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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Os políticos de aviário

 

 

 

Antes de mais, quero aqui lamentar e prestar a minha homenagem a um Grande Senhor que tive o privilégio de ouvir cantar em Coimbra várias vezes e quase na clandestinidade e que morreu hoje: LUÍS GÓIS. Grande animador e dinamizador do fado de Coimbra deixou-nos hoje.

 

 

Ontem ouvi o Provedor de Justiça dizer uma coisa que me deixou a pensar e que acabei por concordar: fazem falta no governo homens de cabelo branco. E é verdade. Se olharmos para estes últimos anos dos governos de Portugal, a grande maioria dos seus elementos são políticos profissionais saídos das “escolas” dos seus partidos, sendo que a maior parte deles nunca teve um trabalho igual a todos os cidadãos e que lhes conferiria uma experiência diferente. São autênticos políticos de aviário fabricados pelas máquinas partidárias.

Esta tarde de conversa com um amigo concordámos que para ser um bom governante, não é necessário ser-se doutor disto ou daquilo, mas fundamentalmente ser alguém que tenha uma noção de quem vai governar e que tenha bom senso, além de qualidades para o cargo que vai desempenhar. Basta lembrarmo-nos de alguns casos de sucesso nestes últimos anos como John Major, Lula da Silva ou Lech Walesa.

O que tem acontecido por cá tem sido exactamente o contrário. De verdade têm canudo mas fazem-lhes falta os outros predicados. Penso que a actual crise é resultado disso mesmo.

 

Jacinto César

 

JELCH – (Parte 2)

 

 

            Até aqui a descrição da almedina, que assim costumavam chamar os árabes á parte mais vetusta e fortificada das suas cidades.

            De ela nos restam ainda: uma parte dos muros do castelo, construindo de taipa sem revestimento de cantaria, em que, se descobre entaipada uma porta ogival, a da tradição, voltada ao norte - a mesquita transformada em igreja paroquial da Alcáçova, com o campanário erguido sobre a mesma torre lavrada, e o  depósito de águas coberto de umas abóbadas assentes sobre pilares de alvenaria - e finalmente quase todo o recinto torreado que a abarcava, cuja porta do nascente, hoje anónima, se chamou por muito tempo porta dos santos, de algumas imagens que nela estiveram colocadas, e a do sul, chamada do Mirandeiro, ou do malhadeiro, nos manifesta um specímen, posto que humilde, das construções árabes de aqueles séculos, monumento que entendemos dever ser conservados de preferência a quaisquer outros, que se supõem coévos de esta dominação, porque este tem uma autenticidade de irrecusável.

            A povoação moderna estendia-se em diversas direcções, orlando as azinhagas que se foram tornando vielas, e em algumas partes conchegando-se em grupos de casaria, separando uns dos outros por hortas e quinchosos mais ou menos extensos; não por jardins, porque a pobreza das edificações árabes que subsistem nos estão dando a entender, que em Jelch não havia esses jardins sumptuosos, nem se erguiam essas cúpulas e minaretes em grandiosos alcáçares e mesquitas, que só campeavam nas grandes capitais.

            Jelch era uma povoação pobre; a sua importância toda provinha da posição que ocupava em relação á capital, e nada mais, e foi esta posição que, no meio das discórdias irreconciliáveis dos muçulmanos, e quando inimigo mais temível, a milícia cristã, se aproximava por vezes, em tom de guerra, das comarcas refrescadas pelo Guadiana, determinaramos poderes públicos a cingir os arrabaldes de novos muros, a fim de protegê-los de uma agressão inopinada de quem quer que fosse.

            Então se lhe traçaram as fortificações que desde o principio temos atribuído aos árabes, posto que Varela suponha que sejam ainda coévas dos godos.

            Estas fortificações de que tratamos partiam de um ponto antigo recinto, entre a torrinha em que começam os quartéis velhos do castelo, e a porta que se chamou dos santos. E porque ficava de dentro esta porta, abriram no sitio uma outra, no muro novo, que recebeu o nome de porta do tempre ou do templo, depois da conquista.

            De todo este lanço não conhecemos vestígios; mas pode ter-se por certo que se encaminhava pela rua dos quartéis coroando a encosta de vila fria até ao local em que está a casa das barcas.

            Num manuscrito do falecido marechal António Joaquim da Gama Lobo vimos que, ao concertar-se a calçada da rua dos quartéis, em Abril de 1853, se acharam os alicerces de esta muralha, atravessando-a da casa das barcas para os dois quartéis que ficavam voltados a S. Paulo.

            Assim devia ser, porque já Varela nos deixou informação de que a ermida de S. Martinho ficava encostada ao velho muro (Theat. Hist. Cap. XXX), e era de aqui que se passava ao extinto laboratório protécnico, onde hoje está a estação telegráfica, formando uma segunda porta que se chamou de S. Martinho depois de meados do século XV.

            Desde o edifício a que nos referimos começam a aparecer distinta e quase interrpompidamente as ruínas de esta muralha, descrevendo uma curva, fortalecida de torres Maiores ou menores segundo as necessidades da defesa, e quase todas quadrangulares, até além da igreja paroquial de S. Pedro.

            Entre a porta de S. Martinho e a do bispo, existiam três torrinhas, a primeira octogonal; da do bispo até á porta que saía no campo da feira (arco da praça ), que até agora não pudemos saber, que nome tivesse, achava-se uma torre grande, a da cadeia, e mais duas torrinhas. Esta porta, por certo a mais frequentada, porque dava serventia para os bazares, que mais tarde fizeram chamar feira àquele campo, e porque defrontava com uma planura extensa, que podia vantajosamente ser ocupada pelo exército que tentasse acometê-la, estava defendida por três torres, muito próximas, uma á esquerda, e duas á direita, todas três encorporadas hoje nos paços do concelho. Pouco depois a muralha principiava a descer em rápido declive até á porta nova (arco da Encarnação), que era a imediata, porque até ao tempo de el-rei D. Manuel não existiu o arco de Santa Maria.

            Este lanço estava reforçado com outras duas torrinhas, além das que defendiam a porta da feira, e junto da ultima havia outra porta falsa como a do castelo.

            A porta nova era uma das mais inexpugnáveis, porque sobre ela se edificara uma torre octogonal, das mais altas e robustas da praça forte, como o afirma ainda o seu estado actual.  


Tasca das amoreiras às 18:22
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