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Sábado, 12 de Abril de 2008

O BES

Como tinha previsto, as respostas ao meu apelo ficaram se calhar apenas pelas intenções, já que coragem para as discutir à volta de uma mesa não houve. Mas mesmo assim, eu dou a minha opinião aqui.

________________________________

 

O edifício do BES nasceu na Praça da Republica aquando do derrube do prédio onde estava instalado o Banco de Portugal, e que nos últimos anos era propriedade do Sr. Luís Carvalho, pai do Dr. Luís Lapa de Carvalho falecido recentemente. Era uma construção penso que dos finais do séc. XIX ou princípios do séc. XX. A sua volumetria destacava-se de qualquer outra construção da praça. O seu revestimento era em mosaicos rectangulares vidrados e de cor verde-garrafa. Destacavam-se ainda as portas do piso térreo, em ferro e da altura do próprio piso.

Tal como foi feito, era mesmo uma aberração, ao ponto dele ser a “vedeta” na praça. Tanto pelo tamanho como pelo revestimento.

Nessa época não havia as preocupações urbanísticas que há hoje e como tal é desculpável.

Quando se procedeu ao seu derrube, quem projectou o que se lhe seguiu não era tonto como muita gente pensa, antes pelo contrário. E porquê?

1 - À partida o edifício não podia ser uma cópia de qualquer outro da praça, para não se tornar numa espécie de cama estilo D. Maria feita no séc. XXI. Portanto teria que ser diferente na arquitectura de qualquer outro existente na praça.

2 – A volumetria tinha obrigatoriamente ser idêntica à dos prédios circundantes. Se qualquer pessoa se colocar no tabuleiro da praça e de frente para este, reparará que é quase uma cópia simétrica do que fica do outro lado da Rua dos Sapateiros.

3 – Os materiais de revestimento obrigatoriamente teriam que ser distintos de todos os outros, para não se confundir o antigo com o moderno.

4 – A sua arquitectura teria que ser sóbria o suficiente para não tirar o protagonismo à Sé.

Estas normas não fui eu que as inventei e qualquer arquitecto que se dedique a este problema sabe que é assim. Quanto a mim está bem feito e ponto final.

 

Efectivamente, a maioria das pessoas não gosta, mas também não sabe porque tinha que assim ser. Dois ou três exemplos do que está bem feito e do que foi mal feito.

1-      Teatro romano de Mérida – Aquilo que a maioria das pessoas gosta tanto de ver, não passa de uma falsidade. A grande maioria das pedras que constituem as colunatas são falsas. Quem um dia ali se deslocar, basta olhar com atenção e verá uma pequena marca nos componentes que são falsos. Era uma técnica de reconstrução que se usava há muito tempo e que foi abandonada, apesar de haver muitos defensores. Conseguem imaginar o templo de Diana em Évora completamente reconstruído?  Foi por este motivo que o IPPAR chumbou a reconstrução da Ponte da Ajuda proposto pelos espanhóis e muito bem chumbado. Afinal irá ser feito como deve ser: os elementos em falta que se encontrarem serão recolocados no seu local. Os que não se encontrarem serão substituídos por peças iguais mas feitas de cimento armado. Quem num futuro vir a ponte, fica com a noção da sua forma original, mas também fica a saber que só uma parte é que é verdadeira. Poderia citar um sem número de casos idênticos em toda essa Europa civilizada. Basta ir à Grécia. Eu fui e conheço como tem sido a reconstrução dos templos gregos antigos.

2-      Todos nós conhecemos os edifícios do Chiado em Lisboa antes do grande incêndio. Por acaso os que foram construídos no lugar daqueles que arderam são iguais aos anteriores? Não! E será que quem planeou a reconstrução do Chiado não sabia o que estava a fazer? (excepção para o edifício do Grandela, cuja fachada principal resistiu).    

  

Acredito que a maioria das pessoas continue a achar que o edifício do BES é uma aberração, agora que foi feito segundo todas as normas do centros históricos não restam dúvidas. Sei que se gostássemos todos de amarelo andávamos todos vestidos da mesma cor, como se costuma dizer, mas o que está bem feito, bem feito está.

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 01:58
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19 comentários:
De Anónimo a 13 de Abril de 2008 às 03:54
Bahh, contas e projectos à Coimbra! Quer dizer à Sóccrates!!!


De Anónimo a 13 de Abril de 2008 às 10:29
Mais uma vez o ataque gratuito, generalista e sem fundamento ao abrigo do Anonimato. Ora diga lá o que autoriza a fazer um juízos de valor relativamente a "todos" os projectistas formados em Coimbra?...
Eu compreendo, "todos"os "bons" foram para a sua universidade. Só é pena não sabermos qual!... Seria uma mais valia na hora de seleccionar pessoal.
Já agora que demonstro a sua competência na má língua , venha de lá um comentário a rebater um, um só dos pontos abordados no texto.
Só para mostrar a sua superioridade relativamente aos projectistas de Coimbra.


