Já há uns tempos atrás trouxe aqui o resumo de uma carta de um alemão dirigida ao povo Grego e depois a resposta de um grego ao alemão. A referida resposta causou algum arrependimento por parte dos alemães em relação ao que pensavam sobre os helénicos. Há uns dias atrás voltei a ler sobre a não disposição dos alemães em ajudar os outros europeus em dificuldades. Dei comigo a pensar como é que os alemães se tinham posto de pé depois de terem ficado arrasados no final da 2ª Guerra Mundial. Mais ainda, como é que os alemães deixaram os países que invadiram e como é que estes também se conseguiram levantar?
Inevitavelmente fui parar ao Plano Marshall e acabei por dar-lhe uma leitura cruzada, retendo o principal.
Porventura alguém tem a noção de quem foi o principal benificiário do referido plano? A Alemanha.
Entre 1948 e 1951, entre empréstimos e doações aquele país recebeu mil e quinhentos milhões de dólares, que aos preços actuais é uma quantidade de dinheiro inimaginável. Resumindo, montaram uma guerra que envolveu inúmeros países, destruíram bens e
pessoas em quantidades nunca imagináveis e depois os EE. UU. para evitar que no pós-guerra caíssem na órbita da União Soviética, foram “brindados” com aquela ninharia de verbas para a sua reconstrução. O mesmo aconteceu aos países do centro da Europa.
Assim tendo acontecido ressalta-me uma pergunta: qual é a moralidade da Alemanha como país e como povo recusarem-se a ajudar os países que actualmente estão em dificuldades?
Todos sabemos que os países do sul da Europa, mais conhecidos por PIGE’s gastaram mais do que deviam e chegaram ao ponto a que chegamos hoje. E em que é que gastamos? Na maioria dos casos em artigos supérfluos (leia-se Mercedes, BMW, Audi, submarinos, etc.) comprados principalmente à Alemanha. É verdade que cometemos esse pecado! Mas tirando isto, fizemos mal a alguém? Destruímos alguma coisa? Subjugámos à força alguém? NÃO!
Sei que a grande maioria dos alemães actuais nada tem a ver com o que se passou então, mas o peso da história é muito grande e não se podem livrar assim dela e de todo o mal que causaram. Portugal neste momento e num passado recente não carrega ainda o peso do “colonialismo” às costas? Não estamos ainda a sofrer das consequências do nosso passado?
Talvez por uma questão de educação e de conhecer a história, nunca fui um grande fã daquele povo, mas agora começo quase a sentir uma certa raiva por eles. É verdade, cada vez que vejo e oiço a senhora Merkel, vejo nela uma carga de arrogância e desprezo pelos outros povos só comparado com o que fez certo “senhor”. Estou a olhar para ela e não consigo evitar ver a cara dela a transformar-se noutra cara sobejamente conhecida de todos.
A Europa não vai no bom caminho e isso pode ser perigoso. Façamos votos para que a história não se repita.
Jacinto César
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