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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012

Relvas e Companhia

 

 

 

 

Ontem quando li a notícia nem queria acreditar no que estava a ler: afinal na França, Luxemburgo, Finlândia e Holanda também se “fabricam” Relvas. Melhor, nestes países só não se pode “comprar” um canudo se se quiser ser médico, dentista, veterinário ou arquitecto. Gostava então de perguntar: se um pedreiro, e com o maior respeito por esta profissão, tiver 20 ou 30 anos de experiência, pode obter o canudo de Eng. Civil e desatar a fazer projectos. A Europa na verdade vai no bom caminho. Eu e milhares de portugueses andaram durante anos a queimar pestanas para obter o tão desejado canudo, com um sacrifício enorme por parte dos pais e agora basta a experiência?

Que vamos nós dizer aos nossos filhos que entraram ou vão entrar para a universidade? “Olhem, não vale a pena estudar. Comecem a trabalhar, ganhem experiência e o canudo vem por acrescento”

Mas será que anda tudo louco?

Pronto Relvas, afinal estás perdoado. O canudo pode ser de segunda, mas vale tanto como um de primeira.

Bom fim-de-semana para todos

 

Jacinto César

 

 

Nota – Hoje vou continuar a publicar os escritos de Vitorino d’Almada. Para evitar confusões, como já houve, quero aqui deixar claro que o meu único trabalho foi o da pesquisa e depois compila-los.

 

VESTIGIOS DA DOMINAÇÃO GODA

 

 

            Á civilização romana sucedeu na Península a devastação dos bárbaros do norte; o império do ocidente recuou diante desta vigorosa invasão, largando sucessivamente os territórios da Gallia e de Espanha.

            Foi no ano 409 que dos Pirinéos se despenharam, como avalanchas, as turbas de vândalos, de suevos, e de alanos, deixando após si a labareda do incêndio, e o rasto de sangue das vitimas.

            Toda a Lusitânia foi então ocupada pelos alanos, povo procedente da Sarmacia, ou Russia Meridional. A sua permanência em Espanha foi porém assaz curta, porque nove anos depois do seu estabelecimento, Wállia, rei dos godos, arrojava-os em 418, com o seu rei Ataces, para além do estreito de Hércules. Mais tarde seguiram-lhe as pisadas os vândalos. em 429; e por ultimo fundiram-se godos e suevos, em 583 numa só monarquia, sob o ceptro de Leuwighildo.

            Um único monumento dos godos podemos aqui deixar registado, com a convicção de que o é. Falamos da campa dum sepulcro, que cobrira os restos mortais duma mulher cristã, a cuja memória dedicava um poeta os seus pobres versos, saudoso do insigne amor com que ambos se estremeciam:

 

                                                     INSIGNEM. PARVO

                                                     MENS. CARMINE. AMOR

                                                     REQ. IN. PACE. D. XIII. KAL.

                                                     MART. ERA. DLXXXII.

 

            Vê-se que esta data corresponde a 16 de Fevereiro do ano 544 da nossa era, em que ocupava o trono de Espanha el-rei Theudis.

            Este monumento achara-o Rezende em casa dum particular, quebrado exactamente na parte em que se devia declarar o nome da pessoa, que era objecto daquela piedosa comemoração. (Rezende - ibidem).

            Além desta não achamos outras memórias, posto que Varela pretenda, que el-rei Recaredo tivesse batido moeda em Elvas; alegando que numa medalha se lia no anverso: Recardvs Rex, e no reverso: Elbora lvstos  e interpretando a palavra Elbora por Elvas; contudo Alexandre Herculano, na introdução da sua Historia de Portugal (pag. 147) diz positivamente, que Elbora corresponde á actual Talavera, ainda que o arcebispo de Tarragona, que foi quem denunciou esta medalha, supôs que tivesse sido batida Évora, por ser esta cidade, diz, designada por Elbora nas actas dos concílios e noutros antigos documentos.

            É agora ocasião de deixarmos aqui memória do cristianismo na Península.

            Depois de três séculos duma perseguição atroz á nova religião, só o imperador Constantino transigiu com os cristãos, decretando o culto de Jesus Cristo envolta com o de Júpiter Olympico, e o das demais divindades fantasiadas pelos pagãos.

            O cristianismo, que já tinha feito em Espanha numerosos prosélitos, alguns dos quais haviam sido publicamente imolados antes as aras das divindades pagãs, medrou desde então mais desafogadamente; ainda mais desde que os godos entraram em Espanha; e muito mais desde que estes dominadores abjuraram de vaz a seita ariana por um catolicismo puro.

