Na minha juventude, antes do 25 A, havia em Portugal uns Senhores que, munidos de uns óculos de grossas lentes, e de um enorme lápis azul, se dedicavam ler tudo o que iria ser publicado, desde as notícias de jornal, ás letras das canções, das peças de teatro aos livros, e com o atrás referido lápis, lá iam “cortando”, aqui uma frase, ali um parágrafo, quantas vezes um artigo ou um livro inteirinhos. O critério seguido para estas amputações, era o de tratar-se de matéria subversiva (leia-se em discordância com a política vigente), ou ofender a “moral” e os “bons costumes”.
Mais tarde, durante o PREC, tendo-se proclamado a liberdade de expressão, a realidade é que essa liberdade “aconselhava” que tudo contivesse as palavras “socialismo” ou “socialista”, para conseguir entrar nos meios de comunicação social, e se à mistura trouxesse as palavras “direita” e “fascismo” usadas da forma perjurativa, se possível par denegrir e abrir o caminho ao saneamento de alguém, então era certo que tinha lugar de destaque.
Sou e sempre fui a favor de uma liberdade de expressão responsável, em que cada um possa dizer aquilo que pensa e assinar por baixo, e em que quem escreve ou diz algo, não se esconda atrás do anonimato, ou se encubra com a protecção das fontes. Só assim o visado ou visados numa dada afirmação se poderão defender, se for o caso limpar o seu nome e ser ressarcidos pelos danos que lhe possam ter sido causados.
Toda a minha vida falei e escrevi, o que pensava, e apenas por duas vezes, numa Reunião Geral de Alunos em Portalegre e noutra em Coimbra, durante os tempos agitados do PREC, tentaram silenciar-me, sem que no entanto tenham conseguido. Foi portanto com enorme surpresa que verifiquei, que passado trinta e três anos do 25 A ainda se pode ser censurado em Portugal.
Leram bem FUI CENSURADO no blog da nossa cidade “Câmara dos Comuns”, já lá vai mais de uma semana, deixei um comentário assinado, ao post “Ó Sô Mendes...peol menos leia!! no qual sucintamente, comentava o facto de se dar importância de Estado a um simples erro de data, aliás segundo julgo saber prontamente corrigido, e convidando ironicamente todos os infalíveis anónimos que já tinham comentado o referido post, alguns dos quais com comentários insultuosos, a formar uma lista para as próximas eleições autárquicas, que certamente traria a prosperidade ao nosso Concelho. Tal comentário NUNCA foi publicado.
Demorei a reagir, primeiro porque pensei que ainda não houvesse tempo para que o autor do blog autorizar a publicação, afinal todos temos as a nossa vida e nem sempre temos tempo para tudo, depois quando apareceu no blog o post seguinte, pensei que, apesar disso, ainda não tinha ido ver os comentários que lhe haviam chegado, depois pensei que, por uma pequena distracção, daquelas que fazem com que o Professor Mendes não tenha reparado numa data que não foi alterada, e a que todos estamos sujeitos, ainda não tivesse reparado no comentário, continuei à espera, dando sempre o benefício da dúvida, não queria acreditar, mas é afinal verdade!...
Voltou O Lápis Azul.
António Venâncio
De
Dina a 5 de Março de 2008 às 01:48
Foi lá ver e havia 11 comentários todos eles anónimos. Deixei lá o meu que será o 12º e o primeiro identificado e que deixo também aqui porque me chocou a situação. As pessoas escondem-se por detrás do anonimato e acho isso lamentável.
Lamento que as pessoas não tenham coragem de assinar o que escrevem sobretudo quando se dizem coisas como esta:
Esse incompetente já como professor era uma autentica lástima (...)
Uma coisa é a política e a sua atitude enquanto Presidente da Assembleia Municipal que é o que aqui está em causa outra bem diferente os ataques pessoais. Lamentável. Se há alguém que foi reconhecido pela sua capacidade enquanto professor é Joaquim Mendes e afirmações como estas são lamentáveis.
