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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012

O défice

 

 

 

 

Ontem apareceu nos jornais uma notícia muito engraçada: com a excepção do IRS e do IUC que aumentaram, todos os outros diminuíram. Assim o défice não baixa. Estou farto de dizer que nada entendo de economia, no entanto gostaria de fazer um pequeno exercício teórico. Os entendidos do assunto que me digam se estou certo ou errado.

 

“Ganhava de vencimento 100 e pagava de IRS 10. O que me sobrava era destinado à minhas despesas mensais. De um momento para o outro, o IRS passou a ser 20 e já só me sobravam 80. É indiscutível que aumentando os impostos directos a toda a gente, a receita de IRS aumenta. Penso que não estou enganado.

Aquilo que normalmente consumia com 90, passeia a consumir só com 80. E como resolvi o assunto?

1-      Deixei de andar tanto de carro – Logo consumi menos gasolina, paguei menos ISP e as petrolíferas pagaram menos IVA e IRC.

2-      Nos supermercados passei a consumir menos ou a comprar marcas brancas – Logo paguei menos IVA e as empresas de distribuição menos IRC.

3-      De vez em quando almoçava ou jantava fora – Deixei de o fazer, logo as receitas dos restaurantes diminuíram, fizeram menos compras e o IVA que deveria melhorar o desempenho, diminuiu e o IRC também por arrasto.

4-      Dava-me jeito comprar mais uma camisa e umas calças, mas dada a situação as que tenho ainda aguentam. – Logo consumi menos, o IVA e o IRC vieram por aí abaixo.

 

Poderia levar o resto do dia a dar um sem número de exemplos, mas acho que com estes já expliquei o meu raciocínio.

Como o défice teima em não baixar, à que aumentar novamente o IRS e diminuir os vencimentos. E volta tudo ao mesmo, ou seja, é uma bola de neve a desfazer-se.

Que ninguém me pergunte como é que se resolve a situação, mas a opinião do Prémio Nobel da Economia é que se deve fazer uma “fuga em frente” com fizeram os EE.UU.

Não sei que dizer, mas estou confuso.

 

Um bom fim-de-semana para todos

 

APONTAMENTOS PARA A CRÓNICA DA CIDADE DE ELVAS

 

(continuação)

 

Além do que fica apontado, que é no que reside, por assim dizer, todo o interesse da historia de Elvas, devemos a diversos outros cavalheiros mais alguns apontamentos inéditos, ou o empréstimo das crónicas impressas, para conferencia, e complemento das noticias que já possuíamos.

            É ocasião azada para deixarmos consignados os nossos agradecimentos a uns e a outros, pelos obséquios que nos dispensaram, e pela confiança que lhes merecemos, e a que cremos ter correspondido cabalmente.

            Pela exploração que fizemos de todos os papeis sobreditos, denunciou-se-nos a incúria repreensível de algumas das pessoas a quem estava incumbida a guarda dos documentos que se prendiam á historia de Elvas.

            Fr. Francisco Brandão, propondo-se averiguar os pormenores duma digressão de D. Diais ao Alentejo, embaraçado com a falta de guia, escreve que «faltam os primeiros cadernos da chancelaria deste rei no seu primeiro livro, e Damião de Goes deixou advertido nele, que eram as escrituras todas de Elvas e seus moradores ( Mon. Lusit. XVI 27.)

            Quando isto ocorria na Torre do Tombo, não admira, que outro tanto acontecesse nos outros arquivos.

            Em 1625, estando o cartório municipal em péssimas condições de resguardo, entrou nele, em certo dia, o escrivão da câmara, e achou-o alagado das aguas do temporal (Ver. de 30 dez.) Ficaram inutilizados muitos livros, e Deus sabe quantos desapareceram com tal desculpa.

            O Teatro Histórico de Varela, reputava-se perdido, e não havia rasto que pudesse encaminhar á sua descoberta.

            As memorais genealógicas de João do Quintal do Lobo, noticia circunstanciada das famílias ilustres da terra, haviam tido a mesma sorte do Teatro Histórico.

            Finalmente nas nossas descensões políticas, entre realistas e constitucionais, quantos papeis valiosos a titulo de papeis velhos, foram servir de invólucros de cartuchame! E quantos dos arquivos do forte da Graça foram queimados no baluarte do casarão por um vândalo, que se chamou Calixto José de Oliveira!

            Apesar destas contrariedades, ha ainda material bastante que aproveitar para construir uma crónica da cidade de Elvas quem, apreciando a terra pelos seus relevantes serviços á independência portuguesa, quiser dar-se a esse trabalho. Nós não nos comprometemos a isso. Tem-nos cansado muito copiar quanto nos tem vindo á mão, conferir depois uns com outros papeis, folhear as crónicas impressas (quantas vezes para achar dez linhas apenas a respeito de Elvas ), e, o que é mais, gastar a vista, já meio apagada, no exame de documentos manuscritos de quase cinco séculos de existência; porque o pouco de valor que ha no cartório da câmara já foi também explorado por nós.

