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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Comunicado do PS-Elvas

Hoje quando cheguei a casa tinha na caixa do correio um comunicado do Partido Socialista de Elvas. Esteve para ir para onde vão todos os outros, mas acabei por lê-lo.

Já muitas vezes aqui me insurgi contra a forma (não tanto pelo conteúdo) como o representante do CDS/PP local escreve. Para mim é insultuoso como por vezes se dirige aos autarcas eleitos em Elvas (gostemos ou não deles). O Presidente da Câmara é o Presidente de todos os elvenses e como tal necessita ser respeitado. Já com cidadão Rondão de Almeida é outra música.

Quando acabei de ler o comunicado acima referido, fiquei com a sensação que afinal os outros (leia-se PS) fazem o mesmo. A falta de educação com que se tratam uns aos outros, são dignos de uma boa peixeirada no mercado do Bulhão.

Mas como quer esta gente que a população se comporte, se são eles a dar o exemplo? Ou será que para se ser político é necessário ser-se bruto?

Volto mais uma vez a afirmar o que já aqui disse, que se torna impossível qualquer cidadão de bem se querer misturar com esta gente. Gente capaz há! Quererem é que não querem. Têm vergonha.

Tenham vergonha e comportem-se como pessoas civilizadas.

 

Jacinto César

 


Tasca das amoreiras às 19:03
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46 comentários:
De Anónimo a 28 de Outubro de 2008 às 22:41
DE: PSD/ELVAS
APARTADO 414
7350-eLVAS
psdelvas@iol.pt
( Comissão Política do PSD/Elvas, 28 de Outubro)

O Presidente Rondão Almeida e o PS distribuíram um comunicado de porta em porta "CONTRA" o livre Associativismo em Elvas. A Câmara continua a ter uma prática centralizadora e asfixiante tentando a todo o custo, limitar a liberdade de pensamento e de expressão dos cidadãos. O PSD repudia veementemente de que um Presidente de Câmara tenha práticas terceiro-mundistas, junto dos seus munícipes, contribuindo deste modo para o imobilismo, estagnação e deficit crítico do pensamento de que há muito os Elvenses padecem. Esta prática, de descrédito e desconfiança tem um nome: Direcção do PS e Rondão Almeida.O PSD e os Elvenses, estão conscientes e empenhados na necessidade de mudança para a democratização da relação do Poder Local com os munícipes. Recusamos ser "peados". O Nosso Futuro pertence-nos.

A comissão política do Psd /Elvas


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 07:57
Mais idiota que os textos do CDS e do PS é difícil. Mas o PSD conseguiu.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 08:33
O texto do PSD é tão idiota que assina como ANÓNIMO! Assina como Concelhia do PSD!... Uma vergonha de quam nem sabe escrever três linhas com sentido!
Talvez o Jacinto lhe possa dar uma ajuda.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 08:43
O Comunicado anónimo do PSD de Elvas é muito pouco honesto do ponto de vista político! Eu recebi o comunicado do PS de Elvas em casa e até lá li qualquer coisa como "que todos têm o direito de se associarem" mas que não têm o direito de andar escondidos, com objectivos demagógicos e a querer enganar os elvenses.

Concordo totalmente: eu cheguei a pensr que a ADE era uma associação normal e agora já vi que nõa é. Se querem fazer política partidária façam-na com o símbolo dos vossos partidos e não atrás do nome de uma associação que criam para tapar os partidos até que vos convenha!

Pelo menos nisso, vi total honestidade do PS: não nos mandou um comunicado com o símbolo ou o nome de uma associação.

Acho que o PSD se ainda quer fazer alguma coisa em Elvas e não quer desaparecerdo mapa político da nossa cidade, devia ser sincero e usar de honestidade.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 09:00
Cambadas de idiotas!
Eu acho que o PSD tem carradas de razão.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 10:06
Burro! O PSD só tem razão na terra dos idiotas!
Como os elvenses não são idiotas e são pessoas inteligentes, não se deixam enganar por gente como tu.
Deem a cara. Não se escondam atrás de uma associação de objectivos político-partidários!
Estamos fartos de gente como vocês. Por isso é que o PSD em Elvas vai a caminho do abismo.
Imagine-se lá, agora coligados com os sindicalistas comunistas!...


