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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Queres casar comigo?

Hoje em dia de S. Valentim, resolvi dedicar este texto a todos os namorados deste país.

 

PEÇA DE TEATRO em 1 ACTO

Cenário: Um qualquer restaurante em Lisboa durante o jantar de comemoração do dia dos namorados.

Intervenientes: José Maria – Bancário em serviço no Banco XPTO na Ota

                          Maria José – Funcionária de Chek-in no aeroporto Alcochete

                          Ambos moram em Lisboa em casas dos respectivos pais.

Abre-se o pano de cena.

José Maria encontra-se sentado numa mesa aguardando a chegada de Maria José de flor na mão. Entra a Maria José.

 

JM – (levantando-se e entregando a flor) Oh meu amor, muitos parabéns pelo dia! Que daqui a um ano estejamos a comemorar o dia, mas noutras circunstâncias.

MJ – (sentam-se os dois depois de uns beijos e abraços). Oh meu amor! Muito obrigado por podermos estar a jantar juntos. Mas diz-me, o que queres tu dizer com “ o daqui a um ano estarmos a comemorar este dia noutras circunstâncias?

JM – Queres casar comigo?

MJ – (emocionada) Sim, sim, sim!!! Que surpresa tão grande! Foi a melhor prenda que me podias ter dado! És um amor!

 

Segue-se um diálogo mais ou menos lamecha próprio da ocasião.

 

Até que …

 

JM – Sabes querida, sabendo que irias dizer sim, já há uns tempos que ando a namorar uma casita na Ota. Era perfeita para nós e até tem mais um quartinho pequeno para quando resolvermos ter um filho.

MJ – Oh José, como podemos nós ir viver para a Ota se eu trabalho no aeroporto? Sabes que por vezes faço serviço nocturno e quando sair tenho ainda que ir para casa que fica tão longe? Isso é quase impossível!

JM – Mas Maria, isto do casamento sempre envolve sacrifícios!

MJ – E se comprássemos a casa em Alcochete? Sempre ficava mais próxima do emprego e o que seria até bom quando tivéssemos um filho!

JM – E então tinha eu que ir e vir da Ota todos os dias? E quanto custa uma casa em Alcochete? E quem tomaria conta da criança até eu chegar a casa? Só num infantário que nos custará o couro e o cabelo! E onde vamos nós arranjar dinheiro para isto tudo?

MJ – Para mim, a Ota está fora de questão! Já viste o que é uma senhora passar umas horas em transportes públicos sozinha, sujeita a tudo e mais alguma coisa? Assim não!

 

A conversa começa a entornar-se …

 

JM – Bem, então a opção é irmos morar para casa dos meus pais em Lisboa e assim cada um só faria metade do caminho em transportes públicos!

MJ – E como queres tu que possamos fazer a nossa vida com os pais que tens e que até não gostam lá muito de mim? Fora de questão! Ainda se fossemos para casa dos meus?

JM – Eu para dos teus pais nunca. A viver naquele cubículo onde 2 pessoas já são muitas, quanto mais quatro?

 

Silêncio.

 

Passados uns minutos a meditar …

 

JM – Olha Maria José, penso que só nos resta uma solução: ficarmos como estamos e cada um continuar a viver em casa dos pais.

MJ – (soluçando) Pois é, o melhor é esquecer o casamento.

 

Continuando a jantar e de mau humor, baixa o pano.

 

Jacinto César 


Tasca das amoreiras às 00:02
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2 comentários:
De Anónimo a 14 de Fevereiro de 2008 às 11:33
Então quer dizer que casar .... "jamais", como dizia o outro. Texto muito engraçado.

www.cidadelvas.blogspot.com


De Jacinto César a 14 de Fevereiro de 2008 às 15:18
Acredito que não tenha sido suficientemente irónico, mas o que pretendo frisar são as dificuldades que os jovens têm hoje em conseguir ter a estabilidade suficiente para dar o “nó”. As minhas desculpas para quem foi induzido em erro, mas ao contrário da maioria o “meu negócio” são os números e não as letras.


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