Efemérides do dia
Em 22-3-1756 o governador das armas, Marquês de Tancos, mandou que o povo de Elvas fosse obrigado a sair a campo, a combater a praga de gafanhotos que infestava as searas como era de uso fazer as montarias aos lobos.
Em 22-3-1824 data da provisão que autorizou a nomeação de uma junta de 6 membros para superintender na boa guarda dos olivais do termo de Elvas.
Sei que alguns irão dizer que “cá está novamente este tipo a bater no ceguinho”, no entanto há coisas que têm que ser resolvidas e bem resolvidas para bem de uma comunidade que somos todos nós em Elvas.
Eu como já aqui tenho afirmado, não sei se existe algum plano estratégico para o sector por parte da Câmara Municipal de Elvas. Mas se existe, não se vêem resultados.
Há fundamentalmente 3 tipos de turismo: o turismo cultural, o turismo de lazer e finalmente o turismo “de garrafão”.
No turismo de lazer pouco temos que oferecer, a não ser o turismo rural, sobre o qual, desconheço o impacto que causa na economia de Elvas. Presumo que muito pouco.
Sobre o “turismo de garrafão”, que é aquele que predomina na nossa cidade, apesar de poder constituir uma fonte de receitas, o impacto é muito pequeno.
Resta-nos o turismo cultural, que é aquele ao qual Elvas pode oferecer algo importante.
Penso que não haverá muitas dúvidas sobre este assunto.
Nós oferecemos aquilo que temos de importante e necessitamos de ir à procura de quem queira “comprar”. E é isso que não tem sido feito.
Olhemos os exemplos do Algarve e da Madeira. Estas regiões do nosso país têm aquilo que todos nós sabemos e o que é certo é que eles conseguem vender a milhares o seu “produto”, fruto de campanhas agressivas que fazem em todo o mundo. Mas se formos ver bem, aquilo que estas duas regiões têm para oferecer, há inúmeros locais em todo o mundo que oferecem o mesmo. E porque é que eles conseguem levar a água ao seu moinho? Precisamente às campanhas que fazem em todo o mundo.
Tomemos agora como exemplo um país pequeno, que não tem praia nem sol para vender: o Nepal. O que é que este pequeno país situado nos confins do mundo tem para oferecer? Cultura! E porque é que há por lá milhares de turistas? Porque os seus serviços de turismo inundam com a sua imagem tudo o que é revistas de turismo, revistas culturais, televisões que se dedicam ao turismo, etc. É certo que tudo isto custa muito dinheiro. E qual é o retorno? Incomensuravelmente maior. É um país que vive exclusivamente para o turismo.
Poder-vos-ia dar numerosos exemplos do mesmo tipo.
E porque é importante para Elvas o turismo cultural? Além do que já referi e que é o belíssimo produto que temos para oferecer, este tipo de turista é por natureza aquele que não tem problemas económicos e não embarca naqueles grupos organizados onde vai tudo a monte atrás de um guia e tudo está programado ao pormenor. Este tipo de turista, estuda com antecedência onde quer ir, informa-se sobre tudo do local que escolheu, compra uma passagem aérea, aluga um carro, marca os hotéis e depois quando chega mete o nariz em tudo o que lhe aparece pela frente fruto de uma informação já adquirida. São estes que nos interessam e é a estes que lhes temos que passar a informação.
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Elvas: eu não entendo nada de turismo, mas sou um turista compulsivo. Desde os meus 13 anos que tenho corrido meio mundo e sei como as coisas funcionam. Sei também porque é que vou aos locais onde vou. E sei também que não é como o turismo é encarado em Elvas que chegamos a algum lado.
Quando foi da implementação do MACE, foram contratar alguém que sabia do assunto. Custou dinheiro? Pois claro que sim, mas tem ali uma instituição que não nos envergonha.
Para o turismo tem que fazer o mesmo. Abra os cordões à bolsa, contrate alguém que saiba o que deve ser feito e todos ficaremos a ganhar. As belezas da nossa terra merecem e agradecem.
Jacinto César
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