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Segunda-feira, 14 de Outubro de 2013

A intolerância dos movimentos

 

 

 

O povo português é por natureza um povo tranquilo e sereno. Está mais na sua génese o protestar baixinho e para pequenas plateias. Já no tempo da outra senhora assim se fazia e assim se continua a fazer. Resumindo: somos um povo manso.

Isto vem a propósito das polémicas sobre as corridas de touros em Portugal.

Gostaria primeiro de vos contar uma história e depois de vos apresentar alguns números estatísticos.

Todos se recordam da polémica causada pelos touros de morte em Barrancos, legalizadas extraordinariamente há cerca de 10 anos atrás. Todos nos lembramos nos anos imediatamente anteriores à sua legalização, as “touradas” que havia antes de começar a tourada propriamente dita. Deslocavam-se para Barrancos milhares de pessoas, umas para apoiar a corrida e outros para protestarem. Eu que não gosto de touradas, recordo-me um ano em que estive vai, não vai, para ir até lá assistir às “primeiras touradas”.

Depois veio a legalização. E que aconteceu? Aos poucos e poucos as assistências foram diminuindo e penso que actualmente a festa de Barrancos está condenada a desaparecer.

São as polémicas que atraem os curiosos, mesmo aqueles que se estão nas tintas para tudo.

Nada tem a ver com as touradas, mas todos se lembram também da polémica causada pelo livro de José Saramago, “O evangelho segundo Jesus Cristo”. Falou-se tanto no assunto em todos os órgãos de comunicação social e na polémica que o livro levantou na comunidade católica, que o livro acabou por se vender às toneladas, mesmo que a grande maioria das pessoas nunca chegasse a ler uma única página. O mesmo aconteceu com os “Versículos satânicos” de Salman Rushdie.

O que é que eu quero dizer com tudo isto? Quanto maior for a polémica, maiores são os benefícios para a causa. Eu próprio noto isso com aquilo que escrevo: quando escrevo qualquer texto mais polémico, os leitores aumentam exponencialmente.

Não sei se considerar este fenómeno, um fenómeno psicológico se sociológico. Os especialistas no assunto que se pronunciem.

Vamos então aos números das touradas e à sua evolução ao longo destes últimos anos.

O número de corridas em Portugal em 2011 foi de 311, tendo diminuído o seu número para as 250 no ano seguinte. Por aquilo que sei, estão previstas este ano até 8 de Novembro, data do encerramento oficial da época, 234, com a possibilidade de muitas das que ainda faltam fazer virem a ser anuladas. Ou seja, aos poucos e poucos o desinteresse por um lado, a consciencialização das pessoas por outro, estão a fazer o seu trabalho e acabar com elas. Os números falam por si.

E a que conclusão quero eu chegar? É que todos os movimentos anti-touradas em Portugal, estão a produzir um efeito contrário ao desejado ao criarem as polémicas. Veja-se o caso de Viana de Castelo. Segundo um amigo meu que nessa cidade reside, se não tivesse havido a polémica que houve, com pancadaria e tudo, o mais certo era nem ter havido tourada pelo desinteresse que as pessoas aí têm demonstrado pela festa brava. Assim, a praça encheu-se.

Caros amigos anti qualquer coisa: quanto mais barulho fizerem, mais prejuízos causam à causa que defendem. O povo português é assim e não há nada a fazer.

 

Jacinto César   


Tasca das amoreiras às 14:15
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5 comentários:
De JF a 14 de Outubro de 2013 às 17:14

Caro Sr. Jacinto César,


Não venho aqui trazer conclusões só alguns temas para reflexão:


Os números de touradas em Portugal nos últimos 20 anos são estes:
1992 --- 299; 1993 --- 303; 1994 --- 262; 1995 --- 280; 1996 --- 255; 1997 --- 330; 1998 --- 313; 1999 --- 366; 2000 --- 365; 2001 --- 368; 2002 --- 383; 2003 --- 351; 2004 --- 297; 2005 --- 291;
2006 --- 278; 2007 --- 318; 2008 --- 310; 2009 --- 311; 2011 --- 278; 2012 --- 260;


Os números mostram que as touradas diminuíram até 1996 onde houve apenas 255. Voltou a subir até atingir as 368 em 2001, tendo reduzido até baixar aos 278 em 2006.


De 2007 a 2009 subiu novamente aos 310 e desde 2011 tem vindo a cair.


