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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

S. Mateus 2012

 

(S. Mateus - Capa do programa de 1962)

 

 

 

 

Amanhã entramos em Setembro, o que quer dizer que o S. Mateus 2012 está aí à porta. No entanto gostava muito que alguém me respondesse a uma pergunta muito simples: S. Mateus 2012 ou S. Mateus 2000, ou S. Mateus 1980? Não, não precisam de responder, já que são todos iguais. Aquilo que deveriam ser as Festas da Cidade modernizadas, continuam a ser as velhas festas de sempre. Sempre iguais umas às outras, sempre as mesmas coisas. A única razão da sua existência é a fé renovada das pessoas ao participarem na Procissão dos Pendões. Quanto ao resto sempre o mesmo e com tendência para piorar. Recordar-se-ão os mais velhos da Feira de Maio e a sua grandeza. E hoje? Há aí mercados bem maiores do que a feira. Infelizmente e sem querer ser profeta da desgraça, o S. Mateus tem o mesmo destino. E o dia que chegarmos a esse estado, ninguém foi responsável pelo desastre. Mas para mim há-os. Foram as últimas Mesas da Confraria e a actual os responsáveis.

Já escrevi mil vezes sobre o assunto, já pedi que se fizesse em debate público sobre o assunto. Nada! Silêncio total.

Já passaram 12 anos desde que o século XXI começou, mas o S. Mateus resiste heroicamente à passagem dos anos. Até quando?

 

Jacinto César

 

VESTIGIOS DA DOMINAÇÃO ROMANA (Continuação)

 

Pudemos obter uma copia da inscrição gravada na pedra que existe no casal da herdade de Domingos das Candeias Pires, próxima á aldeia de Santa Eulália. Devemo-la ao Sr. padre Domingos António do Carmo, que foi durante alguns anos pároco daquela freguesia, e a obteve agora por uma pessoa da localidade.

            É ainda uma lápida sepulcral do tempo dos romanos. Não podia vir mais a propósito que na ocasião de tratarmos das cousas daquela grande nação, a que juntaremos agora mais algumas noticias que se nos iam escapando, e ficariam deslocadas noutro qualquer capitulo.

            A lápida foi dedicada a Marco Clodio Juliano, de 21 anos de idade, por seus pais Tito Clodio Modesto e Blesidiena Marcella. Tem á esquerda, um preferículo, e á direita uma pátera, conforme explica o Sr. Paz Furtado.

            Heis a legenda:

 

                                                            D.           M.          S.

                                                            M. CLODVIS. IVLI

                                                            H. S. E. S. T. T. L.

                                                            TITVS.     CLODIVS.

                                                            M O D E S T VS. ET.

                                                            BLESIDIENA.   MAR

                                                            CELLA.P.ET.MFILIO.

           Agora as outras noticias particulares dos romanos:

            A circunstancia de ter Quinto Sertorio elevado Ébora a capital da Lusitânia, quando sonhava estabelecer uma republica independente na Espanha Ulterior, e a do imperador Augusto haver transferido essas honras e prerrogativas á cidade de Emérita, quando procedeu a uma nova circunscrição administrativa, estreitaram mais que nunca os vínculos entre a cidade que decaia, e a cidade que se elevava, e necessariamente daí proveio a abertura de novos caminhos comunicando-os entre si.

            Isto equivalia a ligar Emérita ao oeste e ao sul do moderno Portugal, porque de Ébora partia uma estrada para Olísipo, ou Felícitas  Julia, a oeste, e outra para Pax Julia, a sul avançando dali para o moderno Algarve por dois diferentes caminhos, o de Myrtilis e o de Rarapia.

            A partir de Ébora para Emérita, conforme as memorais que nos legou o imperador António no seu Itinerário, havia uma estrada, ou via
militar, cujo traçado não tem sido possível até hoje determinar precisamente, quer reportando-nos ás distancias, quer aos nomes das suas diferentes estações intermédias.

            A primeira estação nomeada era no rio Adro, a 9 milhas, a segunda em Dipo, 12 milhasadiante; e a terceira em Evandriana, a 17 milhasde Dipo, e a 9 aquém de Emérita. Mas a distancia total de 47 milhasestá mui longe da que realmente separa as duas cidades; e como no decurso não entrava a via fluvial, apenas se pode admitir a  exactidão do Itinerário se ele se referia ás milhas construídas dum caminho, que não estava ultimado ao tempo.

