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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012

Que igualdade?

 

 

 

 

Muito se fala em Portugal sobre o facto de haver portugueses de primeira, de segunda e por aí fora, assim como que à moda das castas indianas. Acredito que há imensas desigualdades no nosso país. Mas quando damos um pulo em frente e verificamos o que se passa na Europa, esta, trata os países de forma desigual.

Olhe-se para a pressão, chantagem e até ameaças que se têm feito aos gregos. Estes têm sido alvo de atitudes por parte da Europa que eu jamais pensei que se pudessem fazer. Em relação a Portugal e à Irlanda, e como meninos bem comportados (mansos) que somos, essas atitudes da Europa não são visíveis em público, mas acredito que em privado o são.

E o tratamento que se dá à Itália e à Espanha é o mesmo que se dá aos outros? Pois, são demasiado grandes para se poderem meterem com eles e têm medo da reacção dos respectivos povos. Sempre se há-de arranjar uma solução para estes dois países sem chegar ao humilhante resgate, nem que para isso o BCE que se mantém de “cofre” fechado “ há meses, tenha que abrir os cordões à bolsa.

Mas para que é que estou eu aqui a gastar o meu latim se sempre assim foi e sempre assim há-de ser, sempre há-de haver “Les Uns et les Autres” como dizia o Claude Lelouch.

 

Jacinto César

 

VESTIGIOS DA DOMINAÇÃO ROMANA – 3 (Continuação)

 

Já é tempo de deixa a lúgubre dos sepulcros para entrar em assumpto mais atraente.

            Vamos falar dalguns monumentos que se atribuem aos romanos, sem contudo, pela nossa parte, nos abalançarmos a emitir opinião, porque a nossa ignorância na história da arte nos aconselha a maior reserva.

            Estes monumentos, dizem, pele imperfeição com que foram trabalhados, devem referir-se ao período de decadência das belas artes no baixo-império; parece-nos contudo, que não haveria dúvida em conceder-lhe maior antiguidade; porque, como é notório, embora nas grandes cidades o crescente aperfeiçoamento das artes chegue a tocar o apogeu, nas terras secundarias, executados os trabalhos por mercenários inábeis, tem ela uma infância tão prolongada, que chegaria a confundir-se com a idade caduca, se lhe fosse dado envelhecer.

            Começaremos pois a resenhar estes monumentos, sem mais preâmbulos, deixando a uma pena autorizada o encargo de apurar precisamente o período a que eles pertencem.

            As colunas que sustentam a abóbada da igreja d' Alcáçova, escreve Varela (Theath. Hist. ibidem ), que eram de fabrica romana, porque o costume de lavrar colunas com capiteis e bases foi especial daquele povo; querendo talvez dizer, que outro tanto não acontecia ás fabricadas pelos árabes.

            Sendo assim, parece que deviam os árabes, como os nossos Maiores as aproveitaram para a igreja cristã, tê-las apropriado para mesquita sua, dalgum templo pagão dos romanos.

            O mesmo autor se inclina a crer, que esse templo seria erigido a Serapis, porque na dedicação transcrita acima, feita por Anthymo Reburino, houve quem interpretasse as três letras SER como abreviatura daquela divindade (Rezende, ibidem) opinião contrariada pelo sábio Hubner, que afirma não se declarar o nome do deus a que se faz a dedicação (Soromenho- Not. Archeol. citadas).  

            O segundo monumento nos apontou o já nomeado D. Luís Vermell quando esteve em Elvas, dizendo que lhe parecia ser de origem romana.

            É uma torre do recinto que fecha a Elvas primitiva, e está incorporada na casa que foi dos Mesquitas Pigmenteis, hoje do Sr. Francisco de Paula Santa Clara.

            Era fácil descobri-la ainda ha quatro anos quem fosse ao adro das freiras dominicanas, antes de transpor o arco, que dá serventia para a Alcáçova. Hoje está coberta duma camada de reboco que os pedreiros tiveram o mau gosto de lhe estender , ao reparar a casa em1876. Acantaria de que é fabricada está sobreposta em ordens de pedra faceadas, unidas tão estreitamente, que chegámos a duvidar se as liga a argamassa, ou não.

            A respeito do vão desta torre, que supomos também sofreu modificação, e que formava uma casa abobadada, com uma cruz de laçaria embelezando-lhe a abobada, como se vê no arco da praça, disse-nos o Sr. José Afonso da Palma, inquilino que foi do prédio em cujas dependências ela está, que pelos anos de 1854 ou 1855, num artigo do Rei e Ordem, ou da Lei, comunicado pelo brigadeiro José Maria Baldy, ao tempo governador da praça, se fazia uma referencia á casa em questão, como tendo sido alcácer do kaid ou governador mouro da fortaleza.

Não nos veio á mão esse escrito, e sentimos nada mais poder acrescentar.

            Além destes dois monumentos ha ainda um terceiro, que oferece mais probabilidades de ter sido lavrado em tempo dos romanos, e por escopro hábil e experimentado.

            É um medalhão de mármore, em baixo relevo, representando o deus Endovéllico dos celtas ( talvez o Amor dos romanos ). Foi achado quando, reduzindo-se ao estado actual as fornicações, se escavou a parte do fosso compreendida entre a igreja de S. João de Deus e o revelim da porta falsa da Cisterna, numa das faces do qual está encravada, por cima da casa dos utensílios do jardineiro do passeio.

            Representa uma criança de belas formas, alada, repousando sobre uma pele de leão, cuja parte da cabeça se descobre por cima do rosto da criança. A posição da figura é a de quem dorme, ou a de quem dominado por uma melancolia profunda; tem a tiracolo uma fitinha prendendo-lhe o carcaz, e numa das mãos um facho acesso e duas cápsulas de dormideiras.

            Não ha outros monumentos supostos dos romanos em Elvas, nem nas cercanias; mas os que ficam registados neste capitulo, cremos que são suficientes para demonstrar, que a povoação já existia no seu tempo, testemunha muda dessas lutas vigorosas, que um Viriato, e um Sertório, moveram á orgulhosa Roma, eem que Césare um Pompeu se disputaram o poder no calor das guerras civis que deixaram o solo de Espanha empapado de sangue.

 

Nota - Sabemos que ultimamente foi comunicado á câmara pelo Sr. Joaquim José Antunes Namorado, prior de Santa Eulália, que no casal duma herdade próxima àquela aldeia, de que é proprietário o Sr. Domingos das Candeias Pires, existe uma pedra com caracteres, que revelam a sua existência em tempos anteriores á fundação da monarquia. Como nos não tenha vindo á mão uma copia da legenda, nem o tempo convide a uma digressão até lá, não podemos por em quanto dar os pormenores que desejávamos, nem referir o monumento a uma certa e determinada época. Reservamos esses esclarecimentos para um artigo especial, logo que, ou por informação que nos seja comunicada, ou por testemunho dos próprios olhos, o possamos fazer com segurança. (Continua)


Tasca das amoreiras às 18:15
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