Ou são os nossos governantes que estão loucos, ou então sou eu que já não digo coisa com coisa!!
Não me vou pronunciar aqui sobre as 40 horas semanais noutras profissões, porque desconheço a especificidade de cada uma delas. O que vou escrever é somente sobre a educação.
Senhor Ministro (bem, eu já nem sei bem a qual me dirigir, se ao da Educação se ao das Finanças).
Presumo que qualquer dos senhores seja pai e presumo também que qualquer de vós quando chega a casa depois das árduas tarefas governativas vá sem paciência para aturar as traquinices dos vossos rebentos. Somos todos iguais nesse aspecto, já que a vida não está fácil para ninguém. Mas vejamos o seguinte: já reparam bem o que é ter um ser humano (o professor) metido numa sala 8 horas por dia a aturar entre vinte a trinta “criancinhas iguais às vossas” a cada hora?
Agora falando mais a sério, será senhor Ministro da Educação, que como professor que foi, que sabe o que representa tal medida? A loucura! Sim, a loucura. Como é que é possível o senhor que já foi professor compactuar com tal tortura? Por acaso quer encher os manicómios com professores? Quem o ouviu e quem o ouve. Ou o senhor tem dupla personalidade ou então não passa de mais “um” agarrado a um tacho e não o quer largar, nem que para tal tenha que cometer actos inqualificáveis. Chama a isto educação de qualidade? Prezo-me de durante quase 40 anos ter cumprido bem as minhas funções como professor (não me isento de qualquer erro que tenha cometido), mas digo-lhe, se ainda estivesse no activo passaria metade das aulas a “fingir que ensinava”.
Agora para si, senhor Ministro das Finanças: explique-me lá como se eu fosse muito burro (se calhar até sou). O senhor aumenta o número de horas de trabalho. Muito bem. Em que é que tal resulta? As pessoas trabalham mais, ganham o mesmo e consequentemente descontam o mesmo. Certo? Mas ao aumentar para 40 horas semanais os horários dos professores, fará com que em Setembro, 30 ou 40 mil destes profissionais fiquem no desemprego. Certo? E no que é que isto vai resultar? Poupa o vencimento dos 30 ou 40 mil professores que vão parar ao desemprego, que irão receber o respectivo subsídio e que deixarão de fazer descontos. Certo? Resultado final, teremos mais desemprego, menos descontos, mais despesa, menos consumo e tudo o que a este está associado. Certo? E o que é que ganhamos? Uma educação que deveria ser melhor cada vez mais a degradar-se.
Caros senhores ministros, eu posso não estar lá muito bom da cabeça, no que acredito piamente, mas os senhores estão loucos de todo. Para os senhores o manicómio já não chegava. Tinham que ficar em selas isoladas para não contagiar mais ninguém.
Jacinto César
Blogs de Elvas