Escolhamos em primeiro lugar um cirurgião. Para se avaliar o homem, a primeira coisa que temos que fazer é encontrar outro com mais experiência e presumivelmente com mais conhecimentos que o avaliado. Encontrámos um!
Vamos imaginar agora entrarem os dois para uma sala de operações onde um deles vai ser avaliado.
Vamos imaginar ainda que durante a operação se tem que tomar uma decisão sobre a melhor forma de salvar o paciente. O avaliado, como cirurgião de “serviço” opta por um caminho que não é o mesmo do avaliador. Estou a imaginar a situação, o nosso homem de bisturi na mão sem saber bem se corta mais à direita ou mais à esquerda. Se tudo acabar em bem, tudo bem! E se acaba mal?
Vamos escolher a nossa segunda vítima: um polícia.
O nosso homem está indigitado para cumprir uma determinada função durante uma operação policial. Leva atrás de si um polícia mais experiente e presumivelmente mais competente. Durante a operação arma-se um “trinta e um” qualquer. Estou a imaginar os nossos homens de pistola na mão a discutir se quem têm à sua frente é ou não um bandido. Eu vou disparar! Oh meu burro, então não vê que aquele não é o assaltante? Mas o “gajo” está de metralhadora na mão! Oh homem, não vê que aquilo é uma vassoura?
Os dois casos que escolhi são absurdos como não podia deixar de ser (penso eu). Assim sendo vamos escolher um caso real. Bem real, infelizmente.
O homem a ser avaliado é professor. É docente de várias disciplinas da área de Mecânica. É o mais velho daquele grupo de docência. Como não há nenhum mais experiente recorre-se a outro professor de outro grupo disciplinar. Neste caso em concreto, o avaliador é professor de Biologia. Obviamente que não está aqui em causa a honestidade e o profissionalismo do avaliador. O que é certo é que este vai estar presente como avaliador em três aulas do avaliado.
Pergunto agora eu: onde está a honestidade do processo de avaliação? Como pode um professor de Biologia avaliar os conhecimentos de um professor de Mecânica? Não pode, mas como ambos são obrigados a ter que cumprir a lei, que remédio têm eles senão sujeitarem-se a um absurdo destes.
Esta é a avaliação que o Ministério da Educação quer fazer. Esta é a avaliação que os professores não querem que se faça. É por estas e outras que somos contra, para já não falar no número de horas semanais que se gastam em burocracias.
Neste caso concreto, o avaliado sou eu!
Jacinto César
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