De Tiago Abreu a 5 de Março de 2008 às 14:32
Há muito tempo que felizmente não "censuro" nenhum texto. Estou fora de Elvas e apenas agora me dirigi a um centro de internet por ter sido avisado deste texto. A censura se existe em Elvas não é seguramente no meu blog. Já no boletim municipal....
Não sei se o comentário em causa foi algum dos que agora coloquei, se foi muito bem, se não foi...foi porque não chegou nada.
Um abraço
De António Venâncio a 5 de Março de 2008 às 15:08
Caro Tiago
É estranho, com tantos comentários que faço, em vários blogs só este é que não chegou.
Veja lá que algo se está a passar com o seu Blog que corta automaticamente comentários depois de os ter dado como recebidos.
De fernando a 5 de Março de 2008 às 17:45
Amigo Cesar (de orquestra também fomos) o que eu penso dos teus escritos é o que tu disseste, é a tua verdade ou a transcrição do que lês com a tua interpretação.
A interpretação que fazes das pessoas que escrevem anónimas é que não me parece justa, não analisas o porquê e tu sabes, um funcionário da Câmara, nunca poderá por o nome ainda que o faça para dizer bem já que, se ficava bem com o chefe, ficaria mal com os colegas, é a tua verdade.
Estás a ler um livro sobre a Pide/dgs, antes que a tua interpretação fique condicionada só pelo livro vou contar um episódio que se passou comigo.
EM 1970 estava em Bedanda um aldeia da guiné quando vi um DGS dar uma senhora sova num nativo, fiquei indignado e disse o que me ia na alma, a sova continuou e durante toda a noite ouvi os gemidos de dor.
Por volta das seis da manhã, sou acordado pelo tal agente que me pediu para colocar uma barragem na estrada para não deixar passar ninguem para o "Porto"(local onde chegavam os barcos com os n/abastecimentos).
Assim fiz mas, sou informado que umaBERLIE(CAMIONETA) já tinha passado e minutos depois houvimos uma esplusão enorme. Um morto, três fridos graves e muitos feridos ligeiros. O tipo tinha vomitado tarde demais e agora tu dirás se deviam ter sido mais ou menos violentos e se poderiam ou não ter salvo uma vida.
Não quero polémicas quero é que a minha verdade possa ser interpretada por todos como sujeita a opiniões diferentes e sujeita a criticas, e continuo a pensar que é muito, mas mesmo muito fácil ser politicamente correcto.
De fernando a 5 de Março de 2008 às 17:47
Amigo Cesar (de orquestra também fomos) o que eu penso dos teus escritos é o que tu disseste, é a tua verdade ou a transcrição do que lês com a tua interpretação.
A interpretação que fazes das pessoas que escrevem anónimas é que não me parece justa, não analisas o porquê e tu sabes, um funcionário da Câmara, nunca poderá por o nome ainda que o faça para dizer bem já que, se ficava bem com o chefe, ficaria mal com os colegas, é a tua verdade.
Estás a ler um livro sobre a Pide/dgs, antes que a tua interpretação fique condicionada só pelo livro vou contar um episódio que se passou comigo.
EM 1970 estava em Bedanda um aldeia da guiné quando vi um DGS dar uma senhora sova num nativo, fiquei indignado e disse o que me ia na alma, a sova continuou e durante toda a noite ouvi os gemidos de dor.
Por volta das seis da manhã, sou acordado pelo tal agente que me pediu para colocar uma barragem na estrada para não deixar passar ninguem para o "Porto"(local onde chegavam os barcos com os n/abastecimentos).
Assim fiz mas, sou informado que umaBERLIE(CAMIONETA) já tinha passado e minutos depois houvimos uma esplusão enorme. Um morto, três fridos graves e muitos feridos ligeiros. O tipo tinha vomitado tarde demais e agora tu dirás se deviam ter sido mais ou menos violentos e se poderiam ou não ter salvo uma vida.
Não quero polémicas quero é que a minha verdade possa ser interpretada por todos como sujeita a opiniões diferentes e sujeita a criticas, e continuo a pensar que é muito, mas mesmo muito fácil ser politicamente correcto.
De Anónimo a 5 de Março de 2008 às 19:14
Caro fernando, pode repetir? Antes traduzir ?
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