            Com que canseira porém!

            No arquivo da câmara ha dez livros de cartas regias, alvarás, e provisões chamados Livros de Propinas, pela Maior parte encadernados em grande desordem, tanto a respeito da natureza dos assumptos, como da sua sucessão cronológica.

            Foi preciso perder um tempo precioso em elaborar um extracto, em oitavo de papel, e coloca-los depois em ordem cronológica para podermos seguir os acontecimentos e os personagens contemporâneos.

            Estes documentos lançam muita luz na historia de Elvas, e, se exceptuarmos os pergaminhos, alguns dos quais alcançam o XVI século, são os mais importantes de todo o arquivo.

            Foi de antemão convencidos disso, que nos aventurámos a tão custoso trabalho, tendo de estar algumas vezes meia hora, e muito mais, diante dum documento reconhecidamente importante, mas quase ilegível, ou porque a inundação de 1625 desbotara as letras, ou porque a caligrafia do século XVI fora executada muito á pressa, ou porque o encadernador levara adiante da plaina as margens, e parte do texto, ou finalmente por todas estas circunstâncias reunidas.

            Em dois compridos documentos, realmente interessantes, como são as cartas de el-rei D. Manuel, comunicando aos municípios os sucessos do Oriente (Propr. II. 29 e 38 .), nós teríamos desanimado diante das dificuldades na leitura daqueles hieróglifos, se não fora a poderosa colaboração de António Pires, actual escrivão da câmara, nosso antigo condiscípulo e amigo, e tão interessado nas coisas da terra como nós mesmos.

            Como os livros de Próprias estão de Vereações, e parte dos poucos pergaminhos que no cartório existem ainda ... por milagre; e o trabalho que temos tido em decifrá-los; não tem sido mais suave que o outro.

            Toda esta canseira, porem, damos por bem empregada, quando pensamos, que nos habilitou a apresentar aos nossos conterrâneos estes apontamentos, que hão de servir de guia a quem se propuser a escrever a crónica sobredita.

            Antes de concluirmos esta conversa preambular, daremos uma boa noticia aos amigos destas velharias. O Teatro Histórico  de Varela não esta perdido.

            Por muito tempo assim o acreditámos com os autores das memórias manuscritas; mas, quando mal o pensávamos, achámos o fio que nos deu a conhecer, que, se o original se perdera como efeito, restavam duas copias daquele trabalho importante, uma das quais já estivera em nossa mão.  Foi num volume manuscrito que existe hoje em poder do Sr. António Teixeira Felix da Costa, obra do académico Estêvão da Gama de Moura de Azevedo, governador que foi de Campo Maior durante o sitio de 1712, e que ele escreveu em 1723.

            Diz ele, referindo-se á dita obra, que «se não imprimiu, e se acha fielmente trasladada por Afonso da Gama Palha, fidalgo muito verdadeiro, e bem instruído na lição dos livros e famílias, e sogro de D. João de Aguilar Mexia, morador naquela cidade, em cujo poder se acha, como também na livraria de Estevão da Gama de Moura de Azevedo, governador de Campo Maior».

            Ora no próprio volume em que vem esta noticia, esta encadernada a copia a que alude Estevão da Gama, escrita por sua própria mão; quanto á copia de Afonso da Gama Palha, está no volume manuscrito, a que já nos referimos, que nos emprestou o professor Manuel Justino Pires, tendo de mais apenas algumas breves referencias ao ano em que dito Palha a estava escrevendo.

 Estas duas copias,  confrontadas parágrafo por parágrafo com o extracto que esta em poder do Sr. major Mata, tiram todas as duvidas, que se poderiam levantar, sobre a autenticidade do escrito.

            Cremos também ter descoberto parte do Nobiliário de João do Quintal Lobo, intercalado noutro, que pertenceu á casa de Simão de Sousa, de que a Maior parte dos volumes existem hoje  do Sr. Joaquim José de Almeida, ignorando-se o que foi feito dos restantes.

            Depois destas explicações, que entendemos indispensáveis para dar noticia dos elementos de que dispomos para a coordenação deste trabalho, nada mais nos resta senão reiterar os protestos de gratidão aos cavalheiros sobreditos; agradecer ainda a António Pires, porque nos tem franqueado de boa vontade o cartório a seu cargo, e coadjuvado na leitura dalguns documentos, e por ultimo pedir desculpa aos que nos lerem, se, percorrendo este trabalho, entenderem, que ele não corresponde á sua expectativa.

 

 

Jacinto César  


Tasca das amoreiras às 15:30
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