            No 11.º concilio de Toledo, que foi inaugurado a 7 de Novembro de 675, escrevem alguns, que foi feita a circunscrição dos bispados então existentes, e que subsistiram até á invasão dos árabes. A metrópole de Mérida ficaram sufragâneos todos os bispados do moderno Portugal, os de Galiza, e alguns de Castela Velha.

            Deixando os mais afastados de nós, citaremos apenas o de Évora, a que provavelmente ficou pertencendo Elvas. Estendia-se ele desde Sotobra (Caetobrix?) até Pedra, e desde Rucella até Parada. não é fácil indicar a situação hodierna destas povoações; mas, pela posição geográfica que ocupava Elvas, não podia pertencer nem aos bispados de Beja ou Lisboa, pela Maior distancia, nem ao de Mérida, pelas fronteiras naturais do Guadiana.

            Também deixaremos aqui mencionados dois monumentos, que bem podiam pertencer ao período a que nos estamos referindo.

            São duas pedras que existem na secção arqueológica da biblioteca.

            Já dissemos que os cristãos depois de três séculos, se acharam aliviados duma perseguição tenaz. Principiaram então a usar publicamente do símbolo da sua religião sobre o túmulo dos correligionários, para que fossem facilmente descriminados no campo da igualdade os que faleciam na graça de Deus, dentre os que não haviam reconhecido a divindade de Jesus Cristo.

            Se as posses do falecido comportavam a despesa, colocavam-lhe á cabeceiras cruzes de mármore esculpidas sobre um disco, de que nascia o pé que entrava no terreno.

            Este costume foi transmitido de pais a filhos, e porque por vezes foi crua a dominação árabe, não pode o fanatismo maometano destruir tudo o que respeitava aos cristãos. Os mosárabes, fora destas terríveis intermitências, continuavam os usos piedosos de seus Maiores, e ainda por ocasião da conquista de Elvas por el-rei D. Sancho, o Capelo, os portugueses, deixando como veremos a povoação tributaria, deixaram também naturalmente os jazigos dos seus capitães, mortos na acção, assinalados com aqueles monumentos no campo dos Mártires.

            Três destas cruzes temos achado em Elvas, complemente desprezadas: uma encostada á parede da casa, que a tradição servira de paços do concelho, no largo do Salvador; outra defendendo o cunhal do prédio nobre do Sr. doutor José Liberato Sanches de Sousa Miranda; e a terceira servindo de calçar os carros na descarga, junto á horta que foi cerca do convento de S. Domingos. A primeira perdeu-se quando há três anos se concertou a calçada; as outras duas guardaram-se como acabámos de dizer, na secção arqueológica.

            Não querendo determinar positivamente a antiguidade de tais monumentos, limitam-nos a referi-los  ao tempo da conquista de Elvas, por ser o que mais se nos aproxima, e assim mesmo lhes concedemos uma idade de seis séculos e meio.

            Fez-nos conhecer o merecimento e antiguidade destas pedras o já por vezes nomeado D. Luiz Vermell, que viu muitas nos museus de Espanha.

            E' este o único testemunho que podemos apresentas para comprovação do que deixamos dito, e cremos que ele é assaz valioso, porque D. Luiz Vermelle, além de excelente pintor e escultor, é também um incansável arqueólogo.

 

            Nota - Disse-nos o Sr. padre Domingos António do Carmo, que ouvira ao falecido vigário capitular António Joaquim Epifanio de Andrade, quando explicava direito canónico, que a cruz que estava defendendo o prédio do Sr. doutor Sanches, e outra que existira junto ao do Sr. Jacinto Lopes, serviam de limitar do lado da praça o atiro da igreja da Sé, que entrava no numero dos lugares sagrados a que se dava o nome genérico de exedra, e que gozavam das imunidades de defender quaisquer culpados, em determinados casos, da acção da justiça secular, que não podia prende-los se a eles se acolhiam.

            Já as outras duas cruzes a que nos referimos estavam nas cercanias das igrejas; uma ao Salvador, outra a S. Domingos.

            Em presença desta não menos autorizada opinião, inclinamo-nos agora a supor mais provável, que tais padrões serviriam antes de limitar a necrópole dos cristãos, que a assinalar particularmente o jazigo de cada um deles; porquanto, assim como os átrios, também os cemitérios e mais edifícios pertencentes ás igrejas, entravam no numero dos lugares sagrados que eram designados por exedra.

            E supondo-o assim, não vamos dar menos antiguidade a estes monumentos; pois é sabido que de há muitos séculos a exedra gozava das referidas imunidades; assim o declarava o concilio Arausicano (Cánon V.) em 441, e o Aurelianense (Cánon I) em 511.


Tasca das amoreiras às 18:51
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