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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2012

Tem que haver solução

 

 

Eu vou tentando abstrair-me do que se vai passando à minha volta, pois não posso resolver nada, mas por vezes ainda vou lendo e ouvindo o que se passa no nosso pobre país. Choca-me ler casos como os que relato abaixo. Choca-me ver pessoas que já viveram bem passarem mal. Choca-me ver a terceira idade em dificuldades crescentes. Choca-me ver os jovens do nosso país serem convidados a sair do país.

Não sei para onde caminhamos nem tão pouco qual o fim da viagem. E isso incomoda-me bastante. Poderia ser um caminho tortuoso, mas que vislumbrássemos o fim. Mas não. Jamais pensei em ver o meu país chegar a este estado. E onde iremos parar?

  

“Numa altura em que, no Parlamento, os deputados debatem o mais austero Orçamento da história da Democracia, no terreno os portugueses dão sinais de estar em ruptura económica.

Com a austeridade imposta, há cada vez mais pessoas a regressar a casa dos pais. É o caso de José Silva, nome fictício, diz que já teve tudo: um bom ordenado, um trabalho de que gostava e que lhe permitiu viajar pelo mundo inteiro. Hoje, sobrevive à custa da família e dos amigos.

“É triste. Eu, que sai de casa aos 17 anos, que toda a vida vivi à minha conta, nunca pedi um tostão aos meus pais, de há quatro ou cinco anos para cá, se não fossem eles, não sei o que seria de mim”, conta à Renascença.

São os pais que ajudam a pagar as contas e é a casa dos amigos que, muitas vezes, vai jantar.

“Basicamente, deixei de fazer duas refeições por dia. Se almoço, basicamente quase não janto. Emagreci. Estou muito mais magro”, constata este operador de câmara, a quem a vida trocou as voltas por causa de um acidente de viação, que o obrigou a estar sem trabalhar durante alguns anos.

Quando voltou ao mercado, arranjar emprego tornou-se quase impossível. E a realidade difícil de suportar.

“Os anos passam e um jovem de 45 anos em Portugal é um velho. Um velho que não serve para nada”, diz José Silva, que está medicado para manter a saúde mental.

“Pelo menos, faz com que não passe a vida a chorar, com maus pensamentos”, afirma.

Para quebrar o ciclo vicioso em que está metido, qualquer saída parece boa: “Sou daquelas pessoas que sempre disse que nunca sairia daqui, mas de há um ano e tal para cá só quero sair daqui”.

Cansado de biscates e de respostas negativas, José Silva está inscrito numa série de empresas que procuram mão-de-obra para trabalhar no estrangeiro.

Cada vez tem menos aulas para dar. Recebe 200 euros por mês

Pedro Duarte é professor de música e viu-se obrigado a voltar para casa dos pais, porque cada vez tem menos aulas para dar.

“É um bocado difícil ter de voltar a pedir dinheiro aos pais, depois de ter perdido tanto tempo a estudar, a tirar a licenciatura e voltar à estaca zero – aliás, menos um. Uma pessoa tem projectos que ficam a meio do caminho”, afirma à Renascença.

Os pais sempre estiveram dispostos a ajudar. Graças à família, não lhe falta pão e casa. Mas ficou sem independência. Reconquistá-la é agora o maior objectivo. E emigrar parece, cada vez mais, ser a solução.”

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 16:20
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1 comentário:
De Anónimo a 2 de Novembro de 2012 às 16:29
Pediu autorização ao manuel Figueiredo para usar a fotografia dele no post anterior?


Como é que depois do "corte de relações" tem o descaramento de usar uma foto do rapaz????


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