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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

A propósito de … Património – Horrores Parte 1

Já que está na moda falar-se das maravilhas e horrores de Elvas e porque o nosso colega Zé de Mello levantou a questão num inquérito no seu blog, então falemos.

Antes de falar propriamente disso gostaria de falar aqui um pouco conservação e restauro de património. Há fundamentalmente três teorias ou escolas sobre a conservação e restauro de património.

A mais curiosa de todas é a inglesa que diz que tudo, nasce, cresce e morre. E é baseado nesta teoria que surgem as célebres ruínas de castelos ingleses: se caiu mais uma pedra, onde caiu aí fica! É a morte que vem aos bocados. Há quem conteste, mas é uma corrente de opinião.

Os nossos vizinhos espanhóis utilizam outra técnica e que se baseia na substituição da peça em falta por uma igual e do mesmo material, sendo esta assinalada como sendo falsa. São os chamados pastiches cujo exemplo mais próximo é o Teatro Romano de Mérida. A maioria das colunatas não são originais. Foi por isso que o nosso IPPAR chumbou a reconstrução da Ponte da Ajuda.

Uma outra teoria é a substituição da peça ou do material dum objecto por outro material totalmente diferente. O caso mais comum é o usado em porcelanas antigas nas quais faltam pedaços e que são substituídos por uma outra matéria normalmente de cor branca ou cinzento neutro. É precisamente esta técnica que vai ser utilizada na reconstrução da referida Ponte da Ajuda. Onde faltam as pedras é colocado cimento. Ficamos assim com uma noção do que era o conjunto (neste caso a ponte completa), mas num material visivelmente diferente.

Depois desta introdução falemos então dos tão badalados horrores.

 1 – Praça da Republica - Prédio do BES.

Não querendo de modo algum entrar em polémica com alguém e admitindo sem problema algum o gosto de cada, para mim é um “não horror” e por vários motivos. A mim ensinaram-me que para detectar um “horror”, poderíamos utilizar a seguinte técnica: coloquemo-nos no centro do tabuleiro da praça. Rodemos sobre nós próprios 360 graus com um movimento relativamente rápido e constante. O que é que nos chama a atenção? A Sé sem a menor dúvida. Significa isso que a nossa vista não encontrou nada de anormal a não ser a Sé! Claro está que se pode aplicar o método em qualquer lado.

Em segundo lugar gostaria de recordar que antes de o referido prédio ser construído estava lá outro prédio, de maior volumetria onde funcionava o Banco de Portugal. Esse prédio era forrado exteriormente por mosaicos rectangulares, vidrados e de cor verde garrafa. Era um edifício antigo, mas esse sim um horror. O actual prédio e para quem está situado de frente para a rua dos Sapateiros, reparará que tem igual volumetria ao que está do outro lado da rua. Inclusive se repararem até as varandas superiores são semelhantes. Quanto aos materiais utilizados, aí já nada se pode fazer pois depende exclusivamente do gosto do arquitecto que o projectou. E quem sou eu (ou nós) para o fazer. Agora que não é nenhum horror urbanístico, lá isso não é, gostemos nós ou não.

2 – Parque de estacionamento subterrâneo – Praça da Republica

Pois bem, se há algum horror neste parque de estacionamento será somente pelo seu nome, já que de resto não vejo o porquê. O que normalmente se critica são os muretes  laterais da entrada e da saída dos carros e a entrada do elevador. Pois bem, asneira seria ter feito o mesmo em alvenaria e depois pintados de branco ou ocre. Isso é que era simular uma construção que nunca existiu. Lá se os vidros ou acrílicos deveriam ser como são, se deviam ser vermelhos ou verdes ou pretos às bolinhas amarelas, mais uma vez estamos a discutir o gosto de cada um. Agora sobre o ponto de vista estético e sobre o ponto de vista de uma paisagem urbana protegida está correcto o que foi feito. Há inúmeros casos em Portugal e no estrangeiro da utilização de técnicas semelhantes, mesmo em cidades que em termos patrimoniais não têm nada a ver com Elvas. Quem tiver dúvidas diga que eu apresentarei fotografias de outros casos. Ainda para quem tiver mais dúvidas fale com qualquer arquitecto cá de Elvas.

Há muitas aberrações na nossa cidade, mas estas duas não o são certamente. Amanhã se estiver bem disposto continuarei a escrever das maravilhas e horrores de Elvas.

Jacinto César     

Tasca das amoreiras às 23:46
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