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 10:15
O PSD ANÓNIMO é do pior que há!
Para esclarecimento do PSD ANÓNIMO, o Presidente Rondão Almeida não distribui comunicados;
O Presidente Rondão Almeida e o PS não são a mesma pessoa;
O PS em Elvas tem muitas pessoas;
O PSD ANÓNIMO tem a ADE.
O PSD já faz comentários anónimos do tipo da estratégia que usa com a ADE: esconde-se atrás da associação para não verem que o Cabaceira é um zero completo.
Pior que isto só o Zero e o coleguinha de carteira!


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 10:19
Paulinho Portinholas e os seus portinholeiros e stalinistas andam numa fona... Nunca trabalharam tanto na vida como nestes últimos dias!
A fazer alguma coisa de útil? Não, têm andado a tentar convencer os distraídos a irem à sua sessão política da ADE+PSD+CDS+STAL à sede do Pepito - o grémio.
Como o ódio faz "trabalhar" certas pessoas!... Triste... Lamentável...


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 10:57
O Presidente da Câmara não é o Presidente do PS?
O Presidente da Câmara não é o Pai da Assoiação Empresarial?
Querem enganar Quem?


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 11:01
Não.

O Presidente do PS é o Dr. Almeida Santos.

A Associação Empresarial não tem Pai nem Mãe. Tem empresários que pensam pela sua cabeça, ao contrário da vossa ADE que tem políticos do PSD, do CDS e sindicalistas do STAL.

Se alguém quer enganar alguém a resposta é só uma: é a ADE que ser enganar os elvenses porque esconde os objectivos políticos autárquicos.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 11:41
Portinholeiros desenvolvimentistas: isto está mau pra vós.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 11:41
ADE = CDS + PSD + STALinistas


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 12:48
Entre 600 escolas secundárias de todo o País, a Escola Secundária D. Sancho II, em Elvas, ocupa um lugar próximo do 530. Isto pode ler-se no Diário de Notícias de hoje.
Se a escola secundária dependesse da Câmara Municipal, calculam o que se escreveria por aqui?
Vá lá: dêem uma ideia do que se escreveria.
O Paulinho Portinholas era logo um post; a ADE fazia uma reunião.
Assim...


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 13:09
O Presidente da Câmara não é o Pai da Assoiação Empresarial?

AED=Rondão+Amigos de Rondão


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 13:26
O anónimo das 12:48 devia ter cuidado com o que diz. Estou farto dessa dos Porti....
Mas o sr. Jacinto César e o Venâncio dão aulas na Escola Secundária e o ranking diz-nos como são competentes e bons profissionais não haja duvida.
São como os socialistas que metem Elvas no final da lista das câmaras.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 13:44
Com um que se mete nos copos e outro que leva o cão a cagar ao jardim municipal queriam melhores resultados?
E os socialistas inauguram mais bares para o Venâncio e não fazem nada para limpar o rabo do César ou dos cães dele.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 13:47
Tenho vergonha de partilhar as mesmas ruas do que os donos deste blog.
César e Venêncio são o mau exemplo do que é ser professor e os socialistas são o mau exemplo do que é ser político.
O César viu a luz na postagem de hoje mas depressa nos meteu todos no mesmo saco e eu não admito isso. Preferia que me comparesses ao PRD ao Bloco ou a outra coisa qualquer.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:37
Eu sou social democrata de longa data e nunca vi o meu partido em Elvas descer tão baixo. Então o meu PSD precisa de se esconder atrás de comunistas e de um gaiato que é o Tiago Abreu.
Nunca pensei ver uma coisa destas, é escandaloso.

Acho que o Cabaceira e os outros que estão á frente do partido deviam arrumar primeiro a casa e depois virem então atacar os outros, porque desta maneira nunca mais passam da mesma desgraça.



