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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Ainda Elvas e o centro histórico

Bem, visto o assunto ser polémico, vou voltar à “carga”. Voltemos atrás no tempo até à época próxima do 25 de Abril de 1974.

 

Factos: com a “invasão” dos espanhóis, o comércio de Elvas cresceu desmesuradamente. Em cada canto ou vão de escadas montava-se uma “tienda” de cacos e atoalhados. O dinheiro nascia e aparecia como cogumelos. Como todo o bom português, os “novos ricos” a primeira coisa que fizeram foi comprar uma vivenda “fora dos muros”. Os que não tinham comércios trataram de fazer negócio e venderam casas e garagens por toda a cidade para mais comércios e vieram embora também. Juntamente com os comerciantes apareceu outra classe com um poder de compra elevado e que eram os despachantes de alfândega. Estes fizeram exactamente o mesmo. Dinheiro significava melhor vida e mudar de casa. Para onde? Para os novos bairros.

 

Consequências: ainda durante este período florescente da economia, as casas do centro histórico começaram a ser abandonadas sistematicamente e a população a deslocar-se para fora da confusão diária que era o centro. Se já era difícil andar a pé, andar de carro era quase impossível, apesar dos espanhóis se terem habituado a deixar os carros fora.

 

Bem, penso que até aqui não há contestação.

 

Como em todas as histórias, passados uns anos as coisas começaram a complicar-se.

 

Factos: os espanhóis com a abertura das fronteiras deixaram progressivamente de vir às compras e o comércio começou definhar. Com a abertura das fronteiras, a outra classe profissional que ia mantendo a cidade em funcionamento foi extinta.

 

Consequências: a primeira foi o fecho progressivo dos comércios e o seu abandono. Foram ruas inteiras que ficaram ao abandono. A crise económica instalou-se em força.

 

E foi neste estado que se aproximou o século XXI.

 

Conclusão:

1-     O primeiro problema, foram os comerciantes. Não se modernizaram nem se tornaram atractivos. O comércio era “monocolor” e quando a coisa começou a correr para o torto, a crise afectou todos. Nada foi feito para alterar o rumo da situação.

2-     O número de comércios e residências devolutos aumentaram exponencialmente. Estes foram pura e simplesmente abandonados. A degradação aumentou a grande ritmo.

3-     Em consequência a população residente diminuiu drasticamente. A cidade tornou-se numa cidade fantasma e desoladora. Neste momento há serviços, pouco comércio (cada vez mais dominado por chineses) e a população pobre e envelhecida.

 

Quando no artigo anterior afirmei que a culpa era de todos os elvenses, penso que não andei muito longe da verdade, mas continuamos a atirar com as responsabilidades para outros. A facilidade com que nos vitimizamos é uma constante, mas não fazemos nada para alterar o rumo dos acontecimentos. Só tenho medo é que seja tarde o dia em que abrirmos os olhos.

 

Jacinto César

 


Tasca das amoreiras às 16:43
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10 comentários:
De Anónimo a 8 de Abril de 2008 às 18:20
Este César fascina-me, é fantástico como ele descobriu finalmente que todos somos culpados mas, uns mais culpados que outros, agora são os comerciantes, eu concordo com o homem, afinal ele tem sempre razão, mas tenho uma dúvida, se serão também culpados os comerciantes que ao mesmo tempo eram professores, bancários, advogados engenheiros, dentistas etc.
Por favor sr Venâncio não venha lá com outro provérbio eu sei que sou ignorante até vivo "Ainda" no centro histórico poupe-me


De António Venâncio a 8 de Abril de 2008 às 21:01
Pelo menos suficientemente ignorante para confundir "Anónimo" com "António Venâncio" ou, o que é mais grave, tendo a má fé suficiente para, sabendo perfeitamente distinguir, introduzir intencionalmente a confusão talvez por despeito antigo!...
Fique sabebdo que, mais uma vez o reafirmo, tenho o "mau hábito" de assinar tudo o que escrevo.


