Tinha eu 8 anos quando vim morar para o chamado Bairro das Caixas. Posso-vos dizer que eu e toda a rapaziada de então (que não eram poucos) passámos ali bons momentos da nossa infância. Era a Quinta do Sr. Edócio (não sei se é assim que se escreve) como nós lhe chamávamos. Era a quinta onde íamos tomar banho às escondidas no tanque. Era a quinta onde íamos “roubar” fruta (com que em casa a não houvesse) para os nossos “petiscos”. Era a quinta onde brincávamos aos índios e aos cowboys. Era a quinta onde por assim dizer passávamos o tempo. Aí e na quinta do Sr. Amável, onde também íamos ao banho e desviar umas peças de fruta, passámos talvez os melhores anos das nossas vidas.
Hoje quando ali passo até evito olhar para lá. Continua a ser a lixeira. Continua a degradar-se a olhos vistos. E quem é o responsável? O construtor desonesto? A câmara desonesta? O dinheiro fácil? Ou será quem foi a associação de todos eles? A responsabilidade como sempre morre solteira.
Uma pergunta: já agora porque não acabam com o resto? O terreno sempre valeria mais uns tostões para encher os bolsos a alguém. Não deixem sofrer mais a moribunda. A eutanásia não é permitida por lei, mas neste caso até passava despercebida.
Nota – Gostaria também de saber qual o destino do Lagar de Stª Rita. Palpita-me que um dos raros exemplos de arquitectura industrial de Elvas, um dia venha abaixo também. Voltaremos a este caso.
Jacinto César
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