Elvas sempre em primeiro

Todos os comentários que cheguem sem IP não serão publicados.
Quinta-feira, 13 de Março de 2008

A bendita avaliação dos professores

Segundo o American College of Medicine, o professor pode ser classificado como um guia condutor, chefe ou comandante que possui comando, autoridade e influência. É característica de um bom professor ter liderança e ser capaz de conseguir que outros o sigam, de provocar mudanças comportamentais e funcionais para a melhora do desempenho. A liderança, portanto, é o processo de influenciar o comportamento e motivar o indivíduo a atingir melhores resultados, sendo o professor responsável pela supervisão da aula e apoio aos alunos.

 

Já há uns tempos que andava para escrever sobre o papel do professor na sociedade. Com a polémica recente sobre a sua avaliação, resolvi avançar o tema em relação ao que tinha previsto. Assim sendo, é hoje.

 

O ensino faz-se sempre com dois actores que são fundamentais: o professor e o aluno, ou seja, alguém que ensina e alguém que aprenda. Para que de verdade aconteça ensino/aprendizagem é obrigatório que quem ensina o queira fazer e quem aprende tenha vontade de o fazer. O grande problema resulta se uma das partes não estiver disposta a fazer o seu papel. Que fazer então? De uma forma muito simplista, resolve-se pondo fora do sistema o actor que não funciona e substitui-se, tal como se faz a uma peça de uma máquina que prejudica o seu funcionamento. Simples, não é? Não. Não é!

 

Analisemos cada um em separado.

 

Quem é afinal o professor e qual deveria ser o seu papel

 

O professor é no fundo alguém igual a todos os outros cidadãos, com todos os seus defeitos e virtudes. É filho, é pai, é marido/esposa, é fraco, é forte, tem problemas, não tem problemas, é alto, é baixo, é gordo, é magro, é pobre, é rico, enfim, uma pessoa comum, mas a quem atribuem muitas responsabilidades. Diria mesmo, demasiadas responsabilidades para uma só pessoa. Vejamos então qual é HOJE a sua função: a primeira e a principal é substituir os pais. Nem menos. Hoje “obriga-se” um professor a fazer aquilo que é da obrigação exclusiva dos pais: educar uma criança. Continuo a acreditar que um professor poderá ser um complemento da família, ao reforçar valores, corrigir ou aperfeiçoar comportamentos, além de ser um transmissor de conhecimentos. Pois o que acontece não é nada disto. Hoje um professor tem que fazer os dois papéis: o de educador e o de formador. Todos nós que somos pais sabemos a dificuldade e a responsabilidade que é educar um filho numa sociedade em que a célula base da sociedade e que é a família, está no estado lastimável que está.

 

Quem é então o professor? A carreira é feita em condições normais das seguintes formas:

1 – um jovem tira um curso universitário que entendeu, concorre a um lugar da sua área científica e é colocado numa escola. Se gostar e quiser continuar, faz um curso de dois anos de ciências pedagógicas (mais conhecido por estágio) e se aprovar concorre a um lugar do quadro (claro está que as coisas na prática não são bem assim, já que chegar à segunda parte já é um feito);

2 – um jovem tira um curso superior em que é orientado logo para o ensino, ou seja o chamado estágio pedagógico é parte integrante do curso.

 

Partindo do princípio que tudo correu bem, um professor chega a uma escola com aproximadamente 24 ou 25 anos. Podem-lhe ter ensinado tudo sobre pedagogia, pode ser um “barra” na sua área científica, pode saber tudo e mais alguma coisa, mas por acaso ele sabe o que é ser pai e educar um filho? E ainda para agravar a situação, educar os filhos dos outros? Deixo a pergunta no ar para quem quiser pensar e reflectir sobre o assunto.

Já que falámos de professores, porque não falar da escola? Que é hoje a escola? Para mim e com trinta e dois anos de experiência, não passa de um depósito de crianças e jovens. É a prisão para onde os pais despacham os filhos o dia inteiro, e para estes quantas mais horas lá passarem melhor, já que é segundo eles, que é para isso que o estado paga os professores. Mas como é que tal pode acontecer? Como é que um pai pode abdicar da educação de um filho? Como é que um pai pode conhecer verdadeiramente um filho se não fala com ele ou ao menos se apercebe dos seus problemas? Eu não respondo. Deixo a resposta para cada um que ler estas palavras. Quem ainda tiver consciência, ponha a mão nela.