De António Venâncio a 13 de Abril de 2008 às 10:41
O comentário anterior é meu
Por lapso saiu anónimo
As minas desculpas


De Anónimo a 13 de Abril de 2008 às 12:42
Ai agora também escreve anónimo!!!!emende também minas (devia estar a pensar em armadilhas) por minhas (suas) desculpas, deixa lá todos temos uma veia de anónimo.


De Anónimo a 13 de Abril de 2008 às 12:46
Olhe que esse anónimo, não é aquele que o Venâncio criou ódio e que está sempre a desancar, esse anónimo é outro e aproveito para dizer que não tem jeito para anónimo, desmascara-se logo


De António Venâncio a 13 de Abril de 2008 às 15:30
Aí é que está o engano, eu não criei ódio a ninguém, porque contrariamente a quem vem aqui fazer ataques pessoais anónimos, eu não discuto pessoas, mas ideias e atitudes, e assino por baixo. Por isso não odeio pessoas , abomino as atitudes de cobardia venham de onde vierem.


De Anónimo a 13 de Abril de 2008 às 12:57
Lá está o Venancio a irritar-se eu que sou o tal anónimo que você não gosta o "verdadeiro", vou rebater "4º ponto-"quanto a mim está bem feito, ponto final" com tanta certeza no cagar(desculpe a expressão) quem se atreve a dizer que aquilo é um MAMARRACHO e É BEM FEITO, QUE TENHA SIDO FEITO,PONTO FINAL PARAGRAFO.


De António Venâncio a 13 de Abril de 2008 às 15:44
Mais um tiro no pé. No ponto quatro que diz ir comentar pode ler-se "A sua arquitectura teria que ser sóbria o suficiente para não tirar o protagonismo à Sé." seguido de um parágrafo, em que pelos vistos não reparou, a seguir segue-se a conclusão/opinião pessoal do autor onde se lê o excerto que cita, e aí podemos estar ou não de acordo, porque é uma questão de gosto, mas gostos cada um tem direito ao seu!...


De Anónimo a 13 de Abril de 2008 às 17:21
com tanto tiro no pé resolvi ser o manco em vez do anónimo.
Na conclusão do seu amigo após o quarto ponto, assim está melhor, espero que sim, é que eu só tenho dois pés e estou farto de lhe dar tiros, o resto é igual.
Os pontos que o SR. César enumerou são normas ("ESTAS NORMAS NÃO FUI EU QUE AS INVENTEI") ou regras e não se discutem o que se discute são opiniões e a única opinião pessoal que ele escreveu foi "QUANTO A MIM ESTÁ BEM FEITO E PONTO FINAL"no resto continuo com a mesma opinião.

O Zé manco.
PS quando escrever para que saiba em que anónimo desancar assinarei oZé manco( não confundir com o manco que manda na Regedoria.)


De António Venâncio a 13 de Abril de 2008 às 17:40
Então explique o seu ponto de vista, para sabermos porque não está de acordo.
É que estamos muito fartos de repostas do tipo porque sim ou porque não.
O que faz que seja um mamarracho ?
A volumetria ?
Os materiais?
As cores?
O facto de ter sido construído por forma a ocultar algum monumento com relevância arquitectónica ?
É exageradamente digamos "vistoso" desviando as atenções dos monumentos e edifícios de relevância arquitectónica ?
Ou apenas não estão de acordo com o seu gosto?


De Anónimo a 14 de Abril de 2008 às 10:19
Eu podia responder é um mamarracho e ponto final, mas vou dar dois argumentos que são usados pelo autor
1 -poderia ser o mesmo estilo de arquitectura , que dado o modo de construção betão e alumínio nas janelas seria obvio que, não era uma construção do século XIX
2- de acordo
3- o meu argumento para não haver duvidas na época de construção.
4- se mantivesse o estilo não roubaria protagonismo à SÉ nem pela positiva, nem pela negativa, para mim o mamarracho pela negativa tira protagonismo. Já que falamos em Sé proponho que se ajude na campanha que o ZÉ DE MELLO tem no blogue que é o da devolução do órgão da sé ao seu lugar, que todos os bloguistas de Elvas coloquem uma referencia a isso.


