas vezes sou identificado como anti-políticos! Mas será que posso pensar de outra forma?
Quem olha para o referido dossier e analisa os números não pode ficar indiferente ao que ali se diz e que se prova. É o escândalo total. Como é que é possível haver muitos milhares de portugueses a viver com 200 a 300 euros por mês (em que fica sem saber se deve deixar-se morrer de fome ou morrer por falta de medicamentos) quando há políticos que pelo facto de terem estado com o seu traseiro fino sentados na Assembleia da Republica recebem subvenções vitalícias por isso?
O nº 1 é nem mais nem menos que o Prof. Cavaco Silva que recebe qualquer coisa como 10.000 € mensais. Para alguém que foi e quer continuar a ser o Supremo Magistrado da Nação fica-lhe muito mal isso. Como é que o candidato pode falar de pobreza quando ele é um dos beneficiários dos muitos milhões que o estado gasta quando há tanta gente a necessitar de ajuda? Se quisesse ter moral para falar, já há muito que tinha prescindindo dessas reformas milionárias.
E que dizer do outro candidato, Manuel Alegre, que recebe uma pensão choruda por ter trabalhado uns meses na RDP? Deveria ter vergonha! Ou não?
Mas não são só estes infelizmente. São muitas dezenas de sanguessugas que todos os meses espoliam o estado em milhões de euros.
Onde está o Estado que todos nós gostaríamos de ver justo para com todos os seus cidadãos? Quando é que o Estado aplica o princípio constitucional de que todos os cidadãos são iguais perante a lei?
Quando é que o Estado deixa de distinguir os portugueses como sendo de 1ª ou de 2ª categoria?
Será que George Orwell antecipou o futuro quando escreveu o seu livro “O triunfo dos porcos”, princípio que se aplica que nem uma luva ao que se passa no nosso pobre país?
Penso que todos nós temos os nossos limites! Cada um ferve à sua maneira.
O povo português é pacífico por natureza, mas também penso que um dia há-de acordar. E se de verdade isso acontecer, não tenho bem a certeza de qual será a sua reacção.
Eu sempre tive mais receio dos calados do que dos bazófias. Aparentemente somos um povo “manso”. O problema está quando um qualquer dia destes lhe chegar a mostarda ao nariz.
Jacinto César
Blogs de Elvas