Os políticos dizem o que dizem porque se calhar é a única linguagem que o “Zé” entende. Por sua vez o “povinho” expressa-se como se expressa porque tem os políticos que tem. Por mais voltas que dê à cabeça não encontro explicação.
Isto vem a propósito dos comentários que por aqui se fazem. Não primam pela educação! Disso tenho a certeza. De onde provem os ditos comentários não sei, mas lá que desconfio, desconfio.
Ponha-se aqui a debate o que quer que seja, os comentários são invariavelmente os mesmos: é o “Portinholas” que é isto ou aquilo, é o “Rondão” que fez ou não fez o aqueloutro, é a “Elsa” que disse ou não disse. A cantiga é a mesma. Já enjoa.
Eu já nem me queixo do que me chamam a mim, pois considero que quem anda à chuva molha-se e sujeita-se ao que der e vier, apesar de acreditar que muitos dos que aqui botam faladura nem me conhecem de lado algum. Mas enfim.
Há uns dias atrás fiquei chocado. Estava eu meio engripado e com falta de paciência e resolvi escrever uma pequena brincadeira a propósito do desafio de futebol que tinha acabado de ver, a que chamei “Pequena provocação”. A maioria dos comentários ainda lá estão (retirei aqueles que continham asneiras). Mas que cidadãos temos nós que se permitem ofender outro cidadão pelo facto de o seu clube ter ganho e os concorrentes não? Como é que se pode pedir tolerância quando os próprios não são tolerantes com os outros? Como podemos nós pedir mais aos outros quando cada um não contribui em nada para o bem-estar geral? Como posso exigir mais dos outros se eu não contribuir com nada?
Muito se apregoa a tolerância, mas a prática que fique para os outros.
Nota – No post que ontem escrevi, alguém colocou num comentário uma carta dirigida ao Primeiro-ministro. Grande exemplo de cidadania. Fiquei triste só por um motivo: não ser capaz ou ter a clarividência para escrever daquela maneira. Faziam falta mais pessoas a exprimirem-se daquele modo. É caso para dizer: MULHER com os “ditos” no sítio.
Jacinto César
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