De António Venâncio a 30 de Outubro de 2008 às 12:27
O ilustre e corajoso Anónimo deste comentário e do anterior, não me conhece, nem pessoalmente nem do que tem sido escrito nos comentários deste blog, caso contrário saberia que se de alguma coisa eu sou "acusado" não é nem será nunca de bêbedo. Do que me têm "acusado2 muitas vezes é de abstémio.
É claro que quem não sabe do que fala diz asneiras


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 13:54
Eu sou do PSD há muitos anos e tenho vergonha de ter um dirigente local como o Cabaceira. Tnho vergonha das figuras que o meu partudo faz que até para fazer um comunicado tem que dar conhecimento ao Tiago Abreu. Sinto-me envergonhado.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 14:46
Este blog está uma treta daquelas.
A Valnor tem sistemas de reciclagem ecológica
Tem maquinaria suficiente para triturar os mais cabeça dura


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:11
Eu Também sou do PSD e o comunicado está muito claro sobre o queseb passa em Elvas.
Acho é que deviam publicá-lo na Imprensa.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:19
É longo ....mas vale a pena ler....







Sr. Engº José Sócrates,
Antes de mais, peço desculpa por não o tratar por Excelência nem por Primeiro-Ministro, mas para ser franca, tenho muitas dúvidas quanto ao facto de o senhor ser excelente e, de resto o cargo de
primeiro-ministro parece-me, neste momento, muito pouco dignificado.

Também queria avisá-lo de antemão que esta carta vai ser longa, mas penso que não haverá problema para si, já que você é do tempo em que o ensino do Português exigia grandes e profundas leituras.
Ainda pensei em escrever tudo por tópicos e com abreviaturas, mas julgo que lhe faz bem recordar o prazer de ler um texto bem escrito, com princípio, meio e fim, e que, quiçá, o faça reflectir (passe a
falta de modéstia).

Gostaria de começar por lhe falar do "Magalhães".
Não sobre os erros ortográficos, porque a respeito disso já o seu assessor deve ter recebido um e-mail meu.
Queria falar-lhe da gratuitidade, da inconsequência, da precipitação e da leviandade com que o senhor engenheiro anunciou e pôs em prática o projecto a que chama de e-escolinha.

O senhor fala em Plano Tecnológico e, de facto, eu tenho visto a tecnologia, mas ainda não vi plano nenhum.

Senão, vejamos a cronologia dos factos associados ao projecto "Magalhães":.

No princípio do mês de Agosto, o senhor engenheiro apareceu na televisão a anunciar o projecto e-escolinhas e a sua ferramenta: o portátil Magalhães.

No dia 18 de Setembro (quinta-feira) ao fim do dia, o meu filho traz na mochila um papel dirigido aos encarregados de educação, com apenas quatro linhas de texto informando que o "Magalhães" é um projecto do Governo e que, dependendo do escalão de IRS, o seu custo pode variar entre os zero e os 50 euros. Mais nada!
Seguia-se um formulário com espaço para dados como nome do aluno, nome do encarregado de educação, escola, concelho, etc e, por fim, a oportunidade de assinalar, com uma cruzinha, se pretendemos ou não adquirir o "Magalhães"..

No dia 22 de Setembro (segunda-feira), ao fim do dia, o meu filho traz um novo papel, desta vez uma extensa carta a anunciar a visita, no dia seguinte, do primeiro-ministro para entregar os primeiros "Magalhães" na EB1 Padre Manuel de Castro. Novamente uma explicação respeitante aos escalões do IRS e ao custo dos portáteis..

No dia 23 de Setembro (terça-feira), o meu filho não traz mais papéis, traz um "Magalhães" debaixo do braço.
Ora, como é fácil de ver, tudo aconteceu num espaço de três dias úteis em que as famílias não tiveram oportunidade de obter esclarecimentos sobre a futura utilização e utilidade do "Magalhães".
Às perguntas que colocámos à professora sobre o assunto, ela não soube responder.

Reunião de esclarecimento, nunca houve nenhuma.