De Anónimo a 8 de Abril de 2008 às 22:11
Infelizmente temos IPPAR, infelizmente temos rondão, esta conjugação:

IPPAR/Imobilismo/Sabotagem que impede a recuperação do Centro, é que as réplicas de casas em estilo tradicional podem ser muito melhores e mais bonitas que o original

com rondão a estragar o Património(Vergonha das paredes da Câmara) e supressão de estacionamento,

a dupla IPPAR/Rondão vai sepultar o já falecido Centro

É muito curioso só há defesa do Património quando um privado quer abrir uma janela,

a Câmara pode fazer as maiores vergonhas

Quanto aos barbeiros, penso, se sobreviver ao Sr Cunha como barbeiro, mudar para o Sr Carlos Luciano, ao menos com este posso chegar com o carro à sua porta por muito que isso custe a admitir ao Jacinto César!


De Anónimo a 9 de Abril de 2008 às 00:08

Tardou...mas arrecadou.
Afinal quem tinha razão era o ex-presidente João
Carpinteiro.
Na cidade,intra-muros,nada se alterava a não ser
aquilo que era indispensável e sempre de acordo com
os princípios norteadores de uma eficaz e correcta preservação patrimonial.
Nunca no seu tempo se destruiu a fisionomia estética
do centro histórico;nunca se tomaram medidas tendentes a afastar os elvenses do núcleo comercial;
nunca se taxaram exageradamente quem aí se deslocasse;nunca,repito nunca, esse presidente tomou
decisões arbitrárias e à revelia dos cidadãos.
Esse senhor amava e servia a cidade e não se servia
do poder para outros fins que não fosse o bem comum.Esse senhor,por muitos defeitos que lhe apontem,chorava pela sua cidade e,por incrível que pareça,saiu do poder com as mãos a abanar.
Vejam só...ainda hoje continua a doar aquilo que muito trabalho e dinheiro lhe custou para benefício de
todos :- o valioso espólio museológico sobre o mundo da fotografia. E...que ingratidão!!! Ainda lhe atiram
pedras e o chamam de doido.
Este senhor,no meu entender,é e será um HOMEM BOM da cidade de Elvas.
Um dia,talvez não muito longínquo,ainda se lhe fará justiça e o seu nome será perpectuado por aquilo que fez--infelizmente tão esquecido-- e, os elvenses de gema,não vendidos,lhe prestem a homenagem que muitos,por menos feitos,já têm.
Esta bela cidade,de potencialidades sobejamente reconhecidas,merece muito mais...muito mais.


De Tiago Abreu a 9 de Abril de 2008 às 14:00
Este último comentário comete uma ENORME imprecisão. Não vou opinar sobre João Carpinteiro como pessoa e nem tão pouco como político. Apenas lembro uma das maiores aberrações feitas em Elvas no pós 25 de Abril.

BES....



De Anónimo a 9 de Abril de 2008 às 14:34
O senhor Tiago Abreu comete uma imprecisão.
O " BES " não é do tempo do Sr.Dr.João Carpinteiro.
Espero que reconheça isto e que o rectifique.
Quanto ao que tem acontecido,após o 25 A,não
comento pois fizeram-se boas e más coisas.E...
se conhecermos um pouco da História nacional e
mundial,isso aconteceu sempre deste que o Homem
se organizou socialmente.
Cumprimentos respeitosos para o Sr. Tiago.
Respeito-o porque,apesar de jovem,sabe lutar pelos
seus ideais e tem sido,mal ou bem,dos únicos elvenses a tentar opor-se ao "statu quo" político
em que vivemos na cidade.




De Anónimo a 9 de Abril de 2008 às 14:46
O BES terminou com no mandato do JOÃO CARPINTEIRO, começou penso que no mandato do VENTURA TRINDADE OU ANÍBAL


De Anónimo a 9 de Abril de 2008 às 16:08
Agradeço a precisão dos factos.
Como quase sempre...funcionou a política do "facto consumado".
Ilibado da aprovação está o Sr.Dr.Carpinteiro.


De Tiago Abreu a 10 de Abril de 2008 às 09:13
Errei. Peço desculpa!


De Anónimo a 10 de Abril de 2008 às 12:23
OS GRANDES HOMENS também são reconhecidos por,
se necessário,saberem dar a "mão à palmatório".
Ao reconhecer que errou só o dignifica.Em nada lhe
beliscou as qualidades que vem revelando.
Por tal,os meus elogiosos cumprimentos.


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