Certa vez estando eu no Conselho Executivo da minha Escola, entra no gabinete uma senhora que se identificou como mãe de uma aluna. Que queria a senhora? Queria que nós proibíssemos a filha de entrar na escola vestida da maneira como andava. Alguém lhe perguntou: e porque não proíbe a senhora que a sua filha sai de casa assim vestida? Resposta da mãe: porque não faz caso se mim.
Hoje vi no telejornal alguém com a lucidez de espírito fazer uma pergunta muito pertinente: se a aluna do Porto gritou daquela maneira para a professora não seria natural que a rapariga “falasse” assim também para os pais?
No meu post de ontem alguém me desafiou para comentar uma entrevista do Dr. Daniel Sampaio sobre o que ele pensa sobre o novo estatuto do aluno. Concordo plenamente com o que disse, mas, continuo a insistir que o problema não está na escola mas sim em casa e na sociedade. Aí sim, está o cerne da questão.
Já há uns tempos atrás aqui tinha falado sobre os problemas da educação de hoje e continuo a reafirmar o que então dizia. A célula básica da sociedade e que é a família, está em desagregação acelerada e isso reflecte-se na sociedade. Por sua vez esta está a atravessar uma grave crise de valores. Ora se a família e a sociedade estão como estão, que pode a escola fazer? A minha experiência diz-me que nada. É o salve-se quem poder e o último que feche a luz. Como posso eu fazer de pai e professor ao mesmo tempo de uma montanha de alunos? Mas alguém acha em consciência isso possível? Dir-me-ão que esta maneira de estar é derrotista e é de quem não quer saber do que se passa à sua volta. Puro engano. Os professores, e eu falo por mim, limitam-se a ser uns actores secundários num filme em que os protagonistas são os maus da fita. Nós vamos gerindo a educação em função das leis que a sociedade produz. Quero com isto desculpabilizar-me e sacudir a água do capote? Não! Mas se a sociedade não ajudar que podemos nós fazer senão remar contra a maré?
Imaginemos a belíssima estátua de Miguel Ângelo que se encontra na Basílica de São Pedro no Vaticano:
Jacinto César
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