Há uma classe de pessoas que, vivendo situações financeiramente muito complicadas, de quase miséria, insistem em fazer uma vida e assumir posições de quem vive uma vida abastada, mesmo que isso lhes custe os últimos tostões e os filhos lá em casa passem fome.
Têm essas pessoas a tendência para acompanhar com pessoas de classes bem mais abastadas e tomara decisões que lhes são financeiramente prejudiciais apenas para ficar bem na “fotografia”.
Hoje, ao ouvir as notícias pela manhã, fiquei a saber que tinha sido discutida no Conselho Europeu a possibilidade da criação de eurobonds como forma de financiamento das economias.
Não sendo eu um especialista em Economia, não me custa compreender que, sendo o risco da Europa como um todo bastante menor que o risco das economias mais débeis, as taxas de juro dessa eurobonds seria mais baixa que as actualmente praticadas para os países que neste momento estão em dificuldades. Por outro lado será também fácil compreender que para as economias mais fortes os juros provavelmente subiriam.
No referido Conselho Europeu, o Presidente Francês defendeu, penso que numa perspectiva de visão de conjunto da Europa, a criação das ditas eurobonds.
Tal facto deixou-me esperançado numa solução que em muito poderia contribuir para um alívio da situação de Portugal, pela redução do montante necessário par o serviço da dívida.
A Chanceler Alemã, numa perspectiva mais nacionalista que é aliás tradicional naquele pais, e sabendo que dada a situação económica do seu país só tem a ganhar com os juros altos que o sistema financeiro alemão está a cobrar ás economias mais débeis , opôs-se firmemente à criação do referido mecanismo.
Foi com surpresa que, num primeiro momento, ouvi que o nosso Primeiro Ministro tinha, neste particular, estado ao lado da Chanceler Alemã contra o Presidente Francês, depois, reflectindo um pouco concluí que não havia surpresa nenhuma. O nosso Primeiro Ministro, numa postura que já vem sendo habitual, acompanhou com “os ricos” apesar de viver uma situação desesperada.
Se o povo passa fome, isso pouco importa, é importante é “fazer figura” e tomar as posições que na “fotografia” fiquem melhor.
António Venâncio
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