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Domingo, 15 de Setembro de 2013

A desertificação do Centro Histórico de Elvas

 

 

 

No sábado e através da Rádio Elvas ouvi o debate entre os candidatos à presidência da Câmara de Elvas. Estive como muita atenção ao que cada um disse, mas todos se referiram a um problema e como resolvê-lo: a desertificação do Centro Histórico. O problema está aí! Como combatê-lo?

Recuemos aos anos 50 do século passado, época em que o viaduto rompeu as muralhas para permitir um melhor acesso à cidade e que para esta se expandisse. Em 1958 e se bem me recordo, a minha família foi uma das primeiras a abandonar o centro para os 3 edifícios que a então Caixa de Previdência tinha construído na futura Av. António Sardinha. Ao todo foram 40 famílias. Por essa época havia “fora de portas” meia dúzia de vivendas no Bairro de Santa Luzia e umas quantas habitações no Bairro da Boa-Fé, sendo que deste último me recordo muito mal. Recordemos que então a cidade tinha sensivelmente a mesma população que tem hoje.

Como é natural, os filhos dos moradores no centro quando casavam, aspiravam uma independência que a não tinham se continuassem a viver em casa dos pais onde coexistiam 2 ou mais gerações “ao molho”. Como não haviam casas no centro começaram a pensar em emigrar para a periferia o que foi acontecendo lentamente. As casas fora do centro foram crescendo há medida das necessidades, ou seja, a expansão urbanística foi feita de uma forma sustentada.

Até aqui tudo bem.

Até que …

A partir da década de 80 e 90 aconteceu um fenómeno que deu origem ao problema actual. E qual foi esse fenómeno? As câmaras viram na expansão desenfreada da cidade uma mina de ouro. Foram urbanizações a crescerem como cogumelos, foram loteamentos de terrenos a serem feitos de uma forma selvagem e finalmente os bancos a “oferecerem” o dinheiro para a aquisição destas ao preço da “uva mijona”. A construção civil era rainha em Elvas.

Resultado final:

1 – As casas já eram mais que os habitantes (uma força de expressão) e que eram em número suficiente para albergar o dobro ou o triplo da população;

2 – A ambição desmedida dos construtores levou-os a construir mais e mais até à falência total;

3 – Os bancos que patrocinaram muitas dessas urbanizações de um momento para o outro viram-se com o menino nos braços e sem solução;

4 – Os donos dos terrenos que não se meteram no negócio mas que venderam aos construtores viram-se de um momento para outro com as mais valias dos seus terrenos com preços inflacionados;

5 - Finalmente a Câmara Municipal que fazia o licenciamento de tudo isto ia arrecadando as taxas e licenças, sendo que era a única a ganhar neste processo todo. Para ela, tanto se lhe dava que as casas fossem vendidas ou não, que os empreiteiros fossem à falência e que os bancos ficassem a perder com os negócios que tinham feito.

 

Resumindo, à Câmara Municipal saiu o Jackpot deste jogo em que muita gente participou.

 

Para finalizar deixo uma pergunta à qual não dou a resposta, ou antes, peço que cada um pense no assunto e dê a resposta: QUEM É QUE É CULPADO DA DESERTIFICAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO?

 

 

Uma boa semana para todos

 

Jacinto César

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Tasca das amoreiras às 16:09
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12 comentários:
De Zarojo a 15 de Setembro de 2013 às 17:00
A culpa é evidentemente do fim do estacionamento livre.


De um dia para o outro apareceram os jardinzinhos da Rua da Cadeia, Largo da Misericórdia, Praça 25 de Abril (este último com finalidade acessória de esconder a Fonte do Cavalinho).


Depois foi "um vê se te avias":
  • Praça da República (que podia ter estacionamento grátis à superfície), não me refiro evidentemente sobre o tabuleiro.
  • Junto à Sé;
  • Na Alcáçova;
  • Na Rua de São Lourenço;
  • Rua da Feira;
  • Muralha na Praça 25 de Abril;
  • E até imagine-se... junto à Faceira da Cisterna desde as portas da Esquina;
  • Mais um largo etcétera!