De António Venâncio a 14 de Abril de 2008 às 14:15
Pois, a sua ideia de "não mamarracho" é a cópia do objecto de ouro, feita em pechisbeque.
Já agora diga-me, a janela do Convento de Cristo em Tomar é um, mamarracho?
É que é estilo Manuelino, e não está ao lado mas integrado num edifício que é ainda hoje em grande parte Românico.
O que não terão dito na altura os comentadores anónimos de blogs( leia-se velhos do Restelo)?...
Se todos pensassem assim ainda hoje só construiamos cavernas, para não deturpar o "estilo arquitétónico"


De Anónimo a 14 de Abril de 2008 às 15:03
Lá está o Sr. Venâncio a desviar o assunto, eu argumentei de acordo com as premissas que o Sr. César enumerou e o Sr. responde com uma janela manuelina em Tomar, o que tem a ver o cu com as calças?
Poderia dentro das normas ter sido feito um edifício ao estilo do que existia? Esta é a questão, outra coisa é eu o você gostarmos.
A minha ideia, como a da maioria do povo de Elvas e não só, é que é um mamarracho só que, de acordo com o autor está tecnicamente perfeito, ponto final.
O manco


De António Venâncio a 14 de Abril de 2008 às 20:26
Eu explico, é que o que o senhor defende é a manutenção do estilo, e o que a dita janela representa é exactamente o contrário, a construção de algo de estilo "moderno" num edifício existente e com um estilo completamente diferente. Olhe e falando de Elvas, temos que mandar derrubar a igreja de S. Domingos, outro mamarracho onde coexistem vários estilos.
Como vê, se a manutenção do estilo fosse critério, muitos monumentos simplesmente não teriam o aspecto que hoje lhes conhecemos.


De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 09:04
Para terminar responda só a isto; se todos os proprietários dos prédios resolver construir outros em substituição dos actuais e adoptassem o tipo de arquitectura do BES, concordava?


De Anónimo a 13 de Abril de 2008 às 10:20
Sr. César fez a historia do edifício e dando de barato que é tudo como diz, ainda assim, continuo a não gostar do que lá está o arquitecto pode ter seguido todas as normas, todos os procedimentos mas, se tiver mau gosto, sai merda .
Ainda não vi de perto a adega maior mas, o que vi em fotografia diz -me que aquilo não é um monte alentejano no entanto, tem algo que se enquadra com o Alentejo e a sua paisagem que nos permite identificar como uma edificação nossa, no entanto, as linhas são modernas, o BES não tem essa característica , não é nosso.
Sou leigo na matéria mas, o povo tem razão quando diz," os olhos também comem" No edifício BES não comem.


De Tiago Abreu a 13 de Abril de 2008 às 11:00
"O meu amigo sabe que eu sei que aquilo que disse acerca do meu colega e Amigo Dr. Joaquim Mendes não corresponde à verdade ou pelo menos à sua verdade." (Jacinto César)

Amigo Jacinto, o que eu sei é que escrevi a pura das verdades. O mendes mentiu-lhe e pelos vistos descaradamente. Abusou da posição de amigo para o enganar.

Insisto - Qual foi a minha "mentira"?

Diga lá, já o instei várias vezes a ter coragem, parece que ficou sem ela. Então se eu menti e se o mendes lhe disse qual era a mentira porque não o diz a toda a gente?

Fica-se pelas meias palavras e pelas "trocas-tintices". Homem diga lá onde foi que eu enganei o "povo".

DIGA...DIGA...DIGA!!!

Se não disser terei de concluir que o meu amigo se acobardou aos socialistas e que mentiu deliberadamente para me prejudicar!!



De Jacinto César a 13 de Abril de 2008 às 16:51
Caro Tiago

Como diz que fui enganado descaradamente por um amigo, então vai ser o meu amigo que lhe irá responder e repor a verdade dos factos. Espero ficar por aqui porque acho que não sou uma personagem importante para merecer uma atenção tão grande da sua parte. Portanto aguarde a resposta que ela virá de quem por direito tem autoridade para o fazer.
Não sou polémico, nem gosto de polémicas e protagonismos. Eu vou continuar com os meus escritos sem pretensões de QUALQUER ORDEM.
Quanto à vontade de o prejudicar é a mesma que tenho em relação a qualquer outra pessoa: nenhuma. Estou tão seguro disso como a terra ser redonda. Encontre alguém que alguma vez tenha prejudicado por mim e nessa altura pode chamar-me mentiroso.

Jacinto César


De Anónimo a 13 de Abril de 2008 às 16:58
Ex.mo Senhor Jacinto César

Li com muita atenção o que escreveu sobre a obra,efectuada na Praça da República.
Tenho que lhe agradecer a lucidez e a coragem que revela.Se fosse possível- agora já não é - esta humilde pessoa, que a si se dirige, escreveria o mesmo.Não alterava uma vírgula que fosse ao
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Ex.mo Senhor Jacinto César <BR><BR>Li com muita atenção o que escreveu sobre a obra,efectuada na Praça da República. <BR>Tenho que lhe agradecer a lucidez e a coragem que revela.Se fosse possível- agora já não é - esta humilde pessoa, que a si se dirige, escreveria o mesmo.Não alterava uma vírgula que fosse ao <BR class=incorrect name="incorrect" <a>conteúdo,à</A> forma e aos exemplos dados. <BR>Parece-me que as pessoas gostam de ser enganadas <BR>e infelizmente,não sabem distinguir o que é original <BR>e o que é reconstrução.Infelizmente deram-nos essa formação e demorarão muitos anos até que se <BR>mudem mentalidades. <BR>Os meus sinceros parabéns. <BR>


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