            Esta parte do caminho devia ser entre Ébora e o rio Adro, ou Anas, e o ponto de passagem em Pax Augusta(Badajoz), único que distava de Emérita o numero de milhas designadas no Itinerário.

            Cremos também, que, estando Elvas situada no caminho mais curto que ligava Ébora a Pax Augusta, seria uma das estações intermédias desta estrada militar quando concluída.

            Estas suposições já antes de nós fez também Tiago Menezes de Vasconcelos (Scholia in 4 libros Resendi, junto ás Antiq. Lusit. pag. 363), e outros autores, que chegaram mesmo a viciar o Itinerário, com o propósito de fazer corresponder as distancias. (Silveira- Mappa Breve da Lusit. antiga. pag. 111.)

            Reforça-as a opinião do sábio Hubner, que «os antigos lugares a que se referem varias inscrições descobertas em Montemor o Novo, em Arraiolos e Estremoz, assim como em Elvas e Badajoz, eram situados provavelmente sobre uma estrada, que é indispensável supor, não obstante o Itinerário não a mencionar, a fim de ligar pelo caminho mais curto, por um lado Ébora e Olisipo, por outro Ébora e Emérita» (Soromenho- Not. Archeol. de Port. pag 21.)

            E quase nos tira todas as duvidas o aparecimento de dois marcos miliários nas proximidades de Barbacena para a parte de Estremoz, e doutros dois em Elvas, de que Rezende teve conhecimento, e nos conservou a memória.

            Um destes marcos, muito mutilado, deixava apenas inteligíveis as primeiras palavras, das quais se depreendia ser do tempo de Severo (193 a211 da era vulgar):

 

                       

                                                          IMP.CAES. DIV

                                                          RI. PII. FIL.

 

            O outro, quase completo indicava distintamente ter sido levantado no tempo de Marco Aurélio António (Heliogabalo) imperador e César, filho de António, o Pio e o Grande, e neto de Septimio Severo, o Pio. A Marco Aurélio se juntam neste monumento os títulos de Pio, Feliz, Augusto, Pontífice máximo, com os poderes de tribuno, por segunda vez cônsul e procônsul, Pai da pátria, Fortíssimo e Fidelíssimo príncipe (218 a222 da mesma era)

 

 

                                                      IMP. CAES.  DIVI. ANTININI. PII.

                                                      MAGNI. FIL. DIVI. SEPTIMIL. SE

                                                      VERI. PII. NEPOTI. M- AVRELIO.

                                                      ANTONINO. P. FEL. AVG. PONT.

                                                      MAX. TRIB. POT. II. COS. II.

                                                      PROC. P. P. FORTISSIMO. FELI

                                                      CISSIMOQVE. PRINCIPI.      .RA

                                                                     M. P.           XXII

 

 

            Este marco miliário contava de Evo ali só22 milhas; esta distancia porém não corresponde á verdadeira, porque talvez a pedra estaria quebrada ou gasta naquele sitio, mostrando XXII onde estivera XXXXII.

            Quanto aos marcos que estavam em Elvas, para onde uma pessoa considerada da terra os fez conduzir dum caminho público, e os conservava em sua casa já no tempo de Rezende tinham tão sumidas as letras, que apenas podiam ler-se duas ou três em cada regra.(Rezende- Antiq. Lusit. 1790. pag 219)

            Não se sabe o que foi feito destes artigos monumentos. Provavelmente foram aproveitados para alizares de portas e janelas, e hoje, se não for aquele precioso livro de Rezende, não teríamos ocasião de juntar á resenha dos monumentos romanos esta memória que demonstra até á saciedade, que Elvas ficava sobre a estrada militar, que os romanos construíram para facilitar as marchas dos seus exércitos, na travessia directa da Península, desde as gargantas dos Pyreneos até á embocadura do Tejo.

(Continua)


Tasca das amoreiras às 19:52
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2 comentários:
De Anónimo a 31 de Agosto de 2012 às 21:57
Os primatas da Confraria não deixam o poleiro... lol ontem fui saber informações sobre os espaços disponiveis para venda ambulante, quando para meu espanto a planta com os lugares a alugar aida é feita em papel de rascunho ehehhehe


De Padre Manuel Antunes a 3 de Setembro de 2012 às 14:09
Ainda me obrigam a chegar à conclusão que não valeu a pena os tombos que eu dei da porra da mula...


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