Ao destruir o estacionamento livre as pessoas foram obrigadas a abandonar o Centro, é indignante acordar de manhã e ver estacionamento pago à porta de casa.


O argumento é a defesa das nossas muralhas?
Então porquê o estacionamento em cima das muralhas dos 2 lados das Portas de Olivença?


Ao acabar com o estacionamento livre destruiu-se também o Comércio Tradicional, ir ao Centro só como último recurso!


Aí aparecem os iluminados a afirmar: "vou às Finanças e ao Banco Espírito Santo e pago só€0,10"  !!!!


Logo com má intenção "esquecendo" que quem trabalha no Centro não tem meios para pagar o estacionamento 10 horas por dia!


Depois aparecem outros "inteligentes" a afirmar que é assim em todo o lado, esquecendo que os comerciantes das capitais de distrito se queixam do fim do estacionamento livre!


De Zarojo a 15 de Setembro de 2013 às 17:10
Depois arranjam aqueles "pseudo-paliativos como animação e iluminação no Natal, com um fraterno abraço com as associações de empresários para a fotografia!


E as 25 casinhas recuperadas que dentro de 8 ou 9 anos terão que ser oferecidas como oferecido foi o Bairro das Caixas, porque o dinheiro das rendas não chega para a manutenção...


Ou seja afastaram-se os potenciais investidores de imobiliário Promotores/Construtores/Senhorios que poderiam construir habitação de qualidade - com garagens interiores de motorização normal, 2 carros por fogo...
Para levar gente sem recursos para o Centro!


Naquilo que mais parece... usar recursos municipais para angariar votos!


PS: Muito interessante seria conhecer as contas dos "100 fogos da Boa Fé", "presente envenenado" ou "bomba de relógio" para o futuro!


De Anónimo a 15 de Setembro de 2013 às 17:11
TODOS
Aqueles que levam meses sem irem á cidade. (Como dizemos quem vive nos bairros)
Aqueles que quando precisam comprar alguma coisa, o carro como que automaticamente,apanha logo a estrada para Badajoz.
Os nossos comerciantes que não souberam ou não puderam revitalizar o comercio.
As grandes superficies que "desviaram" os clientes do centro histórico.
O" Luis Simões, a Flor, o Pina Martins, a Pimar, o Carvalho & Sobrinho, a Rodoviária, o Hospital, o Refúgio, a Estalagem D. Sancho, onde estão?
As sucessivas Camaras que não planificaram o parque habitacional de forma a equilibrar o centro histórico e os bairros, só lhe interessando o dinheiro dos licenciamentos, fora o que "escorria".
Enfim todos temos culpa para o estado em que o centro histórico se encontra.
Todos menos tú Jacinto, que deste o teu contributo para que tal não aconteça visto que foste habitar novamente para o Burgo.
JF 


De Anónimo a 15 de Setembro de 2013 às 17:15
TODOS
Menos tú, que voltas-te ao Burgo.


De Anónimo a 16 de Setembro de 2013 às 11:31
A proposito do ponto 5 e para ilustrar o que a camara ganhou com a proliferação de urbanizações a quinta da carvalha foi vendida por 140.000 contos ao empresário e este só para legalizar a urbanização pagou de taxas á camara 360.000 contos!!!
As urbanizações aprovadas em Elvas só serão todas ocupadas quando Elvas tiver 75.000 habitantes dou um exemplo de uma urbanização aprovada há muitos anos entre o Hotel Varche e a auto estrada está aprovada com mais de 250 fogos.O dinheiro já foi recebido os futuros presidentes não vão receber nem mais um centimo. BR>


De Anónimo a 16 de Setembro de 2013 às 16:22
vão vão o IMT antiga SISA


De Isabel I a 16 de Setembro de 2013 às 11:50
A desertificação dos centros históricos é um problema global, comum a cidades de todo o mundo e como sabe tem a ver com o transito, o estacionamento, o tamanho das casas e a sua decadência, uma multiplicidade de factores que seria cansativo enumerar. Este problema, alvo de estudos e acompanhamento de especialistas, tema de teses e pesquisas, não tem por enquanto solução à vista e as cidades apenas conseguem sucessos pontuais com programas de revitalização e planos urbanisticos. No nosso país a cidade de Lisboa é uma das que mais sofre,com os bairros populares e mais antigos ( Mouraria, Alfama, Bairro Alto p.ex.) quase completamente vazios de gente. O caso de Elvas não é único, longe disso e pelo que conheço, nem é dos mais graves.