 

Falemos agora do principal protagonista: o aluno

 

Quem é o aluno? É um a criança ou jovem filho de muitas mães e muitos pais. Há-os de todos os tipos e feitios e que correspondem em educação e princípios às famílias de onde são oriundas. Funcionam por modas e em “carneirada” e infelizmente nivelam-se pelos piores. Os piores em todos os aspectos são os actuais heróis numa escola. Permitam-me um parênteses: no meu tempo e no tempo de alguns que então a ler estas linhas lembram-se que havia nas escolas o chamado Quadro de Honra, onde eram colocados os nomes dos melhores alunos num determinado período de tempo. Com o advento da democracia e a massificação do ensino, achou-se que era uma prática traumatizante para os “meninos” digamos “menos trabalhadores”. Era considerada uma prática discriminatória. Passados muitos anos, foi reintroduzido qualquer coisa do género e que se chama Quadro de valor e excelência. Agora até tem fotografia e tudo. Pois bem, por acaso as pessoas sabem que a grande maioria dos que lá figuram têm vergonha de lá estarem? Por acaso as pessoas sabem que estes jovens sofrem de discriminação por serem bons estudantes?  Que se pode concluir daqui? Quanto pior, melhor. É esta a mentalidade generalizada. E que fazer? Mais uma vez deixo aqui a pergunta no ar.

 

Que concluir disto tudo? O ensino está de rastos!

Não quero com esta retórica desculpabilizar os professores, pois como em todas as profissões, há de tudo: os maus, os satisfatórios, os bons e os muito bons.

Não quero apontar o dedo a todas as famílias, pois como atrás disse, há-as de todos os tipos. Também não quero apontar o dedo aos alunos, pois felizmente ainda há muitos de qualidade.

Por fim deixo-vos uma última pergunta: será que a avaliação dos professores nos moldes em que se quer fazer resolve todos estes problemas? Ou será que aqueles que mais insistentemente pedem a avaliação deveriam ser os avaliados?

 

Jacinto César

 


Tasca das amoreiras às 22:51
Link do post | Comentar | favorito
12 comentários:
De Anónimo a 15 de Março de 2008 às 07:48
Força Jacinto e Venâncio, continuem, pelos vossos alunos, pela V.ª Dignidade e pelo sistema que deve ser continuamente melhorado!

Desculpem o "chavão", mas alguma reforma pode ser feita contra os "protagonistas" que são os professores?


De Júlia a 15 de Março de 2008 às 18:31
Vamos por pontos:
1. Ter uma formação inicial não significa que se esteja preparado para exercer a profissão de professor (ou qualquer outra). Mesmo o papel da formação inicial no que respeita às questões pedagógicas tem muito que se lhe diga. Sabe-se que as representações que os jovens professores têm da sua experiência enquanto alunos é muito mais forte do que aquilo que aprendem (será que aprendem mesmo?) nas diversas disciplinas ditas pedagógicas. Só assim se explica que as práticas tenham mudado muito pouco... Assim, a formação contínua deverá desempenhar, como em qualquer outra profissão, um papel fundamental para melhorar o desempenho profissional dos professores.
2. Concordo consigo quanto à desvalorização da escola pela sociedade em geral. Só assim se entende a facilidade com que os pais aceitam que os filhos não se esforcem para aprender, abandonem a escola e não exijam melhor qualidade do trabalho que nelas se faz.
3. Quanto à avaliação considero que é importante mas não apenas a avaliação dos professores. As escolas também têm de ser avaliadas. Porque os resultados escolares começam a ser influenciados pelo modo como a escola está organizada e da maneira como é gerida. Tenho dúvidas é da capacidade para as escolas se auto-avaliarem, logo, para que se proceda a uma avaliação justa para todos.
Cumprimentos


De Anónimo a 16 de Março de 2008 às 10:59
O que eu temia, nada vos serve, é preciso é que tudo continue como está!!!!!!