Algumas Razões

Económicas: As evoluções económicas têm ditado muitas das subida ou descidas do número de festejos taurinos. Tivemos uma primeira crise económica em 1992/93 que fez baixar o número tal como está a faze-lo desde 2011. Os períodos melhores da economia do Pais fizeram com que houvesse crescimento, desde logo em 1998/99 no período que definiu a paridade do euro. De 2011 até hoje, a crise brutal tem afectado todos os sectores de actividade portugueses e a esta redução do número de corridas não será alheia à crise do Pais.


De Anónimo a 14 de Outubro de 2013 às 17:14

Da festa: o final da década de 90 viu fechar várias praças por falta de condições, como foi o caso do Campo Pequeno entre outras. Em 2006 foi reinaugurado o Campo pequeno e seguiram-se Elvas, Évora e Redondo o que fez disparar o número de touradas.


TV: as tvs privadas viraram se para o futebol e reduziram o número de corridas televisionadas até 2005. Com o aparecimento do Campo Pequeno e da dinâmica de marketing desta empresa passaram a dar outra alma às corridas com a atracão dos chamados «famosos» que se sentaram invariavelmente na barreira e foram alvo dos holofotes televisivos.


 Anti taurinos: aumento da ação das associações anti taurinas que desenvolvem lobbies na imprensa, tv’s e sobretudo no parlamento, depois da região da Catalunha se ter mostrado contra. Estas acções tem permitido um olhar diferente por parte da opinião publica, tendo primeiro a SIC, depois a TVI  e este ano a RTP reduzido o número de transmissões.

Catalunha: a interdição às touradas desta região espanhola tem sido vista como uma forma de afirmação e separação até de costumes em relação ao resto da Espanha. Há até quem afirme que no dia em que a Catalunha for independente volta a haver touradas. Realça-se que em França e na América do norte continuam a realizar-se muitas touradas e os números não mostram redução de corridas. De qualquer das formas, a tourada espanhola é de uma violência superior à portuguesa que envolve cavalos e não mata o touro.


De JF a 15 de Outubro de 2013 às 15:31

Devemos ter algum cuidado em analisar este assunto porque na nossa região as touradas envolvem muita gente.

Há aqui no Alentejo muita gente que vive deste ofício. Ganadarias e coudelarias.
Há toureiros e banderilheiros que vivem com as suas equipas deste trabalho.
O cavalo lusitano é mantido e desenvolvido por ser um dos que melhor enfrenta o touro. As touradas também ajudam a preservar as especies.
Sem corridas o touro bravo deixa de ter interesse comercial e como é de dificil maneio iria ser confinado a zoos.

Ha milhares de aficionados que pagam o seu bilhete.

Há muita solidariedade no meio que ajuda quem precisa. Em Elvas, quer Bombeiros quer APPACDM sabem bem o que se diz.

Temos uma praça das melhores de Portugal que felizmente também permite fazer multi usos do local.

Temos praças nas aldeias.

Este ano, mesmo em crise o Coliseu encheu duas vezes e ficou a 3/4 em mais tres corridas.

Estamos em 2013 ano de grande crise.

não me parece que estejam para acabar com mais ou menos barulho.

No futuro esta actividade irá reduzir e os poucos que ficarem serão muito bons e muito bem pagos e será um espectaculo muitíssimo caro.
Se falarmos dentro de 50 ou 70 anos talbvez possam extinguir-se as touradas e todo este meio de vida, mas e os demais meios de subsistencia serão iguais.
Haverá por exemplo futebol regional?


De Maria João B. a 16 de Outubro de 2013 às 06:03

Que fixe, tantos comentários de aficionados. Só não publica é comentários de antis.
Muito bem, vejo que voltámos à ditadura.
Vou deixar de vir a este blog da treta.
E como eu muita gente deixará de vir, agora que só publica o que lhe interessa.
FASCISTA!!!!


De Maria João Ramos a 19 de Outubro de 2013 às 15:12
Sou de Viana do Castelo e estive na manifestação contra a tourada; só uma pequena correcção; a "praça" encheu-se mas foi com os autocarros que vieram de fora do distrito, pagos não sei por quem...Viana do Castelo já se pronunciou e não quer (repito: NÃO QUER) touradas na sua festa grande, que é a festa dos pescadores à sua Senhora da Agonia. Por isso, se voltarem a tentar fazer touradas, contem connosco na oposição, porque tourada não é cultura, é sadismo puro e acéfalo. Evoluam, que é uma coisa que até o meu GPS consegue fazer!


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