Antes de voltar ao tema gostaria de agradecer à maioria dos comentadores do post anterior por terem discutido o assunto sem muitas picardias.
Voltando ao tema em questão, gostaria de referir alguns argumentos em que se fundamenta a minha opinião:
1- A data de 20 de Setembro não representa nenhum facto especial, a não ser estar associado ao final de um ano agrícola e ao início de outro. As festas, tanto as religiosas como as profanas, coincidiam com os poucos dias de férias que os trabalhadores agrícolas tinham entre os referidos anos agrícolas. Aproveitavam então essa época para fazerem as compras mais importantes, como sendo a roupa, o calçado ou algumas alfaias agrícolas ligeiras. Compravam também as novidades que os feirantes traziam. Eram dias de festa efectivamente populares e genuínas. Viviam-se aqueles dias de forma “total”. Comia-se, bebia-se, cantava-se, dançava-se e quando já não havia nada para fazer então dormia-se.
2- Com o evento dos transportes públicos (o primeiro que apareceu foi o célebre autocarro branco do Painho seguindo-se a Setubalense) as pessoas começaram a deixar progressivamente de aqui pernoitar. Iam e vinham os dias que queriam. Recordo-me ainda de nos olivais adjacentes ao Santuário haver uma sementeira de tabuletas, tendo cada uma o nome da localidade para onde se dirigia o autocarro que os levaria de volta a casa. Este facto fez com que as grandes noitadas começassem a diminuir. Foi o princípio da mudança.
3- Com a massificação do transporte individual tudo mudou e as coisas nunca mais voltaram a ser iguais. Nem poderiam pois os tempos estavam a mudar.
4- Actualmente, a única coisa que permanece inalterável na forma e no conteúdo é a Procissão dos Pendões que marca o início oficial das festas. Quanto ao resto tudo mudou.
Pergunto então, qual é o problema de passar TUDO do 20 de Setembro para 20 de Agosto? Eu não consigo encontrar qualquer malefício, antes pelo contrário.
Amanhã continuarei a argumentar as razões da minha proposta.
Jacinto César
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