Para quem estudou matemática tem a noção que com a estatística se pode brincar e fazer uma leitura “muito à maneira de cada um”.
É evidente que se uma pessoa comeu um frango e a outra nada comeu, estatisticamente falando, em média cada pessoa comeu meio frango. Isto vem a propósito do recente estudo do INE que revelou surpreendentemente que os portugueses gastam mais em hotéis e restaurante do que em saúde e educação. Isto é na verdade uma descoberta extraordinária. Num país em que uma grande parte da população vive com o ordenado mínimo nacional, em que a chamada “classe média” não tem dinheiro nem para mandar cantar um cego, que pouco ou nada lhe sobra depois de pagar as despesas que tem e que infelizmente há umas dezenas de milhares de famílias que perderam a casa por não a poderem pagar ao banco e que finalmente há milhares de pessoas que têm que fazer a escolha entre comer e comprar os medicamentos, dá vontade de rir (para não chorar).
Esta notícia não é como sempre inocente e tem sempre subjacente uma qualquer medida que se quer tomar. Primeiro atira-se o isco e depois pesca-se. O que é ainda não se sabe! Mas alguém vai ser atingido nos próximos tempos. Resumindo, estão a preparar-se para “lixar” alguém.
Jacinto César
Blogs de Elvas