Eu bem não queria dizer nada, mas não consigo resistir.
A oposição em Elvas é de GRITOS. Pensava eu que tinha melhorado, mas não. Estão exactamente na mesma. Têm tanta coisa por onde pegar o “homem” , mas não, dão tiros no pé.
Hoje quando li no site do Linhas de Elvas a comunicação conjunta do PSD/CDS tive que me rir. E ainda por cima vem acompanhada de uma fotografia, que prova exactamente o contrário daquilo que dizem. Ou andam distraídos ou então querem atirar poeira para os olhos dos mal informados.
E isto tudo para dizer o quê? Que foi precisamente durante o Governo do PSD/CDS no consulado de Durão Barroso que tudo isto poderia ter ficado resolvido e não ficou.
Voltemos atrás no tempo.
Em 30 de Abril de 2010 escrevia o seguinte:
Costuma-se dizer em bom português que, “empata” é aquele que nem monta nem deixa montar e que segundo parece, é o que é o Ministério da Defesa.
Como penso que muitos saberão, há uns anos aqui atrás, foi feito um protocolo para a recuperação do Forte da Graça. Se bem me lembro e corrijam-me se estiver enganado, as entidades envolvidas eram o Ministério da Defesa (dono do prédio militar), o Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Elvas e penso que mais outra entidade qualquer que não recordo.
Segundo julgo saber, a obra estaria projectada por fases, cabendo a primeira à CME e que dizia respeito ao restauro das coberturas. Segundo julgo também saber, a CME cumpriu a sua parte. O problema surgiu quando teve que arrancar a segunda fase e que pertencia ao MD. Aí, paradoxalmente tudo se complicou porque quem tinha o processo entre mãos não deu andamento a ele, e digo paradoxalmente, porque o dito senhor, não sendo de Elvas, toda a sua família aqui pertence. Nunca consegui entender o porquê da “birra”. O que é certo é que o barco encalhou nas mãos desse “senhor militar”.
O Ministério da Defesa por duas vezes tentou vender o forte como se de uma habitação se tratasse, pouco se importando que a “casinha” fosse um Monumento Nacional de grande importância. Sobre potenciais interessados, muitos boatos correram em Elvas. Houve que o quisesse transformar em Casino, em Hotel, em Museu, etc, etc. Penso que na verdade não passaram mesmo de boatos. Até que chegámos aos dias de hoje e a situação mantém-se: o forte ao abandono e o proprietário a comportar-se como muitos senhorios que há por aí sem dinheiro para fazer as obras. Na época atrás descrita, o restauro do forte andaria pala casa dos 5 milhões de contos (qualquer coisa como 25 milhões de euros). Claro que hoje os preços não serão estes.
O Ministério da Defesa está teso que nem um carapau. Por vezes nem dinheiro tem para os combustíveis quanto mais ir empatar verbas tão grandes em algo que não lhes serve para nada. Sendo que isto é a realidade, não resta mais nenhuma alternativa senão forçar o MD a entregar o forte à Câmara Municipal. Haverá neste momento algumas pessoas a pensar que seria um disparate gastar verbas tão elevadas no restauro do velho forte. Se é certo que a Câmara Municipal teria que desembolsar uma parte do capital, há programas comunitários que pagariam a maior fatia. Julgo que esta será a solução que a câmara tem pensada.
Mudemos por instantes o rumo da conversa.
Está visto e mais que visto que a solução para o desenvolvimento de Elvas passa inexoravelmente pelo Turismo. É a única jóia que nós temos na nossa terra e que é vendável: o nosso Património. Não me venham com ideias de fábricas de cervejas, call-centers ou outra coisa qualquer. Poderia ser uma solução para o curto prazo, mas nunca traria o desenvolvimento sustentado pretendido, já que a mão-de-obra necessária para tais empreendimentos seria quase toda desqualificada.
Voltemos então novamente ao forte.