Portanto, explique-me, senhor engenheiro: o que é que o seu Governo pensou para o "Magalhães"?
Que planos tem para o integrar nas aulas? Como vai articular o seu uso com as matérias leccionadas?

Sabe, é que 50 euros talvez seja pouco para se gastar numa ferramenta de trabalho, mas, decididamente, e na minha opinião, é demasiado para se gastar num brinquedo.
Por favor, senhor engenheiro, não me obrigue a concluir que acabei de pagar por uma inutilidade, um capricho seu, uma manobra de campanha eleitoral, um espectáculo de fogo de artifício do qual só sobra fumo e o fedor intoxicante da pólvora.

Seja honesto, pelo menos uma vez na vida, com os portugueses e admita que não tem plano nenhum.
Admita que fez tudo tão à pressa que nem teve tempo de esclarecer as escolas e os professores.
Não venha agora dizer-me que cabe aos pais aproveitarem esta maravilhosa oportunidade que o Governo lhes deu de ensinarem os filhos a lidar com as novas tecnologias.

O seu projecto chama-se e-escolinha, não se chama e-familiazinha!
Faça-lhe jus e ponha a sua equipa a trabalhar, mexa-se, credibilize as suas iniciativas!

Uma coisa curiosa, senhor engenheiro, é que tudo parece conspirar a seu favor nesta sua lamentável obra de empobrecimento do ensino assente em medidas gratuitas.



De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:21

Há dias arrisquei-me a ver um episódio completo da série Morangos com Açúcar.
Por coincidência, apanhei precisamente o primeiro episódio da nova série que significa, na ficção, o primeiro dia de aulas daquela miudagem.
Ora, nesse primeiro dia de aulas, os alunos conheceram a sua professora de matemática e o seu professor de português.
As imagens sucediam-se alternando a aula de apresentação de matemática por contraposição à de português.
Enquanto a professora de matemática escrevia do quadro os pressupostos da sua metodologia - disciplina, rigor e trabalho - o professor de português escrevia no quadro os pressupostos da sua - emoção, entrega e trabalho.
Ora, o que me faz espécie, senhor engenheiro, é que a personagem da professora de matemática é maldosa, agressiva e antiquada, enquanto que o professor de português é um tipo moderno e bué de fixe.

Então, de acordo com os princípios do raciocínio lógico, se a professora de matemática é maldosa e agressiva e os seus pressupostos são disciplina e rigor, então a disciplina e o rigor são coisas negativas. Por outro lado, se o professor de português é bué de fixe, então os pressupostos da emoção e da entrega são perfeitos.
E de facto era o que se via.
Enquanto que na aula de matemática os alunos bufavam, entediados, na aula de português sorriam, entusiasmados.

Disciplina e rigor aparecem, assim, como conceitos inconciliáveis com emoção e entrega, e isto é a maior barbaridade que eu já vi na minha vida.
Digo-o eu, senhor engenheiro, que tenho uma profissão que vive das emoções, mas onde o rigor é "obstinado", como dizem os poetas.
Eu já percebi que o ensino dos dias de hoje não sabe conciliar estes dois lados do trabalho.
Não o sabendo, optou por deixar de lado a disciplina e o rigor.
Os professores são obrigados a acreditar que para se fazer um texto criativo não se pode estar preocupado com os erros ortográficos.
Que para se saber fazer uma operação aritmética não se pode estar preocupado com a exactidão do seu resultado.
Era o que faltava, senhor engenheiro!

Agora é o momento em que o senhor engenheiro diz de si para si: mas esta mulher é um Velho do Restelo, que não percebe que os tempos mudaram e que o ensino tem que se adaptar a essas mudanças? Percebo, senhor engenheiro. Então não percebo?
Mas acontece que o que o senhor engenheiro está a fazer não é adaptar o ensino às mudanças, você está a esvaziá-lo de sentido e de propósitos.
Adaptar o ensino seria afinar as metodologias por forma a torná-las mais cativantes aos olhos de uma geração inquieta e voltada para o imediato.
Mas nunca diminuir, nunca desvalorizar, nunca reduzir ao básico, nunca baixar a bitola até ao nível da mediocridade.

