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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012

Não desisto!

 

 

 

Voltando ao tema em questão, gostaria de referir alguns argumentos em que se fundamenta a minha opinião:

1- A data de 20 de Setembro não representa nenhum facto especial, a não ser estar associado ao final de um ano agrícola e ao início de outro. As festas, tanto as religiosas como as profanas, coincidiam com os poucos dias de férias que os trabalhadores agrícolas tinham entre os referidos anos agrícolas. Aproveitavam então essa época para fazerem as compras mais importantes, como sendo a roupa, o calçado ou algumas alfaias agrícolas ligeiras. Compravam também as novidades que os feirantes traziam. Eram dias de festa efectivamente populares e genuínas. Viviam-se aqueles dias de forma “total”. Comia-se, bebia-se, cantava-se, dançava-se e quando já não havia nada para fazer então dormia-se.

2- Com o evento dos transportes públicos (o primeiro que apareceu foi o célebre autocarro branco do Painho seguindo-se a Setubalense) as pessoas começaram a deixar progressivamente de aqui pernoitar. Iam e vinham os dias que queriam. Recordo-me ainda de nos olivais adjacentes ao Santuário haver uma sementeira de tabuletas, tendo cada uma o nome da localidade para onde se dirigia o autocarro que os levaria de volta a casa. Este facto fez com que as grandes noitadas começassem a diminuir. Foi o princípio da mudança.

3- Com a massificação do transporte individual tudo mudou e as coisas nunca mais voltaram a ser iguais. Nem poderiam pois os tempos estavam a mudar.

4- Actualmente, a única coisa que permanece inalterável na forma e no conteúdo é a Procissão dos Pendões que marca o início oficial das festas. Quanto ao resto tudo mudou.

 

Pergunto então, qual é o problema de passar TUDO do 20 de Setembro para 20 de Agosto? Eu não consigo encontrar qualquer malefício, antes pelo contrário.

 

Quanto se planeia qualquer evento, seja ele de que ordem seja, há factores a ter em consideração:

1– Objectivos;

2 - Público alvo;

3 – Viabilidade económica.

Vamos tentar analisar estes factores aplicados ao S. Mateus.

1- Os objectivos das Festas do Senhor Jesus da Piedade e Feira de S. Mateus são sobejamente conhecidos e como tal dispenso escrevê-los;

2- O público alvo é fundamentalmente o seguinte:

2.1- Habitantes da cidade

2.2- Conterrâneos nossos que vivem fora

2.3- Emigrantes

2.4- Habitantes da vizinha Espanha

2.5- Outros visitantes;

3- Aqui há que distinguir dois aspectos: os aspectos económicos

vistos pelo lado da Confraria e os aspectos económicos vistos

pelo lado dos feirantes.

Analisemos então o ponto 2 e como reagem os vários intervenientes.

O público fundamental para sustentar o evento são os residentes na cidade. E destes quais são os maiores frequentadores? As crianças e os jovens por uns motivos e a terceira idade por outros. Se com estes últimos não há problemas, já que tempo é o que não lhes falta, já os primeiros estão condicionados pelo factor “férias”. Como é sabido há uns anos atrás a juventude tinha férias até ao início de Outubro. Agora as coisas são diferentes. A rapaziada começa a escola a 12 de Setembro e este factor vai condicionar a sua permanência na feira até horas mais tardias. Mas não são só estes como os respectivos pais. Em Agosto estão todos de férias e como tal as restrições horárias deixam de ser problema.

O mesmo se passa com os conterrâneos nossos que vivem fora e que poderiam permanecer mais uns dias e não virem no dia 20 de Setembro para se irem embora no dia seguinte, senão no próprio dia depois da procissão.

Ora se para estes últimos a data é imprópria, que dizer então dos emigrantes? Quantos deles estão em Elvas em Setembro?

Se o problema dos jovens se põe para os residentes, o mesmo se põe em relação aos nossos vizinhos espanhóis. Nestes últimos anos quantos se vêm por aqui? E por que motivo não vêm? O problema é igual ao nosso ainda com a agravante de haver uma hora de diferença. O mesmo se põe para qualquer outro visitante dos concelhos limítrofes.

Analisemos agora o ponto 3. O dinheiro faz girar o mundo como dizia o outro. Não sendo uma verdade absoluta, lá que ajuda é uma verdade.

A Confraria sem o dinheiro deixado na bandeja pelos peregrinos e sem o dinheiro do aluguer dos terrenos aos feirantes, que fazia? Nada! Se os visitantes do parque diminuírem, o negócio dos feirantes diminui. Estes últimos dependem desesperadamente dos primeiros e se estes deixarem de vir, eles deixam de vir também. É como que uma pescadinha de rabo na boca.

Perante este panorama que fazer? Adaptarmo-nos aos tempos. Basta olhar a televisão nesta época e ver as centenas de festas que se fazem por esse país fora. Será que dantes eram todas no mês de Agosto. Lógico que não! E sendo assim porque mudaram? Como é óbvio adaptaram-se aos tempos. A própria Feira de S. Mateus de Viseu assim o fez.

Não consigo encontrar qual o problema de alterar uma tradição, se é isso mesmo que todos nós fazemos todos os dias e nem damos por isso. Os extremistas pró-tradição que pensem só um minuto e vejam quantas tradições nós alterámos.

 

Jacinto César

 

Nota - Amanhã voltarei a publicar os escritos de Vitorino d'Almada. 

 


Tasca das amoreiras às 16:47
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2 comentários:
De Anónimo a 3 de Setembro de 2012 às 21:58

Senhor
Os  extremistas ´não pró tradiçãop dizem que detestam a sua posição que se resume a ser a voz do dono.
Por que motivo se considera o supra sumo das opiniões e nega aquilo que anteriormente sempre defendeu? 
Eu não me esqueço dos tempos em que estudávamos em Coimbra.Gostaria de não ter que lhe recordar esses tempos.


De Padre Manuel Antunes a 4 de Setembro de 2012 às 14:32
Senhor César, boa tarde.
Pode não desistir, mas não deixam de ser ações sem eficácia e de resultado nulo.
Mas pode continuar. Um ano de cada vez.
Comece já a bater-se por um São Mateus 2013, completamente diferente das festas dos últimos 10, 20, 30, 40 ou 50 anos.
Sempre é um entretém para a reforma.
Eheheheheheh.


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