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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

E que venha o 24 de Abril

 

 

 

 

Sim, já sei o que vão pensar ou dizer, mas ando de tal maneira revoltado que sinto saudades do 24 de Abril.

Sei que se fosse antes não poderia escrever o que estou a escrever, nem dizer o que às vezes digo. Mas será que todos nós nos governamos por podermos dizer o que queremos?

Antes do 25 de Abril, havia pobres, havia uma classe média e havia ricos. E hoje? Os pobres passaram a miseráveis, a classe média caminha a passos largos para a pobreza e os ricos continuam cada vez mais ricos.

Vejamos só um das últimas medidas tomadas por este governo. Somemos todos os empregados dos bancos e companhias de seguros, mais os empregados de todas as cadeias de distribuição, mais os empregados das companhias petrolíferas, mais os das multinacionais, mais … Presumo que sejam uns largos milhares de pessoas a quem vão descontar mais 7% no vencimento. Vamos admitir que até é bom para a Segurança Social. E os 7 % que as empresas vão deixar de pagar? Para onde vão? Para criar empregos? Não façam de mim estúpido.

Olhemos para um exemplo concreto e aqui em Elvas. Quantos funcionários tem o Continente (passe a publicidade)? Vamos imaginar que 50. Ou seja, a SONAE vai poupar 7% dos vencimentos destes 50 empregados. Está a poupar dinheiro. Será que vai aumentar o número de colaboradores na proporção daquilo que poupa com os outros? Nem pensar, já que o poder de compra das pessoas vai diminuindo e o mais certo é ainda despedirem mais alguns. Será que estou a ver mal a situação ou será que saiu o Jackpot às grandes empresas?

O raio que os parta, para não dizer outra coisa.

 

Nota – Gostava de ouvir a opinião dos representantes locais dos partidos da coligação governamental sobre o assunto. Está na hora de mostrar o que pensam.

 

Jacinto César

 

A PROVINCIA DE MÉRIDA

 

 

 

            Consolidado o domínio sarraceno no Andaluz, que assim chamaram á Espanha, passou ele a ser administrado como o Maghreb (África Setentrional) por emires nomeados pelos Califas de Damasco, e foi distribuído em seis grandes províncias :  Mérida, no Al-Gharb, ou ocidente, Toledo, Saragoça, Valência, Múrcia e Granada.

            A circunstancia de Elvas estar situada no caminho que ligava Mérida ás grandes cidades de Iéborah, Al-Kassr, Lixbona e Chantireyn, obrigava-a necessariamente a que não permanecesse indiferente ás lutas civis, que esfacelaram a Espanha, desde que no ocidente principiaram a repercutir-se mais acentuadamente os ecos estridentes dos Beligerantes.

            Durante estas lutas, a historia de Elvas, e a de todas as povoações mais frequentadas nas marchas dos corpos de exército, tem uma certa identidade com a da capital da província, e a das suas cidades principais. Neste pressuposto, á falta de noticias particulares, acompanharemos de perto as memorais que nos restam daquela capital, outrora das mais ricas e populosas cidades, e hoje uma das mais insignificantes da Península.

            Começaremos por dizer, que na retirada do alto funcionalismo godo para as montanhas das Asturias, a população cristã sujeitou-se pacificamente aos novos dominadores, e recebeu o nome genérico de mosárabe.

            Esta população ficou mais condensada no Al-Gharb, que em qualquer outra província. Os estrangeiros que nela predominavam eram pela Maior parte berberes e egípcios, que a África lançara de si nesta vigorosa invasão, ao passo que nas demais províncias estanciavam agrupadas as tribos de modharitas, de assyrios, e de árabes do Yémen, ( Herculano - Hist. de Port. Introd. pag.61).

            Não é pois para admirar, que, ocorrendo em meados do século VIII a insurreição dos berberes no Maghreb, contra os árabes, e secundada mais tarde a rebelião pelos africanos residentes em Córdova, levantasse também Mérida o pendão revolucionário, fazendo causa comum com os seus compatriotas.

            Dominada dentro em pouco a insurreição, bem depressa foi a ordem de novo alterada, e mais seriamente; porque, deposta do trono dos seus Maiores a dinastia sediada em Damasco, os chefes andaluzes, que se não conformaram com a nova ordem de cousas, chamaram á Península um descendente dessa família (Abderrâhman), e conseguiram assenta-lo no trono, no ano 760, apesar dos esforços de Aly-ben-Mogaith que á frente dum exercito do Maghreb ocupara o Al-Gharb, em nome da dinastia abássida, com o favor das rebeldes da Toledo; ficando desde então o Andaluz completamente desligado do domínio dos califas do oriente, e considerado para todos os efeitos primeiramente como emirado, é mais tarde como califado independente.

