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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

A Educação, os seus problemas o os rankings - 2

Na continuação do texto que comecei ontem, hoje vou abordar o assunto Escolas e Professores. O tema não é pacífico.

 

2 – As Escolas

 

Seria negar a evidência que as escolas a nível de instalações e equipamentos deram um salto quantitativo e qualitativo notável desde o 25 de Abril. Se é verdade que a situação esteve muito periclitante logo após a revolução devido à massificação do ensino no nosso país, onde tudo era provisório, desde as instalações ao pessoal docente, também é verdade que progressivamente tudo foi melhorando, mas…

 

Vamos ver como é que há uns anos atrás as coisas funcionavam.

 

Em termos de instalações o pós 25 de Abril foi catastrófico. Como referi ontem, as escolas não estavam preparadas para receber tanta gente e de qualquer cubículo se fazia uma sala, para já não falar nos malfadados pavilhões pré-fabricados. Não havia condições mínimas de conforto e de higiene.   Em relação ao corpo docente, era estável. Este era oriundo dos cursos clássicos das universidades que faziam à posterior um curso de ciências pedagógicas. Com a massificação repentina, o défice do pessoal docente foi também enorme. Essa época foi “gloriosa”. Qualquer aluno que tivesse completado o antigo 7º ano e que tivesse um pouco de cabeça e sorte, no ano seguinte era professor. Com um bocado de azar iria ainda encontrar como alunos alguns antigos colegas repetentes. Foi uma época em que valia tudo. Livros, não havia, e cada um desenrascava-se como podia. A política era a rainha de então.

Se a questão das instalações foram mais ou menos resolvidas, já em relação ao corpo docente as coisas não correram bem. As universidades não davam resposta em quantidade para satisfazer as necessidades. E que aconteceu? Como todos se lembram, antigamente todas as capitais de distrito tinham o seu Magistério Primário que formava os professores do 1º Ciclo. Até tudo bem. Com a necessidade de se formar mais professores, as escolas referidas foram então transformadas em Escolas Superiores de Educação e ficou a cargo destas ministrar os Cursos de Ciências Pedagógicas aos saídos das Universidades. Tudo bem ainda. Onde é que então as coisas começaram a correr mal? Rapidamente as Escolas Superiores de Educação deram lugar aos Institutos Politécnicos e a partir de aí as coisas complicaram-se. Passou então a ser ministrados por estes e através das Escolas Superiores de Educação a formação inicial de professores. Estes, em lugar de virem já com a componente científica feita das universidades, passaram a tê-la aí e a componente pedagógica já integrada. Este, para mim foi o grande erro. Os professores daí saídos, em 3 anos faziam a parte científica e pedagógica que dantes era feita em pelo menos 3+2, 4+2 ou 5+2 anos. Se juntarmos a isto as guerras das “escolas” pedagógicas que então reinavam (Bordéus vs. Bóston), obteve-se uma mistura explosiva e sem fim à vista. Por uma questão de facilitismo, os candidatos a professores corriam para as Escolas Sup. de Educação e fugiam das universidades. Para ser claro, eu, se tivesse estudado nessa época teria feito o mesmo. E que resultados é que isto nos trouxe? Eu sei quais foram. Agora cada um pense o que quiser. Claro que para as capitais de distrito este fenómeno foi favorável. Mais professores a alimentar as escolas de ensino superior, mais alunos e toda a gente a ganhar com o assunto. Uma autêntica bola de neve a encher.

E sobre o assunto mais não digo.

Amanhã escreverei sobre o que para mim é o cerne da questão: as famílias.

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 19:08
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