De Jacinto César a 16 de Março de 2008 às 15:49
Caro anónimo

É muito fácil atacar seja o que for pelas costas e de cara tapada. O senhor e outros da sua laia são tão cobardes que são capazes de dar a cara. Os senhores não andam de pé: os meus “amigos” rastejam.
Ataca os que fazem da dignidade um princípio. Ataca aqueles que todos os dias dão a cara e enfrentam toda a gente.
Tenho uma certa curiosidade de ao menos saber qual é a sua profissão. Deve com certeza pertencer àquela classe profissional que tem o monopólio do trabalho e que merece ganhar mais do que toda a gente. Os frustrados da vida e os complexados costumam ter comportamentos deste tipo.
Seja um homem e não um réptil. Tenha dignidade e faça da verticalidade um lema. Se não conseguir, suicide-se pois não anda a fazer nada neste mundo.

Jacinto César


De António Venâncio a 16 de Março de 2008 às 19:27
Tudo normal, já os bufos do antes do 25A só falavam de cara tapada, e nunca se sabai quem era, embora se desconfiasse.
A escória da sociedade vice sempre na sombra e sóataca no escuro. Mesmo que seja para não dizer nada de útil.


De Anónimo a 17 de Março de 2008 às 16:23
Têm razão, agora expliquem lá, doeu a verdade ou o anonimato?
Não acredito que estejam interessados nas avaliações e vocês sabem que eu tenho razão.
Se eu fosse prof(mau ou bom) tambèm estaria nessa luta, é mais fácil ser promovido automáticamente do que por avaliação, ainda assim, não considero que sejam mentirosos e cobardes, nem repteis e muito menos, chulos da sociedade mas, que voces dão motivos, dão


De António Venâncio a 17 de Março de 2008 às 18:53
Mas qual verdade?... Aquela que se defende de cara tapada?...Quem diz a verdade não teme fazê-lo a descoberto. Claro que seria de esperar que alguém que só escreve sob anonimato não quer mesmo ser avaliado, quer seja bom ou mau aquilo que escreve. Lógico é que segundo o ditado “com somos assim pensamos” diga não acreditar que queremos ser avaliados. A última coisa que temos defendido neste blog é que deva ficar tudo na mesma, e ninguém (para além daqueles que escrevem sob anonimato nos comentários para não poderem mesmo ser avaliados) defendeu aqui a ausência de avaliação, mas sim uma avaliação que o seja e não uma farsa para opinião pública ver, melhorar as estatísticas e poupar dinheiro ao Ministério, ao mesmo tempo se piora a qualidade de ensino, e se hipoteca o futuro dos nossos jovens. Quem ouviu hoje as declarações do Bastonário da Ordem dos Engenheiros, com alguma atenção e leu o que já aqui foi escrito sobre o tema ao longo dos meses neste blog reconhecerá uma convergência de pontos de vista. O que defendemos é o aumento da exigência e da qualidade, contra a demagogia do facilitismo e da quantidade para que esta avaliação, o novo estatuto do aluno as novas oportunidades e outras medidas avulsas que têm sido tomadas apontam.
A "sua verdade" é pois diferente da nossa
É uma "verdade" que esconde a cara para que não se veja que lhe está a crescer o nariz


De Anónimo a 18 de Março de 2008 às 14:34
Para que não restem dúvidas, só ficarei convencido das intenções dos profs, no dia em que, apresentem uma proposta alternativa aceite por todos, repito, aceite por todos para que não restem dúvidas, se o governo a puser em prática.
Fique descansado, vou continuar anónimo e se quiser eu apresento-lhe 140.000 razões.


De António Venâncio a 18 de Março de 2008 às 14:58
O que os outros aceitam ou não não me diz respeito. Aquilo que eu proponho e/ou aceito é o que me responsabiliza. Não posso ser acusado de não apresentar alternativas, pois já as apresentei, que haja outros que não aceitam esta ou qualquer outra, é da responsabilidade deles. E mais uma vez quanto ao anonimato, não quero 140 000 razões, para mim continua bem claro que só pode tratar-se de saber estar a mentir descaradamente e ser cobarde ao ponto de só atacar de trás das moitas, e eu posso dizer que até que me apresentem uma alternativa credível a esta interpretação, coisa que até agora NINGUÈM fez, é disso que se trata.