Não será esta “peça” a mais valiosa ou das mais valiosas que temos? Não será esta “peça” a que atrairia mais turistas culturais (que são os que têm dinheiro e tempo)? Então a recuperação do forte como é que seria contabilizada: como despesa ou como investimento? Penso que todos estaremos de acordo quanto a isto.
Como o povo diz, “Avancemos por Talavera sem medos”!
Em 12 de Junho do mesmo ano propus que se fizesse uma petição nos seguintes termos e que seria assinada pelos cidadãos de Elvas:
“Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa
Excelentíssimo Primeiro-Ministro de Portugal
Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa
Excelentíssimo Senhor Chefe do Estado-maior das Forças Armadas
Excelências
Como é do conhecimento de V. Excelências, Elvas, desde sempre conhecida como a Chave do Reino é detentora de um património militar invejável, tanto na quantidade como na qualidade. Dos inúmeros edifícios militares existentes somente cinco estão reabilitados e com novas utilizações. Refiro-me a:
1 – Forte de Santa Luzia – Actualmente sob a tutela da Câmara Municipal de Elvas e utilizado como Museu Militar;
2 – Trem – Sob a tutela do Instituto Politécnico de Portalegre e onde funciona a Escola Superior Agrária de Elvas;
3 – A Casa das Barcas – Sob a tutela da Câmara Municipal de Elvas e actualmente transformada em Mercado Municipal;
4 – Quartel do Regimento de Infantaria de Elvas, actualmente sob a tutela do Ministério da Defesa onde está em instalação o Museu Militar da
Guerra do Ultramar;
5 – Hospital Militar, sob tutela privada e onde funciona actualmente o Hotel São João de Deus.
Só que esta é uma pequena parte de um vasto conjunto de construções militares de onde se destaca o Forte de Nossa Senhora da Graça, obra maior das fortificações militares portuguesas.
Acontece que este vasto património está ao abandono e em degradação acelerada, sendo que a última “vítima” foi o Convento de S. Paulo, onde funcionou o Batalhão de Caçadores 8 e ultimamente o Tribunal Militar e Estabelecimento Prisional Militar de Elvas. E digo vítima porque entrou em derrocada e o mais provável será o seu desaparecimento.
Os peticionários têm a noção que para o restauro do referido património são necessárias verbas enormes e que a presente crise económica em nada vem favorecer, não se vendo uma solução viável num futuro próximo que evite o colapso geral do dito património.
Assim sendo o grupo de cidadão que abaixo assinam esta petição, vêm propor o seguinte:
1 – Passagem da tutela de todos os edifícios militares não utilizados para a tutela da Câmara Municipal de Elvas;
2 – Esta, não tendo também as verbas necessárias para o seu restauro imediato, tem a capacidade de ir interferindo nos casos mais urgentes;
3 – A médio prazo a Câmara Municipal de Elvas tem a capacidade de concorrer a programas comunitários que lhe permitam o efectivo restauro e reutilização.”
Será que alguém quis saber ou mexeu uma palha nesse sentido? NÃO
Que venha uma oposição capaz ou então como Presidente ou como vereador terão que o aturar para sempre.
PS- Estou a lembrar-me de uma personagem capaz de ser oposição: Zé de Melro!
Jacinto César
Caro Senhor César
Não o conheço pois sou de Lisboa, mas tenho familiares em Elvas.
Congratulo-me muito com a notícia da possível intervenção da câmara do Forte da Graça. Em relação ao que disse, tendo eu sido militar, sei perfeitamente os entraves que o Ministério da Defesa põe em relação à cedência de qualquer prédio militar. Infelizmente conheço a história que contou e que nessa época bastante me indignou. Nada podia fazer. Espero que tudo isto se resolva para bem da cidade e mesmo do país visto considerar o Forte da Graça uma obra ímpar da arquitectura militar portuguesa e do melhor que há por esse mundo.
Atenciosamente
José Alves Fróis
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