Mas, por falar em Velho do Restelo......
Li, há dias, numa entrevista com uma professora de Literatura Portuguesa, que o episódio do Velho do Restelo foi excluído do estudo d'Os Lusíadas.
Curioso, porque este era o episódio que punha tudo em causa, que questionava, que analisava por outra perspectiva, que é algo que as crianças e adolescentes de hoje em dia estão pouco habituados a fazer.
Sabem contrariar, é certo, mas não sabem questionar.
São coisas bem diferentes: contrariar tem o seu quê de gratuito; questionar tem tudo de filosófico.
Para contrariar, basta bater o pé.
Para questionar, é preciso pensar.
Tenho pena, porque no meu tempo (que não é um tempo assim tão distante), o episódio do Velho do Restelo, juntamente com os de Inês de Castro e da Ilha dos Amores, era o que mais apaixonava e empolgava a turma.
Eram três episódios marcantes, que quebravam a monotonia do discurso de engrandecimento da nação e que, por isso, tinham o mérito de conseguir que os alunos tivessem curiosidade em descodificar as
suas figuras de estilo e desbravar o hermetismo da linguagem.
Ainda hoje me lembro exactamente da aula em que começámos a ler o episódio de Inês de castro e lembro-me das palavras da professora Lídia, espicaçando-nos, estimulando-nos, obrigando-nos a pensar.

Foi há 20 anos.

Bem sei que vivemos numa era em que a imagem se sobrepõe à palavra, mas veja só alguns versos do episódio de Inês de Castro, veja que perfeita e inequívoca imagem eles compõem:

"Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo do


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:26
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano d'alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito (...)"

Feche os olhos, senhor engenheiro, vá lá, feche os olhos.

Não consegue ver, perfeitamente desenhado e com uma nitidez absoluta, o rosto branco e delicado de Inês de Castro, os seus longos cabelos soltos pelas costas, o corpo adolescente, as mãos investidas num qualquer bordado, o pensamento distante, vagueando em delícias proibidas no leito do príncipe?
Não vê os seus olhos que de vez em quando escapam às linhas do bordado e vão demorar-se na janela, inquietos de saudade, à espera de ver D. Pedro surgir a galope na linha do horizonte?
E agora, se se concentrar bem, não vê uma nuvem negra a pairar sobre ela, não vê o prenúncio do sangue a escorrer-lhe pelos fios de cabelo?
Não consegue ver tudo isto apenas nestes quatro versos?
Pois eu acho estes quatro versos belíssimos, de uma simplicidade arrebatadora, de uma clareza inesperada.

É poesia, senhor engenheiro, é poesia! Da mais nobre, grandiosa e magnífica que temos na nossa História.
Não ouse menosprezá-la.
Não incite ninguém a desrespeitá-la.

Bem, admito que me perdi em divagações em torno da Inês de Castro.
O que eu queria mesmo era tentar perceber porque carga de água o Velho do Restelo desapareceu assim.
Será precisamente por estimular a diferença de opiniões, por duvidar, por condenar?

Sabe, não tarda muito, o episódio da Ilha dos Amores será também excluído dos conteúdos programáticos por "alegado teor pornográfico" e o de Inês de Castro igualmente, por "incitamento ao adultério e ao desrespeito pela autoridade".

Como é, senhor engenheiro?
Voltamos ao tempo do "lápix" azul?
E já agora, voltando à questão do rigor e da disciplina, da entrega e da emoção: o senhor engenheiro tem ideia de quanta entrega e de quanta emoção Luís de Camões depôs na sua obra?
Por outro lado, o senhor engenheiro dúvida da disciplina e do rigor necessários à sua concretização?

São centenas e centenas de páginas, em dezenas de capítulos e incontáveis estrofes com a mesma métrica, o mesmo tipo de rima, cada palavra escolhida a dedo... o que implicou tudo isto senão uma carga infinita de disciplina e rigor?