De Jacinto César a 18 de Março de 2008 às 23:18
Caro anónimo, ou será que posso chamar-lhe de Caro colega?

Se as suas 140.000 razões são as que penso, maior é o meu espanto em não compreender o que diz.
Se de verdade é o que penso ser, então deve-me conhecer suficientemente bem para saber que JAMAIS me furtaria em ser avaliado. Agora colaborar com aberrações não!
Se de verdade é o que penso ser, não consigo divisar o seu problema em dar a cara e discutir o problema. Se não o quiser fazer em público, pelo menos em privado tinha a OBRIGAÇÃO de o fazer.
Se não é o que penso que é, então ficamos por aqui, pois não gosto de interlocutores encapuçados.

Jacinto César


De Anónimo a 19 de Março de 2008 às 14:49
Também eu termino, percebi mas, não entendi quais as razões profundas da vossa contestação, continuo a achar importante mostrar uma proposta vossa evocando as diferenças que entendem ser:
-mais isentas
-melhor para os alunos
-melhor para a escola
-melhor para os professores.
O escrever anónimo não vos perturba nada o problema é que eu comentei desfavoravelmente, fui impertinente mas, não fui mal educado, a não ser para responder ás v/provocações (cobarde réptil encapuçado etc) se tivesse escrito a dar razão ao v/ tema não haveria problema só que fiz o contrário e isso dói.
Escusa de insinuar se sou professor, prefiro ser o analfabeto com que me apelidou logo do 1º comentário.
Conclou dizendo que gostei;até breve voltarei.


De António Venâncio a 19 de Março de 2008 às 15:17
Todos os anónimos que escrevem, apoiando ou criticando as nossa intervenções, têm tido, nesse aspecto, o do anonimato, a nossa critica. É portanto mentira(eu não escrevo inverdade) o que acaba de afirmar relativamente ao facto de nos perturbar o conteúdo e não o anonimato. Repare que as respostas, procuraram sempre responder com factos ao conteúdo, debate saudável que nos agrada e já temos até comentado e escrito, porque não há mais pessoas a comentar as ideias com ideias. Mas realmente o facto de alguém se esconder cobardemente atrás do anonimato incomoda, e incomoda principalmente quem assina tudo o que escreve, incomoda também a ausência de ideias, do tipo “não acredito que queiram ser avaliados” e depois de uma explicação detalhada de um modelo de avaliação baseado na sala de aula, e uma desmontagem do que está em cima da mesa, sem comentar uma virgula do que foi dito, se vir contrapor uma ideia repetir não, acredito que queiram ser avaliados pelas mesmas palavras ou outras com o mesmo significado, é um discurso igual ao do governo não responde minimamente às questões que lhe são posta e insiste na teimosia da mesma cassete. Logicamente não pode entender isso alguém que nunca assina. É desagradável ver alguém esconder--se para fazer acusações falsas. É uma espécie de terrorismo da palavra, que pode cometer qualquer crime numa hora e na hora seguinte estar sentado na mesa do café ao lado da nossa.


Comentar post

Últimos copos

Forte da Graça - 18

Forte da Graça - 17

Forte da Graça - 16

Forte da Graça - 15

Forte da Graça - 14

Forte da Graça - 13

Forte da Graça - 12

Forte da Graça - 11

Forte da Graça - 10

Forte da Graça - 9

Adega

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Agosto 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


A procurar na adega

 

Blogs de Elvas

Tags

todas as tags

últ. comentários

logo que poluiçao iriam causar duas ou tres embarc...
Muito interessante. Nessa documentação há document...
Nest baluarte existio uma oficina de artesanato on...
JacintoSó agora tive oportunidade de lhe vir dizer...
VERGONHA? MAS ESSAS DUAS ALMAS PERDIDAS RONDÃO E E...
Uma cartita. Uma cartinha. Uma carta.Assim anda en...
Os piores lambe-botas são os partidos de Esquerda ...
O mundo está para os corruptos e caloteiros. Uma a...
O mundo é dos caloteiros . Uma autentica vergonha.
"Não se pode aceitar que um professor dê 20 erros ...

mais comentados

101 comentários
89 comentários
86 comentários

subscrever feeds

SAPO Blogs