De Anónimo a 16 de Setembro de 2013 às 15:31
Condições de habitabilidade gravemente agravadas nos últimos 20 anos como no primeiro comentário se explicou.


De anty cesar a 16 de Setembro de 2013 às 16:17

Respondo:
è o Rondon

e mais,  até dia 29 o Rondon é o responsável de tudo de mau que aconteceu e venha a acontecer a Elvas.

voce devia perguntar ao PSD porque trouxe um candidato que ninguem conhece e que desconhece o estado real do concelho?
Já disse, um fantasma.

voce devia perguntar ao CDS se não tem vergonha de ter um candidato destes que só sabe criar problemas? Foi a um debate e apanhou no ar aquilo que julgava ser a forma de eliminar um concorrente. Para ele, faxista, o que interessa é que os outros nem concorram, como no tempo do avó que os faxistas era escolhidos pelo regime. Um hipocrita, um demagogo. Só quer o tacho.

o BE e a CDU coitados nem gasto uma letra.

e o PS? mete este senhor que fazia tudo, ate vender a avó para ser ele presidente. Foi do PSD quando era o Crapentero, teria sido do PCP se fosse mais velho no tempo do Annibali. Porque o outro, aquele de quem voce se queixa, o Rondon  não pode concorrer outra vez.

daqui por 4 anos lá vem ele. e fica até ir para o vale das tabuletas.

quer mais?
acostume-se que isto não muda. se não gosta podia ter comprado uma quintarola na Calçadinha

O dia que o PSD escolher um candidato, exigir que o gaiato vá para assessor em Lisboa e consiga juntar o CDS, mais todos os contra, nesse dia Elvas muda.

O senhor está cá há muito tempo. de acordo. mas também o deixam lá estar.
não houve melhor e assim com estes cromos também não há.

Nota final de respeito:Ninguem se dignou a dirigir uma palavra sobre Troneiro. Lamento que o senhor esteja doente e não possa concorrer. Fazia falta a sua animação e irreverencia. Na radio parecia a bancada presidencial do Sporte a falar para os dirigentes  adversários quando marca um golo "desculpe lá termos marcado"






De Anónimo a 16 de Setembro de 2013 às 16:21
A D.Isabel I vem dar o seu ponto de vista com o direito que lhe assiste, naturalmente.
Mas permita-me que refute algumas afirmações que fáz, concretamente que é um problema geral de todas as cidades, ora isso é uma verdade de La Palisse, por isso mesmo é que a situação tem que ser invertida.
Resolvendo estes problemas é que vê a qualidade dos políticos. (Não é por berrarem muito nos comícios)
Por acaso a actual Camara até está a dar uma pequena contribuição para inverter a situação, nomeadamente, recuperando algumas casas no centro histórico com todas as condições da actual época que vivemos. (Não sei só criticar).
Mas falta fazer muito mais, aconselhava a quem de direito a visitarem a cidade Francesa de Dijon, e tirarem algumas ideias.
Díz a D.Isabel I que o caso de Elvas não é dos mais graves, gostava que a Senhora se desse ao trabalho de se informar quantas pessoas habitam na principal praça da nossa cidade, a Praça da República, se calhar os dedos de uma só mão sobram.
Duarte Pacheco    


De Isabel I a 16 de Setembro de 2013 às 20:12
Sr. Duarte Pacheco, no Rossio em Lisboa ( Praça D. Pedro V) mora uma pessoa. 


De Anónimo a 17 de Setembro de 2013 às 15:03
E quem decide sobre o Centro não mora no Centro, tendo até no Centro lugar de estacionamento reservado e gratuito.


Lamentavelmente.


Assim se promove a "debandada" do Centro!


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