Nota prévia – Estou muito surpreendido com o silêncio que se está a fazer sobre o assunto. Nem os mais interessados nem os críticos até agora se manifestaram, o que é no mínimo estranho dada a importância do que está em jogo. Mas em frente.
Parte 2
O documento em análise começa com a introdução que ontem aqui apresentei. Gostaria ainda de voltar a esta introdução.
As candidaturas dos vários bens são apresentadas pelas comissões locais e nacionais ao ICOMOS que as vai analisar sob o ponto de vista técnico e se se enquadram nos pressupostos definidos.
Pela introdução pode-se verificar que este ano a referida organização apreciou 55 projectos de candidaturas a Património da Humanidade. Dessa análise técnica e científica houve 33 que ficaram pelo caminho pelas mais variadas razões que constam do relatório. Assim sendo sobram 22 que foram aprovadas e que vão ser submetidas ao veredicto do Comité para o Património Mundial da UNESCO.
Qual é a minha opinião sobre este procedimento? O ICOMOS avalia e selecciona as candidaturas viáveis e o Comité dará ou não a confirmação do que foi decidido, ou seja, as candidaturas seleccionadas vão ser sujeitas a uma avaliação política, já que a técnica foi feita. E é aqui que para mim as coisas se tornam nebulosas. Se o ICOMOS se rege por critérios objectivos que todas as candidaturas conhecem, desconheço quais são os critérios que o Comité utiliza para a ratificação ou não dos bens propostos pelo ICOMOS. E para mim tudo o que é subjectivo presta-se a muita coisa estranha.
Não sei, e porque não tenho elementos, do que se passou em anos anteriores, nem tão pouco sei se as candidaturas apresentadas pelo ICOMOS foram todas ratificadas ou não. Se foram, o Comité faz somente a confirmação do trabalho do ICOMOS. Digamos de outra forma, institucionaliza a decisão técnica. A ser assim, Elvas é Património da Humanidade.
A segunda parte do relatório, analisa uma a uma todas as candidaturas apresentadas. Falemos então da parte que nos interessa.
Sobre a Candidatura de Elvas, a análise tem 7 pontos.
O primeiro ponto (1 Basic data – Dados Gerais) é muito curto e limita-se a situar o Bem candidato sob o ponto de vista geográfico e apresenta dados gerais.
O segundo ponto (2 The property – O Bem) caracteriza exaustivamente o Bem proposto. Faz uma descrição física, geográfica e histórica de cada um dos elementos constantes do Bem. Digamos que esta é a parte mais longa do documento e que não acrescenta nada que não saibamos já.
O terceiro ponto e que se intitula “Valor universal excepcional, integridade e autenticidade” (3 Outstanding Universal Value, integrity and authenticity ) é o mais interessante já que faz a comparação do Bem (neste caso as Fortificações de Elvas) com outros bens já classificados ou não.
Como a prosa já vai longa, deixo este capítulo para amanhã.
Jacinto César
Estou sensibilizado com tamanha distinção. Acho que não mereço tal honra.
Jacinto CésarMas os meus caros amigos aí na câmara não têm mais nada que fazer? Ou têm algum tempo extra para me darem na cabeça? Eu não queria dizer de onde vêm estes comentários, mas acho que já é demais. Passem bem.
Jacinto César
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