Confesso que ontem quando ia a caminho do Cine-Teatro ia um pouco apreensivo no que aquilo iria dar. Pensei cá para com os meus botões que iríamos ter um comício político. Enganei-me quase por inteiro. O “quase” fica para o fim.
Depois da apresentação do orador feita por Tiago Abreu, Adolfo Mesquita Nunes foi para mim uma surpresa. Despido da “farda” institucional de Secretário de Estado, o orador fez uma resenha do que foi o turismo no passado, o que é hoje e o que espera do futuro como uma indústria que tem que ser melhor coordenada com outros sectores de actividades económicas. Falando de improviso e de um modo informal, foi muito claro na sua intervenção mesmo depois, durante o período de perguntas e respostas. Mostrou como seria natural um desconhecimento da realidade local e regional, mas cumpriu em meu ver o seu papel sem misturar o tema com política.
O melhor – Foi sem dúvida a clarividência do orador principal e o modo como se apresentou.
O pior – Quando ao princípio falei no “quase”, referia-me a Tiago Abreu. Não pela introdução que fez, mas pela sua segunda intervenção. Era muito difícil não por o pé na argola e deu vários tiros nos pés.
Começou logo ao congratular-se pelo trabalho da equipe que levou Elvas ao tão almejado título de Património da Humanidade, coordenada pelo Prof. Domingos Bucho e pela coordenadora do projecto da CME. Foi incapaz de referir o nome da Dra. Elsa Grilo. Problemas antigos devem-no ter feito jurar que nunca pronunciaria tal nome. Mas adiante. Nessa fase do discurso saiu-lhe algo que quero acreditar que não foi dito por mal, mas por desconhecimento, ao afirmar que o Embaixador de Portugal junto da Unesco, Embaixador Seixas da Costa não foi homenageado pela autarquia pelo contributo que deu no processo. Ou sou eu que estou com arteriosclerose avançada ou lembro-me de naquele mesmo local ter visto o Embaixador ser homenageado. Só não me recordo se foi com a Chave da Cidade se com o Diploma, mas que foi, foi, juntamente com o Prof. Domingos Bucho, a Dra. Elsa Grilo, o Eng. Mário Batista e mais alguns que não recordo. Foi um tiro e peras.
Logo de seguida louvou o trabalho feito pelo referido embaixador e pelo grande apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiro.
Caro Tiago, ou não lhe contaram bem a história ou então quis para o seu “Ministro” os louros que não teve. Se não sabe a história eu conto-lha tintim por tintim e ao pormenor. Basta recordar-lhe que o embaixador foi a S. Petersburgo a negociar a não despromoção do Douro vinhateiro que estava em risco e não por Elvas. Mas se quiser posso contar-lhe a história toda. Esta foi a parte lamentável da sessão que no geral foi boa.
PS – Se quiser responder, está à vontade de o fazer sem o perigo de aparecerem os “tais” já que de há uns dias atrás passei a moderar os comentários.
Jacinto César
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