            A Abderrâhman, falecido em Mérida, sucedeu seu filho Hescham, e a este El-Hakem, filho de Hescham, em 795, cujo partido foi seguido pelos de Mérida; e as guarnições combinadas desta capital, e de Córdova, combateram a revolução que, descendo do norte, se estendia ás províncias de Toledo, Múrcia a Valência.

            Na entrada do século IX o Walí de Mérida insurgiu-se contra o califa, seu cunhado; graças porém á mediação de sua irmã, se reconciliaram ambos; e o al-kaid de Beja, que se rebelara também, foi destroçado pelas forças do califa quando marchava sobre Lisboa.

No reinado de Abderrâhman II rebelou-se Mérida a pretexto de estar sobrecarregada com pesados impostos; mas sabe-se que a esta rebelião não foi estranho o rei dos francos, cujos estados estavam sendo ameaçados pela revolta do conde Aizon, que o emir protegia. A guarnição de Toledo, e as tropas que estanceavam pelo Al-Gharb sitiaram a cidade, que se entregou por falta de recursos.

            Não tardou muito que pela sua vez Toledo se rebelasse com os mesmos pretextos, e esta rebelião conservou a grande cidade por espaço de nove anos como independente do senhorio do emir.

            Numa das diligencias, que durante este período se fizeram por submetê-la, Mohammed, o chefe da ultima revolta de Mérida aproveitando a ausência da guarnição, que saíra para a campanha, reuniu algumas tropas do distrito de Lisboa, e com elas ocupou esta capital, sendo necessário para sujeitá-la vir o próprio emir com poderoso exercito.

            Vencia finalmente a insurreição de Toledo em 843, voltaram-se as atenções contra a cristandade; as tropas do Al-Gharb principiaram a ser empregadas contra as Astúrias; e as do oriente contra o Afranc (França).

            Desde então com Maiores ou menores intermitências a guerra esteve em actividade contra o novo reino de Oviedo, que se fora alargando com o favor das discórdias dos muçulmanos; e posto que nos fins do século X um grande génio, El-Mansur, quase arrojou outra vez os cristãos para os inóspitos montes das Astúrias, logo as novas discórdias abriram caminho á conquista dos soldados da cruz.

            Durante este longo período, de 843 em que começaram as lutas com os cristãos, até 1002 em que faleceu El-Mansur, o espirito irrequieto dos andaluzes não deixou de se manifestar por vezes, arrastado por alguns ambiciosos.

            No reinado de El-Mondhir (886 a888) as guarnições do Al-Gharb e as da actual Andaluzia foram empregadas na pacificação de Toledo,em que Kalebse fortificara fazendo-se aclamar emir do Andaluz; e no principio do reinado seguinte Lisboa e Mérida pronunciaram-se a favor de Mohammed contra o emir Abdallah.

            Lisboa foi combatida pela armada do visir Abu-Othman, e Mérida pelas forças comandadas por Abdallahem pessoa. Abu-Othmanteve em recompensa dos seus serviços o cargo de wali de Mérida, que depois cedeu a favor do príncipe El-Modhaffer.

            Alguns sucessos destas campanhas, que se prendem á historia de Mérida, e portanto á do Al-Gharb, reservamos para quando proximamente tratarmos dos progressos das armas cristãs nesta parte da Península. Por ora basta dizer, que por três vezes, se apresentaram diante de Mérida: uma com Afonso III, outra com Ordonho II em 916 e outra com Ramiro II em 938, tendo nesta ocasião o governo do Al-Gharb o príncipe El-Modhaffer acima nomeado.

            Tantas vezes combatida sem que uma paz duradoura permitisse a restauração de suas ruínas, Mérida foi decaindo gradual e progressivamente; e ao tempo do desmembramento do califado de Córdova estava tão desmantelada, que a dinastia dos Beni-Alafftas, aclamada como soberana no Al-Gharb, preferiu Badajoz para corte deste estado, o que acabou de lhe fazer perder os últimos restos de importância que ainda tinha. ( Herculano - Hist. de Port. Introd. II)


Tasca das amoreiras às 17:14
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