Senhor engenheiro José Sócrates: vejo que acabo de confiar o meu filho ao sistema de ensino onde o senhor montou a sua barraca de circo e não me apetece nada vê-lo transformar-se num palhaço.
Bem, também não quero ser injusta consigo.
A verdade é que as coisas já começaram a descarrilar há alguns anos, mas também é verdade que você está a sobrealimentar o crime, com um tirinho aqui, uma facadinha ali, uma desonestidade acolá.

Lembro-me bem da época em que fiz a minha recruta como jornalista e das muitas vezes em que fui cobrir cerimónias e eventos em que você participava.
Na altura, o senhor engenheiro era Secretário de Estado do Ambiente e andava com a ministra Elisa Ferreira por esse Portugal fora, a inaugurar ETAR's e a selar aterros.
Também o vi a plantar árvores, com as suas próprias mãos.

É por isso que me dói que agora, mais de dez anos depois, você esteja a dar cabo das nossas sementes e a tornar estéreis os solos que deveriam ser férteis.

Sabe, é que eu tenho grandes sonhos para o meu filho.
Não, não me refiro ao sonho de que ele seja doutor ou engenheiro.
Falo do sonho de que ele respeite as ciências, tenha apreço pelas artes, almeje a sabedoria e valorize o trabalho.
Porque é isso que eu espero da escola.
O resto é comigo.
Acho graça agora a ouvir os professores dizerem sistematicamente aos pais que a família deve dar continuidade, em casa, ao trabalho que a escola faz com as crianças.
Bem, se assim fosse eu teria que ensinar o meu filho a atirar com cadeiras à cabeça dos outros e a escrever as redacções em linguagem de sms.

Não. Para mim, é o contrário: a escola é que deve dar continuidade ao trabalho que eu faço com o meu filho.

Acho que se anda a sobrevalorizar o papel da escola.
No meu tempo, a escola tinha apenas a função de ensinar e fazia-o com competência e rigor.
Nos dias que correm, em que os pais não têm tempo nem disposição para educar os filhos, exige-se à escola que forme o seu carácter e ocupe todo o seu tempo livre.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:28
Só que infelizmente ela tem cumprido muito mal esse papel.
A escola do meu tempo foi uma boa escola.

Hoje, toda a gente sabe que a minha geração é uma geração de empreendedores, de gente criativa e com capacidade iniciativa, que arrisca, que aposta, que ambiciona. E não é disso que o país precisa?

Bem sei que apanhámos os bons ventos da adesão à União Europeia e dos fundos e apoios que daí advieram, mas isso por si só não bastaria, não acha?
É de facto curioso: tirando o Marco cigano, que abandonou a escola muito cedo, e a Fatinha que andava sempre com ranhoca no nariz e tinha que tomar conta de três irmãos mais novos, todos os meus
colegas da primária fizeram alguma coisa pela vida.
Até a Paulinha, que era filha da empregada (no meu tempo dizia-se empregada e não auxiliar de acção educativa, mas, curiosamente, o respeito por elas era maior), apesar de se ter ficado pelo 9º ano, não descansou enquanto não abriu o seu próprio Pão Quente e a ele se dedicou com afinco e empenho.

No entanto, levámos reguadas por não sabermos de cor as principais culturas das ex-colónias e éramos sujeitos a humilhação pública por cada erro ortográfico. Traumatizados?
Huuummm... não me parece.
Na verdade, senhor engenheiro, tenho um respeito e uma paixão pela escola tais que, se tivesse tempo e dinheiro, passaria o resto da minha vida a estudar.

