Vou hoje continuar a analisar os problemas do Centro Histórico da nossa cidade.
No primeiro artigo falei sobre a história da debandada geral da população
para a periferia e as consequências que isso acarretou.
Ontem, debrucei-me sobre um dos problemas que eu considero
importante e que é a geografia do terreno em que a cidade está
implantada e a grande faixa de terreno em declive a separar o
centro da periferia.
Hoje gostaria de ir aos problemas menores, mas que não deixam de ser
problemas. Aquando da debandada geral, não houve senhorio que
tentasse travar o acontecimento modernizando as casa que lhe
pertenciam de modo a dar condições dignas a quem lá quisesse habitar.
Não se quis investir um centavo, preferindo deixar as casa devolutas
e ao abandono. E assim chegaram ao estado em que hoje se encontram.
Não vale a pena arranjar desculpas porque foi assim mesmo. A juntar a
estes, o Exército fez ainda pior. Deixou ao abandono, um sem número
de instalações, entre elas, alguns edifícios com valor histórico e outros
mesmo Monumentos Nacionais. Um atentado que foi cometido e que
será difícil de remediar a não ser à custa de muitos milhões.
SEM PERDÃO.
Toda a gente atira pedras a todos, mas não ouço ninguém fazer o
“mea culpa”.
Recentemente comecei a notar algum interesse imobiliário pelo
centro. Quero aqui referir a recuperação excelente do edifício
com frentes para a Rua Eusébio Nunes e Rua de Alcamim.
Sei que o Patrik Sequeira e mais uns quantos (perdoem-me o facto
de não conhecer os nomes) estão envolvidos nessa recuperação.
É notável. Assim houvesse mais gente com coragem de investir
assim e mais gente viria viver para o centro.
Eu que sou um “retornado” às origens, e por mais incrível que
pareça, o que mais estranhei foi o silêncio à noite, comparando
com o local onde vivia. Quem tem mau dormir, descansa mesmo.
Claro que se toda a gente se lembrasse de fazer o mesmo,
deixávamos de ter uma cidade quase fantasma para termos bairros
fantasmas. Nós como bons portugueses que somos, ou é 8 ou 80.
Fala-se muito dos lugares de estacionamento. Eu não conheço
muitas cidades com centros históricos que tenham tantos parques
de estacionamento. Pois é, o problema é que todos queremos um
lugar mesmo à porta de casa e de preferência poder entrar com
o popó para dentro dela.
Fala-se também na falta de estacionamento para quem quer vir
fazer compras. A quantos metros fica o parque subterrâneo das
principais ruas comerciais? Não me venham com o argumento
que custa umas dezenas de cêntimos ter lá o carro umas horas.
Vão a qualquer cidade e verão como é.
Resumindo, este é um processo em que há muita gente com
culpas no cartório, mas que vai assobiando para o lado como
se nada fosse com eles.
Haja coragem para alterar as coisas, nem que seja aos poucos.
Até lá vamos ter que aguentar.
Amanhã para finalizar esta série de escritos sobre a problemática,
gostaria de falar um pouco sobre comércio e comerciantes.
Jacinto César
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