Às vezes dá-me para imaginar as suas conversas com os seus filhos (nem sei bem se tem um ou dois filhos) e pergunto-me se também é válido para eles o caos que o senhor engenheiro anda a instalar por aí.
Parece que estou a ver o seu filho a dizer-lhe: ó pai, estou com dificuldade em resolver este sistema de três equações a três incógnitas... dás-me uma ajuda?
Depois, vejo-o a si a responder com a sua voz de homilia de domingo: não faz mal, filho... sabes escrever o teu nome completo, não sabes? Então não te preocupes, é mais do que suficiente...
Vendo as coisas assim, não lhe parece criminoso o que você anda a fazer?
Depois, custa-me que você apareça em praça pública acompanhado da sua Ministra da Educação, que anda sempre com aquele ar de infeliz, de quem comeu e não gostou, ambos com o discurso hipócrita do mérito dos professores e do sucesso dos alunos, apoiados em estatísticas cuja real interpretação, à luz das mudanças que você operou, nos apresenta uma monstruosa obscenidade.
Ofende-me, sabe?
Ofende-me por me tomar por estúpida.
Aliás, a sua Ministra da Educação é uma das figuras mais desconcertantes que eu já vi na minha vida.
De cada vez que ela fala, tenho a sensação que está a orar na missa de sétimo dia do sistema de ensino e que o que os seus olhos verdadeiramente dizem aos pais deste Portugal é apenas "os meus sentidos pêsames".

Não me pesa a consciência por estar a escrever-lhe esta carta.
Sabe, é que eu não votei em si para primeiro-ministro, portanto estou à vontade.
Eu votei em branco.
Mas, alto lá! Antes que você peça ao seu assessor para lhe fazer um discurso sobre o afastamento dos jovens da política, lembre-se, senhor engenheiro: o voto em branco não é o voto da indiferença, é o voto da insatisfação!

Mas, porque vos é conveniente, o voto em branco é contabilizado, indiscriminadamente, com o voto nulo, que é aquele em que os alienados desenham macaquinhos e escrevem obscenidades.

Você, senhor engenheiro, está a arriscar-se demasiado.
Portugal está prestes a marcar-lhe uma falta a vermelho no livro de ponto.
Ah...espere lá... as faltas a vermelho acabaram... agora já não há castigos...
Bem, não me vou estender mais, até porque já estou cansada de repetir "senhor engenheiro para cá", "senhor engenheiro para lá".

É que o meu marido também é engenheiro e tenho receio de lhe ganhar cisma.



De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:28
Esta carta não chegará até si.
Vou partilhá-la apenas e só com os meus E-leitores (sim, sim, eu também tenho os meus eleitores) e talvez só por causa disso eu já consiga hoje dormir melhor.
Quanto a si, tenho dúvidas.
Para terminar, tenho um enorme prazer em dedicar-lhe, aqui, uma estrofe do episódio do Velho do Restelo.
Para que não caia no esquecimento, nem no seu, nem no nosso.

"A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas de ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás?
Que histórias?
Que triunfos?
Que palmas?
Que vitórias? "

Atenciosamente e ao abrigo do artigo nº 37 da Constituição da República Portuguesa,
Uma mãe preocupada






De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:35
Eu também sou social democrata de longa data e nunca vi o meu partido em Elvas descer tão baixo. Então o meu PSD precisa de se esconder atrás de comunistas e de um gaiato que é o Tiago Abreu.
Nunca pensei ver uma coisa destas, é escandaloso.

Acho que o Cabaceira e os outros que estão á frente do partido deviam arrumar primeiro a casa e depois virem então atacar os outros, porque desta maneira nunca mais passam da mesma desgraça.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:50
PSD agachado atrás do CDS/PP.
Ainda por cima, em Elvas, CDS/PP quer dizer
Com Desenvolvimento Sindical, Paulinho Portinholas.
PSD agachado atrás do CDS/PP - uma vergonha!


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 15:52
PSD de Elvas, com José Júlio Cabaceira, convencido que a maneira de se apresentar como alternativa a Rondão Almeida é misturar-se com o CDS/PP do Paulinho Portinholas e os sindicalistas do STAL Vieiri e Pepi.
Tristeza!


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 17:00
Eu sou do PSD e acho que nunca teve tão bem.


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 17:39
Ó Cabaceira, tem dó!


De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 19:13
Gostei da carta da senhora.
Mulher valente.
Madaso Sócratespara onde merece.


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